Rúben Dias explicou em entrevista à Forbes as dificuldades iniciais da sua liderança no Benfica

Numa entrevista à revista norte-americana Forbes, Rúben Dias, internacional português do Man. City, falou de vários temas, desde logo a importância que o seu avô teve durante a sua infância. Quando jogava no Estrela da Amadora foi convidado a integrar a academia do Benfica, mas precisava de meio de transporte, e foi então que o seu avô Joaquim Dias, se ofereceu para fazer o trajeto de 30 minutos, cinco vezes por semana, para o levar aos treinos.

«Tive a sorte de ter um avô muito dedicado. Às vezes o meu pai levava-me, mas era principalmente o meu avô quem fazia o trabalho mais difícil. Era uma pessoa muito humilde e dedicou todo o tempo da sua vida a cuidar de mim e a ajudar-me todos os dias, foi algo muito especial para mim. É alguém muito especial. Acho que levava alguns jogos com ele, como o Sudoku e assim. Penso que a oportunidade de lá estar e viver o sonho comigo foi também algo que fez muito sentido para ele. Durante quatro ou cinco horas esperava por mim enquanto eu treinava. Às vezes conseguia encontrar uma lacuna entre as grades que cercavam o campo e conseguia ver o neto a jogar. Era a pessoa que provavelmente estava mais feliz quando me estreei pela equipa principal do Benfica. Por vezes, hoje, quando vai para o hospital, veste a minha camisola. Ele está muito orgulhoso do que eu consegui. Quando penso no que ele fez por mim, penso que um dia serei um avô, se tudo correr bem, e para mim tomar essa atitude com o meu neto significa muito», expressou.

Curiosamente, antes de se tornar num especialista a ‘impedir’ golos, Rúben Dias queria marcá-los: no início, quando representava o Estrela da Amadora, entrava em campo como avançado. Contudo, o seu treinador começou a notar a sua postura de líder e a forma como se destacava no trabalho defensivo. «Acho que aconteceu naturalmente porque apesar de querer marcar golos, queria mais ganhar o jogo», explicou, recordando. «Houve um jogo em que a minha equipa estava a sofrer um pouco e eu acabei por correr por todo o lado. Estava a tentar falar com todos, a tentar organizá-los e a fazer com que todos corressem juntos. Então, a dada altura, o treinador disse: ‘Rúben, vai lá para trás e vamos continuar assim’. E desde então, nunca mais saí», recordou.

E falou de liderança, ele que é um dos capitães do Man. City. «Acredito que as pessoas certas para liderar já nascem com isso. Nunca tentei outra coisa que não seja ser quem sou. Quando cheguei à primeira equipa do Benfica, eles não gostaram muito porque eu era muito jovem», lembrou. O tempo, porém, deu-lhe razão e seria alvo dos elogios de Luisão e André Almeida. «Foi especial ouvir isso da parte deles. Quando me juntei à primeira equipa, a reação deles foi um pouco: ‘o que é que este tipo está a fazer?’ Mas no final reconheceram que eu era assim.»

A menos de um mês do arranque do Mundial, o internacional português assumiu o desejo de vencer a competição: «É provavelmente o troféu mais especial para levantar. Sonho com isso, mas tento não pensar muito no assunto. Tento pensar mais sobre o que terá de acontecer para que isso se concretize. Temos uma equipa muito boa, temos jogadores muito bons, mas trata-se de como esses jogadores podem trabalhar em conjunto.»

Por fim, Rúben Dias falou sobre os negócios. O defesa do Man. City conta com dois consultores que o ajudam a gerir as economias e os investimentos e a planear o futuro. Por isso, mostra interesse no ramo imobiliário e mercados financeiros. «Sempre fui muito consciente de que, embora esteja tudo a correr muito bem e agora tenha um mundo de possibilidades, com as decisões erradas, tudo se pode perder. E pode acontecer depressa», vincou, assumindo ainda uma atenção especial à sustentabilidade e ao meio-ambiente: «O planeta precisa de pessoas que queiram tomar conta dele. E, obviamente, esse é um dos meus objetivos. Sou uma pessoa que tem uma certa visibilidade e quero tentar usá-la da melhor maneira possível. Não se trata apenas de garantir o meu futuro. Trata-se também de garantir que chego a um certo nível em que também serei capaz de me dedicar a este tipo de causas.»

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