Ricardo Gomes não tem dúvidas que Lucas Veríssimo terá vida longa no escrete

Ricardo Gomes, 57 anos, é uma lenda dos encarnados e faz parte da magnífica coleção de craques canarinhos que chegou a Portugal para reluzir Luz no final dos oitentas, a par de Mozer, Aldair e Valdo. O antigo central, agora observador da CBF, escolhido por Tite para transmitir relatórios de potenciais adversários do Brasil no Mundial, regressando amanhã ao Dragão para somar mais uns apontamentos sobre o Portugal-Macedónia do Norte. Ricardo Gomes apalpou a realidade encarnada e uma época algo cinzenta, marcada pelo fracasso de Jorge Jesus.

«Tudo o que acontece fora do campo influencia dentro de campo. Quando se fala de um grande como o Benfica, tudo o que se passa nos bastidores vai gerar algum tipo de efeito. Pode não ser imediato, mas é algo que vai existir, porque esteve ganhando raízes. Vai acabar por afetar o balneário. O Benfica passou por isso, está, agora, a recuperar», argumenta.

«Não estive muito atento aos jogos e exibições do Benfica, mas vi muito bem este último jogo europeu com o Ajax. Pela importância do encontro, pelo resultado, foi um jogo que deu grande ânimo aos jogadores e adeptos. Todos precisavam de um momento assim. Agora vamos ver o Liverpool, num patamar bem acima. A diferença é que as equipas inglesas estão habituadas a jogos grandes todas as semanas, bem acima de outros campeonatos. É algo enraizado, bons hábitos instalados, mas o Benfica é o Benfica! Pode sonhar», avisa Ricardo Gomes, destacando as individualidades que podem atenuar um expectável desnível.

«Do que vi até agora há um Rafa que é um jogador fantástico. Mas o Benfica tem um ataque muito interessante, o uruguaio Darwin é muito bom. Achei o meio-campo aguerrido, só não tão bom como o de Portugal. E claro, houve esse grande azar com a lesão do Lucas Veríssimo», lamenta Ricardo Gomes, focando-se no grande achado do Benfica para a defesa, vindo do Santos. Lucas Veríssimo impressionou muito, tomou lugar de estaca e já leva 5 golos em 35 jogos pelas águias. Ricardo não duvida do potencial e define expectativas altíssimas.

«Cheguei a falar com um diretor do Santos e sempre soube que existiam vários clubes europeus em cima do Lucas. Estava na forja um grandíssimo central e o Benfica fez uma grande escolha. Infelizmente teve essa lesão, mas todos sabemos que é um jogador que vai ter carreira longa na seleção», sublinha.

«Tem boa leitura de jogo, muita velocidade e boa técnica, coisas que são necessárias para se jogar no Benfica. Sei que o Mozer disse que era parecido comigo, mas eu respondo que é muito mais a cara do Mozer. Ficou com essa fama de duro, mas o Mozer tinha uma técnica brutal», explica.

Ricardo Gomes encerra a carreira no Benfica em 1995/96, regressando a Portugal após quatro temporadas de sucesso no Paris-SG. O defesa preenche a sua passagem pelas águias com 140 jogos e 26 golos, um total de quatro épocas..

«Foram várias amizades construídas num grande balneário. Tive grandes treinadores como Toni e Jesualdo. Muitos companheiros que recordo, foi muito bom ter reencontrado no Dragão Paulo Madeira, Dimas e José Carlos. No coração está a massa adepta do Benfica. Foram quatro anos que me possibilitaram três títulos e, infelizmente, uma final perdida da Taça dos Campeões», observa.

«Saí do Brasil em 1988 e não tinha ideia do que ia encontrar, não sabia onde ia chegar. Não havia internet, nem havia informações mínimas. Era o Benfica do Eusébio, era o que se sabia! Mais os títulos dos sessentas, a supremacia nacional. Percebo que é muito mais que Eusébio, encontro Chalana e Diamantino. Tenho o Valdo a meu lado, um amigo até hoje. Faço dupla com Mozer, depois Aldair e ainda William. Mais tarde já era uma realidade diferente, formei defesa com Paredão e King», desfia, curiosamente um professor de Nélson Veríssimo em 1995, quando o agora treinador do Benfica subiu ao plantel principal.

«Lembro bem, era um rapaz bem quieto, sei que fez boa carreira, mas não acompanhei», afirma, mergulhando no contexto da chamada ao leme.

«Ele chegou num momento de substituição do Jesus, um técnico experiente com história feita em Portugal e fora de Portugal. Foi uma coisa de bastidores e não era fácil. Mas o Veríssimo aparece já com o Rui Costa e, juntando estes elementos, faz pensar que as coisas vão ser diferentes. Toda a sorte para eles. Sou um grande admirador do Rui, ainda não conheço o Rui presidente, a última vez que falei com ele foi em 2013. É um perfil interessante e parto de algumas leituras», avisa.

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