Seca de golos de Gonçalo Ramos associada à fase menos boa da equipa nos últimos jogos

A pólvora secou e o pistoleiro não tem sacado das suas armas para atingir o fundo das redes. Gonçalo Ramos, 21 anos, ganhou a alcunha de pistoleiro graças à forma como celebra os seus golos, disparou pela última vez para o golo na deslocação a Vila do Conde, onde festejou o único tento da partida e que valeu a vitória da águia, a última antes de um ciclo de quatro jogos sem sucesso (três derrotas e um empate). Desde então vai em cinco jogos sem celebrações. Trata-se da maior ausência de golos na folha de presenças desta época.  

Contra o Rio Ave marcou logo no arranque da segunda parte, à passagem do minuto 47. Esteve em campo mais 24 minutos (saiu aos 71) e somou nos cinco jogos seguintes – com FC Porto (90’), Inter (90’), Chaves (80’), Inter (74’) e Estoril (64’) – mais 398 minutos no relvado, ou seja total de 422 minutos longe da eficácia que vinha revelando esta temporada. Longe de ser o único responsável, assim se explica, em parte, o momento delicado que a equipa viveu precisamente no ciclo que se seguiu ao jogo com o Rio Ave e que custou a diminuição de dez para quatro pontos de distância para o segundo lugar na Liga, ocupado pelo FC Porto, e ainda a eliminação na Champions com o Inter.

Naturalmente que os avançados vivem dos golos, mas vivem sobretudo da criatividade de quem lhes coloca bola e os deixa à beira da concretização. E a verdade é que a bola não lhe tem chegado em situações favoráveis, disso se ressentindo a sua produtividade. Olhando para o que tem feito jogo a jogo percebem-se também as dificuldades: Com o Rio Ave realizou três remates, dois deles enquadrados, um resultou em golo; com o FC Porto apenas um remate (ao poste), que ainda assim resultaria no autogolo de Diogo Costa; com o Inter na Luz um remate (enquadrado), mas já no tempo de compensação (90+4’); em Chaves não fez qualquer remate; em Milão, com o Inter, um remate (desenquadrado) e anteontem, com o Estoril, também apenas um remate e para fora.

Gonçalo Ramos não tem deixado de tentar tudo em campo, correndo, lutando por espaços, ajudando na pressão e recuperação de bola em zonas altas, mas a frescura física e até mental não será a mesma da primeira metade da época. Ramos teve três períodos ao longo da temporada em que não marcou durante três jogos seguidos, agora atravessa seca de cinco desafios completos.

Ainda assim, com 17 golos (duas assistências) na Liga, é ainda o líder de A Bola de Prata, com o mesmo número de tentos de João Mário. E é também o melhor marcador dos encarnados nesta época, com 25 golos no total (cinco assistências), mais dois que João Mário, que tem 23.

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