Fernando Pimenta foi a voz da ambição por mais medalhas e falou da importância do Benfica

As medalhas conquistadas por Fernando Pimenta a nível internacional, ao longo da carreira, já são mais de 120. Após mais dois títulos mundiais, arrecadados em casa, Ponte de Lima, no Mundial de maratonas, entre 26 de setembro e 2 de outubro, o canoísta do Benfica deixou em entrevista à BTV a certeza de uma ambição infindável, com olhos postos no ouro olímpico que lhe falta.

Aos 33 anos, Fernando Pimenta explicou o que sente nos momentos de vitória, de tristeza, as dificuldades e agruras inerentes à prática desportiva em Portugal, na canoagem em particular. A falta de apoios, as ausências dos momentos particulares em família ou com os amigos, assim como o papel do Benfica, de quem o defende e ama, foram destacados igualmente por um dos ícones atuais do desporto luso.

UMA ÉPOCA MARCANTE

“Esta época foi fantástica! Consegui vitórias individuais e coletivas, na primeira Taça do Mundo venci o K1 1000 metros, a minha prova de eleição; venci com o João Duarte, atleta do Benfica, também uma medalha de ouro em K2 1000 metros; depois fui segundo nos 5000 metros, passado uma semana consegui as quatro medalhas de ouro no mesmo dia e na mesma edição da Taça do Mundo, uma delas com a Teresa Portela, também ela canoísta do Benfica. No Mundial saí com medalhas, mas podia ter sido melhor. Todas as medalhas são importantes e têm peso. Procurei fazer coisas diferentes nesta época, achei desafiante fazer mais provas. A adrenalina das provas torna-se desafiante, ouvir as pessoas dizerem que é impossível, e depois de o fazer poder afirmar que está feito. Neste ano arrisquei muito, mas faria tudo igual!”

Fernando Pimenta

OURO OLÍMPICO NA MIRA

“Sou um atleta realizado, tenho uma família estável que me apoia em tudo, uma carreira desportiva de que me posso orgulhar. Falta-me uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos e uma no Europeu, onde já conquistei quatro de prata. Com o tempo e a idade, desfruto cada vez mais do processo e do desenrolar da prova. Tenho sido consistente nos resultados, tenho conseguido estar à tona. Penso num ano sabático após os Jogos Olímpicos 2024, isto para me dedicar à família.”

“Falta-me uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos e uma no Europeu, onde já conquistei quatro de prata. […] Tenho sido consistente nos resultados”

Fernando Pimenta

PORTUGAL E O DESPERDÍCIO DE TALENTO

“Portugal está muito aquém das suas potencialidades máximas. Além do apoio que devia existir aos atletas, ao desporto escolar, estamos muito aquém do que podemos fazer. Perdemos muitos jovens talentos porque não há projetos de apoio. O orçamento de Estado para o Desporto é reduzido. Quando olhamos para Espanha, por exemplo, como é que nós podemos competir quando temos um orçamento na ordem de 30 milhões de euros e os espanhóis mil milhões por ano? Em Itália pagam 250 mil euros por uma medalha olímpica, há países como o Azerbaijão que pagam quase um milhão de euros… E os nossos medalhados olímpicos? Não sabemos o que é feito deles! É complicado o exemplo que se dá às gerações futuras. Abdiquei da minha vida pessoal em prol da profissional, mas tenho a noção que é tudo efémero.”

Fernando Pimenta

CLUBES TÊM POUCO RECONHECIMENTO

“Os clubes não são reconhecidos junto das federações. Estas começam a perceber que o Benfica estar nas modalidades só é benéfico para as mesmas, ajuda a profissionalizar um atleta, pois um clube apoia com coisas que as federações não conseguem. Falta esse reconhecimento. No momento em que o Benfica disser ‘vamos terminar o Projeto Olímpico’ não é só o Benfica que vai perder, mas o desporto nacional. Muitos atletas que têm estabilidade emocional e financeira acabavam por procurar outras soluções. Os resultados aí começavam a cair a pique. Isso tem de ser melhorado, criar um mecanismo de apoio em que os clubes, os privados, tenham algum benefício por apoiarem uma modalidade. Faltam referências, que tenham sido atletas, que estejam em lugares de destaque no desporto, nomes como Rosa Mota, Carlos Lopes ou Fernanda Ribeiro, alguém que tenha vivido o desporto… É preciso ter essas pessoas como conselheiros. Neste momento, o presidente da Federação de Canoagem de Espanha foi um colega meu de treinos, está a tentar revolucionar a canoagem lá.”

Fernando Pimenta

A CATEDRAL E O APOIO DOS BENFIQUISTAS

“[Entrar no Estádio da Luz para ser homenageado pelos adeptos] É como se fosse a primeira vez a pisar um palco ou um pódio. É sempre um friozinho na barriga. Depois, quando as pessoas se levantam e ovacionam, é a perna a tremer e o coração a disparar. Tento estar sempre o mais informado possível, tento acompanhar todas as modalidades, sejam coletivas ou individuais. O Benfica tem este ecletismo, nas mais diversas modalidades. É um prazer imenso poder trocar experiências com atletas de outras modalidades. Ainda na última Gala Cosme Damião tive oportunidade de falar durante muito tempo com a Joana Soeiro [capitã da equipa feminina de basquetebol], com o Pedro Pablo Pichardo [campeão olímpico, mundial e europeu do triplo salto] ou com Marcel Matz [treinador da equipa de voleibol]. Quando podemos falar e conviver, trocar experiências e motivações, conseguimos crescer como profissionais e pessoas. Foco-me no que gosto, nas equipas, e em apoiar as nossas equipas.”

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