Pedro Mil-Homens faz lançamento do “Factory of dreams: Benfica” dando o exemplo de António Silva

O Benfica Campus, e em concreto o Espaço 360s, engalanou-se para receber a apresentação da docu-série “Fábrica dos Sonhos: Benfica”, um documentário de quatro episódios, em exclusivo na Prime Video, que retrata os bastidores do centro encarnado e a forma de trabalhar no futebol de formação do Clube. António Silva, Henrique Araújo, Pedro Mil-Homens e Pedro Ramalho Marques revelaram, em primeira mão e na primeira pessoa, preocupações e histórias inéditas que pode acompanhar a partir desta sexta-feira, 11 de novembro.

O Espaço 360s recebeu cerca de 150 convidados, com destaque para o Presidente do SL Benfica, Rui Costa, antigos jogadores, treinadores do futebol de formação e membros dos Órgãos Sociais do Clube. O objetivo? Apresentar em antestreia o primeiro episódio da série, denominado “Iniciação”, que mostra como tudo começa e onde há depoimentos, entre outros, de Rúben Dias, João Cancelo ou de Tiago Rodrigues, jovem algarvio, de 13 anos, que foi há um ano para o Seixal atrás do sonho, enquanto os pais vivem no Algarve.

Ainda o sol raiava no Seixal quando começaram a chegar as primeiras pessoas. Pé ante pé, com os minutos a passarem, a “casa” ia-se compondo com Glórias do Sport Lisboa e Benfica, vice-presidentes, demais convidados…

Caíra já a noite quando chegaram António Silva e Henrique Araújo, dois dos craques que são protagonistas na docu-série. A seu lado, Rui Costa, Presidente das águias, cujo testemunho também pode ser ouvido na “Fábrica dos Sonhos: Benfica”. Os cerca de 150 presentes iam ocupando os seus lugares e tudo estava a postos para o pontapé de saída. Antes do episódio propriamente dito, uma conversa informal – como, aliás, é o registo da série – entre Pedro Mil-Homens, António Silva, Henrique Araújo e Pedro Ramalho Marques.

Pedro Mil-Homens

O diretor-geral do futebol de formação partilhou logo a sua primeira preocupação quando lhe foi lançado o desafio de fazer um documentário sobre o dia a dia do Seixal.

Tivemos as primeiras conversas há um ano e pensei: ‘Como vai ficar? Vamos filmar uns jogos, uns treinos… vai ficar agradável para os Benfiquistas, para os pais, para os atletas…’ Ao início fiquei na dúvida, porque não conheço outro documentário semelhante, mas à medida que as coisas foram acontecendo, e agora que vi os quatro episódios, tenho de dizer que ficou um trabalho top. O Benfiquista que se interesse pelo futebol de formação, os pais que têm aqui os seus filhos, e os jovens que querem concretizar o sonho vão adorar ver estes quatro episódios. A produtora consegue mostrar na primeira pessoa o que aqui se passa“, referiu Pedro Mil-Homens.

“Não podíamos ter escolhido outra época para ilustrar o trabalho do futebol de formação do Benfica, pois vencemos a UEFA Youth League, a Taça Intercontinental [Sub-20], o Campeonato Nacional de Juniores”

Pedro Mil-Homens, diretor-geral do futebol de formação

Ano inédito a dar outro colorido ao “Fábrica dos Sonhos: Benfica”, com as conquistas da UEFA Youth League, da Taça Intercontinental Sub-20 e do Campeonato Nacional de Juniores. Costuma dizer-se que estava escrito nas estrelas, mas o correto, neste caso, é dizer-se que foi escrito pelas estrelas que crescem no viveiro de talentos dos encarnados.

“A sorte também faz parte do desporto e na escolha de uma época. Não podíamos ter escolhido outra época para ilustrar o trabalho do futebol de formação do Benfica, pois vencemos a UEFA Youth League, a Taça Intercontinental [Sub-20], o Campeonato Nacional de Juniores. Tudo foi a cereja no topo deste bolo, num ano que foi de ouro para o futebol de formação do Benfica, num ano em que o nosso principal objetivo – e que é a nossa razão de existir –, que é colocar jogadores na equipa principal, foi uma missão cumprida”, reforçou o diretor do Benfica Campus.

António Silva

A conversa estava boa e a hora era de passar a bola aos artistas. O primeiro a entrar em campo foi António Silva. Hoje é um caso de sucesso, com uma convocatória para o Campeonato do Mundo 2022, mas outrora foi um jovem que passou por “momentos muito difíceis”.

“O suporte dos meus pais foi muito importante para mim como jogador. Passei momentos muito difíceis no Benfica e, olhando para trás, vendo o que estou a conquistar – e que ainda é curto para o que ambiciono –, é algo muito importante, e sem dúvida que o apoio que os meus pais me deram foi crucial para eu poder estar aqui. Agradeço muito aos meus pais e acredito que estejam muito orgulhosos de mim“, revelou o defesa-central, que completou: “O Benfica Campus era a minha segunda casa. Nem me lembro de viver com os meus pais. O suporte de todos os que trabalham no Benfica foi muito importante.”

“O suporte dos meus pais e de todos os que trabalham no Benfica foi muito importante”

António Silva, futebolista do Benfica

A vertente humana anda de mão dada com a componente desportiva no documentário e no quotidiano do Benfica Campus, e o camisola 66 não teve pejo em dar a conhecer uma história que mostra a resiliência de um jovem que nunca desistiu do seu sonho.

“O que mais me marcou foram as etapas que fui passando com a ajuda de treinadores e outras pessoas do centro de estágio. Se não fui o que teve mais dificuldades, fui um dos que tiveram mais dificuldades no Benfica Campus. Posso admitir. Se não fosse o suporte que tive, hoje não estaria aqui“, reconheceu António Silva.

