Antigo craque dos Reds alerta que é preciso o máximo respeito e jogar a 110% contra o Benfica

“Respeito” – é esta a palavra que Alan Kennedy, histórico lateral-esquerdo do Liverpool que ergueu duas Taças dos Campeões Europeus (1980/81 e 1983/84) nas oito temporadas ao serviço do clube, elege antes de ver os seus reds entrarem em campo para o embate dos quartos de final da Liga dos Campeões frente ao Benfica. “Nunca há jogos fáceis neste tipo de competições”, atirou, em entrevista exclusiva ao Site Oficial.

Essa perspetiva vem de tempos idos e perfila-se na memória do antigo atleta, hoje com 67 anos, sustentada também pelo que conheceu do Benfica, quando defrontou as águias em quatro ocasiões, referentes a duas eliminatórias da antiga Taça dos Clubes Campeões Europeus.

“Joguei com o Benfica em 1983/84 e 1984/85, sempre julguei ser uma equipa difícil de bater. O Benfica deve manter-se de forma similar, mesmo que os jogadores não sejam os mesmos. Penso sempre numa equipa que pretende jogar bom futebol“, atirou a glória do Liverpool.

Alan Kennedy

Será que a cautela das primeiras palavras é dissonante face à ideia generalizada, antes do sorteio do alinhamento dos quartos de final da Liga dos Campeões, de que o Benfica seria uma das melhores equipas para se defrontar, após ter eliminado o Ajax?

Nunca há sorteios fáceis neste tipo de competições. Há sempre muitas equipas de qualidade, e o Benfica também é. É normal que se possa pensar no Liverpool como favorito, tal como toda a gente, que está tudo um pouco nas mãos do Liverpool e na forma como vão jogar. Há muitas equipas de qualidade, como havia há 40 anos. O Benfica tinha qualidade e agora também tem. É preciso respeitar“, reforçou.

Talvez seja preferível jogar frente ao Benfica do que perante o Manchester City ou Bayern Munique, mas o Benfica continua a ser uma equipa de qualidade. Quando joguei, sempre tive respeito pela equipa adversária, mesmo quando não conhecíamos muito bem os adversários. Mas hoje em dia toda a gente conhece as outras equipas, os jogadores adversários, é mais fácil agora do que antigamente”, afiançou o antigo defesa.

Liverpool-Benfica, 2006

O que se passou em 2006 é aviso

Alan Kennedy estava em campo no Estádio da Luz quando, a 7 de novembro de 1984, o Benfica venceu pela primeira vez o Liverpool, após cinco derrotas em outros tantos confrontos, na época por 1-0 (golo de Manniche), resultado que não chegou para dar a volta a uma derrota por 3-1 na 1.ª mão da 2.ª eliminatória da Taça dos Campeões Europeus.

Mas em 2006, quando as águias venceram dois jogos nos oitavos de final da Liga dos Campeões aos então campeões europeus, o antigo lateral estava na bancada de Anfield, onde viu os golos de Simão Sabrosa e Miccoli.

Liverpool-Benfica, 2006

“Recordo-me desses jogos [disputados em 2006]. Quando se fala do Benfica, lembro-me sempre do modo como jogam e jogaram. Tem um bom futebol”

Alan Kennedy, antigo jogador do Liverpool

Foi um exemplo do que o Liverpool não pode fazer. “Recordo-me desses jogos [disputados em 2006]. Quando se fala do Benfica, lembro-me sempre do modo como jogam e jogaram. Tem um bom futebol. Se trabalhas, consegues resultados. O Liverpool trabalha muito, tem um bom sistema. O Liverpool tem um excelente lote de jogadores, só precisa de ter a atitude certa, que tem tido. Se não for assim o Benfica pode passar“, exclamou, recordando-se igualmente dos tempos de “Bento, Diamantino, Chalana e Nené”.

Benfica-Ajax 1.ª mão oitavos final Champions

Os adeptos “fanáticos e patrióticos”

Recuando aos anos 1980, Alan Kennedy puxou do antigo colega no Liverpool e treinador do Benfica (nas épocas 1997/98 e 1998/99), Graeme Souness, para revelar marcas deixadas pela paixão benfiquista.