Fábrica dos Sonhos: Benfica

Do defesa-central saiu um passe longo para o avançado madeirense Henrique Araújo. Chegou ao Seixal com 16 anos, muito a tempo de mostrar o faro que tem pelo golo. Os Benfiquistas agradecem e anseiam por mais. Antes, o atacante partilhou as primeiras experiências vividas “à Benfica”.

“Vim numa fase diferente da do António [Silva]. Ele veio com 11/12 anos, eu vim com 16 anos. Sentia que não estava preparado para vir para cá tão cedo, até porque é diferente vir do Norte ou do Sul e vir da Madeira, mas sempre tive o apoio dos meus pais e de toda a estrutura do Benfica Campus. As pessoas trabalham bem, senti-me sempre acompanhado e as pessoas tinham preocupação com o nosso bem-estar para podermos chegar ao campo e ter rendimento”, elogiou.

“No que senti mais diferença quando vim para cá foi na organização do Clube, seja na Formação, seja na equipa principal. Não só na parte social e educativa, como nos treinadores. Há muita atenção aos detalhes”

Henrique Araújo, futebolista do Benfica

“No que senti mais diferença quando vim para cá foi na organização do Clube, seja na Formação, seja na equipa principal. Não só na parte social e educativa, como nos treinadores. Há muita atenção aos detalhes. O conselho que dou aos mais jovens é: trabalhem muito e ouçam sempre os treinadores”, acrescentou Henrique Araújo.

A docu-série mostra o outro lado do Benfica Campus, os bastidores que nem sempre são revelados. E as histórias que nunca se contam? O camisola 39 levantou um pouco o véu e arrancou risos entre os convidados.

“Uma história que posso contar é que quando o jantar não era bem aquilo que queríamos, nós encomendávamos uma pizza ou um hambúrguer e íamos buscar às escondidas. Acho que é algo normal. As pessoas do Benfica Campus percebiam isso e deixavam passar”, divulgou Henrique Araújo.

Fábrica dos Sonhos: Benfica

“A infraestrutura é excelente, mas as pessoas que aqui estão é que fazem toda a diferença e esperamos passar esse toque mais humano”

Pedro Ramalho Marques, realizador do “Fábrica dos Sonhos: Benfica”

Faltava a história desconhecida de António Silva. O defesa pediu a ajuda de Pedro Mil-Homens e a palavra passou para o diretor.

“A história mais importante do António… eu vou contar. Estou aqui desde 2017, e em 2017/18 a geração dele jogava o Campeonato Nacional de Iniciados. Eu não o conhecia. E porquê? Porque não jogava. No Benfica, apesar de ser importante ter títulos, é preciso olhar, primeiro, para os jogadores. A palavra mais fundamental neste projeto é paciência. É preciso saber esperar, e a melhor decisão que tivemos foi dar espaço para o António Silva – e não só – crescer em termos de maturidade. Esta é a melhor história sobre o António Silva“, apontou.

Faltava o olhar de quem está de fora do espaço no Seixal e que está no outro lado da câmara. Pedro Ramalho Marques, um dos realizadores de “Fábrica dos Sonhos: Benfica”, disse como tudo surgiu e ainda partilhou o que mais o impressionou.

“O projeto foi co-realizado entre mim e o Ricardo Ribeiro. Tivemos uma equipa local para estarmos perto do Benfica Campus e da história, do que ia acontecendo. Tínhamos uma grande personagem, que era o Benfica Campus, e tínhamos de estar preparados para o que ia acontecer. Não sabíamos que iam ganhar a Youth League e a Taça Intercontinental, mas tínhamos um bom background devido aos grandes jogadores que saíram daqui e com quem iríamos poder falar. Quando se deu a possibilidade de ir a Nyon, nós queríamos estar presentes, porque podia ser especial. Conseguimos ir gerindo o conteúdo de forma a manter o interesse. O primeiro episódio é a iniciação do Campus, o segundo é sobre a metodologia de treino, o terceiro é sobre o scout e o quarto é dedicado à Youth League e à caminhada”, destacou.

Fábrica dos Sonhos: Benfica

“Olhando para a série e para esta produção, o que dizemos é que o nosso maior fator de projeção é o número de jogadores que conseguimos produzir e ajudar a desenvolver para chegarem à equipa principal do Benfica”

Pedro Marques, diretor técnico do Benfica Campus

O Benfica Campus, as pessoas e a forma de trabalhar também não passaram despercebidos ao realizador que o tentou descodificar em imagem.

“A infraestrutura é excelente, mas as pessoas que aqui estão é que fazem toda a diferença e esperamos passar esse toque mais humano. Impressionou-me o cuidado com as crianças, impressionou-me o cuidado com cada atleta. Cada um é tratado de forma individual. Claro que ficam sempre coisas por contar, mas espero que vejam aqui um projeto de cariz desportivo e social muito grande”, desejou Pedro Ramalho Marques.

À margem da apresentação da docu-série, o diretor técnico do Benfica Campus, Pedro Marques, explicou, à Comunicação Social presente, qual é o principal objetivo do futebol de formação do Clube, seja no dia a dia, ou neste documentário.

“Olhando para a série e para esta produção, o que dizemos é que o nosso maior fator de projeção é o número de jogadores que conseguimos produzir e ajudar a desenvolver para chegarem à equipa principal do Benfica, terem sucesso, realizarem os seus sonhos e vencerem títulos. Isso é o que mais projeta o nosso trabalho aqui, um trabalho de muitas pessoas, no Benfica Campus e nos Centros de Formação e Treino. O que tentámos neste documentário foi dar visibilidade às pessoas que trabalham neste projeto“, sublinhou.

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