“Souness foi treinador do Benfica, sim. Foi uma boa experiência para ele. Mas os adeptos são muito patrióticos, às vezes são mais que patrióticos, são fanáticos, o futebol é o seu mundo, é assim com o Benfica como com o Liverpool. Os adeptos querem sucessos em todas as competições. Eu vi isso! Já estive aí! Querem sucesso já e não daqui a um ano ou a dez anos! Por isso digo que vai ser aberto, não digo que o Liverpool vá vencer por três ou quatro golos! Têm de fazer as coisas bem para seguir em frente”, frisou.

Ian Rush

“O Benfica joga sempre para ganhar. Em 1983/84, quando vencemos por 1-0 em casa, depois ganhámos em Lisboa por 1-4, porque tivemos o respeito que o Benfica merecia”

Alan Kennedy

Alan Kennedy, assente na base da necessidade de ter “respeito”, argumenta que o Liverpool tem de jogar a “110 por cento” frente ao Benfica.

As pessoas podem pensar que o Liverpool vai ter facilidades, mas nunca se deve pensar assim nesta competição, senão isso derrota-nos! É preciso jogar bem, ou tentar, em todos os jogos, seja em casa como fora. É preciso começar a vencer lá atrás, sem sofrer golos. O Benfica joga sempre para ganhar. Em 1983/84, quando vencemos por 1-0 em casa, depois ganhámos em Lisboa por 1-4, porque tivemos o respeito que o Benfica merecia. É preciso jogar a 110 por cento! Jogar a 100 por cento não chega, é preciso mais. O Liverpool sabe disso e joga um bom futebol. Tem tido resultados correspondentes. Em dois jogos o Liverpool é um pouco mais forte, mas o Benfica é uma boa equipa e, para mim, será sempre uma eliminatória disputada. Têm bons jogadores”, enalteceu.

Diogo Jota

Manchester City “não tira o foco”

Não se pense que o calendário poderá dar folga à mente de Jürgen Klopp e dos seus jogadores, mesmo que os desafios ante o Benfica surjam a par dos duelos frente ao Manchester City de Ederson, João Cancelo, Rúben Dias e Bernardo Silva, para a Premier League e Taça de Inglaterra.

O Liverpool não vai pensar no Manchester City. Klopp tem feito um excelente trabalho, é muito bom a manter a equipa junta e focada. Ele não comete muitos erros, o Liverpool tenta sempre fazer as coisas de forma diferente. Não irá mudar a sua atitude em qualquer jogo. Claro que tem o Manchester City, mas quando era jogador, quanto mais jogos jogássemos, melhor. Hoje em dia também é assim. Os jogadores querem estar nos grandes jogos, querem os jogos da Liga dos Campeões, os jogos com o Manchester City. Podem não ganhar todos os jogos, mas pretendem ter as melhores oportunidades para vencer o jogo. Toda a gente quer jogar bem na Europa”, lembrou.

Diogo Jota

“Os jogadores querem estar nos grandes jogos, querem os jogos da Liga dos Campeões. Podem não ganhar todos os jogos, mas pretendem ter as melhores oportunidades para vencer o jogo. Toda a gente quer jogar bem na Europa”

Alan Kennedy

Até porque, reforçou Alan Kennedy, sente-se um ambiente “vencedor” em torno da equipa inglesa, que já ergueu a Taça da Liga, frente ao Chelsea, no desempate na marcação de grandes penalidades. “Podem ganhar tudo este ano, mas também podem perder tudo! Já ganharam a Taça da Liga inglesa, acredito que seja o início para uma época de sucesso, de algo especial. A atitude dos jogadores é muito importante, e do treinador, ambos têm tido essa atitude”, disse, deixando elogios a dois jogadores que os Benfiquistas conhecem bem, casos de Diogo Jota e Luis Díaz.

Diogo Jota é um jogador importante, que tem aproveitado todas as oportunidades, agarrou-as todas. Tem sido brilhante, não sabemos qual é a sua melhor posição, se como avançado, extremo ou até médio. É um jogador muito inteligente e tem estado muito bem. Estou impressionado com ele. Também há Luis Díaz, que é excelente, adaptou-se bem à forma de jogar em Inglaterra. Mas os jogadores do Liverpool querem ganhar todos os jogos, desde o Van Dijk ao Henderson, Fabinho, Mané ou Salah“, concluiu.

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