Benfica divulga parte do segredo para o sucesso na formação até à idade sénior

O ponto nevrálgico na conclusão do percurso formativo de um jovem atleta é a transição para o profissionalismo, nomeadamente para a equipa A do SL Benfica.

Este processo foi objeto de uma reportagem do jornal “A Bola”, onde alguns dos principais intervenientes, desde o diretor técnico do Futebol de Formação, Pedro Marques, aos técnicos das equipas B (António Oliveira), de Sub-23 (Luís Castro) e de Juniores (Luís Araújo), revelaram alguns dos segredos do derradeiro patamar da formação benfiquista, determinante para o lançamento sustentado de jovens jogadores no futebol de elite.

As condições únicas oferecidas pelo Benfica e proporcionadas a todos os seus jovens atletas inseridos nas dinâmicas de três equipas distintas (Bês, Sub-23 e Juniores), que partilham objetivos comuns em termos formativos em quatro espaços de competição (Liga 2, Liga Revelação, Campeonato Nacional Sub-19 e Youth League), são pressupostos subjacentes a todo um projeto, amplamente reconhecido a nível nacional e mundial, em que o objetivo é possibilitar níveis competitividade elevados a jogadores com idades precoces, como forma de acelerar o seu crescimento, assim como proporcionar variedade de experiências em treino e em competição.

Cher Ndour

Neste processo estão envolvidos 88 jogadores2 seniores (até 1998), 12 Sub-2310 Sub-2116 Sub-2019 Sub-1917 Sub-1810 Sub-17 e 2 Sub-16. O escalão mais representado é o de Juniores (Sub-18 e Sub-19).

Dezassete é o número de jogadores que disputaram três ou quatro competições nesta época (17): Diogo Spencer, Cher Ndour, André Gomes, Nuno Félix, Ricardo Marques, Diego Moreira, Martim Neto, Rodrigo Matos, Luís Semedo, Tomás Araújo, Rafael Rodrigues, João Neto, João Resende, Pedro Santos, Martim Ferreira, João Neves e Hugo Félix.

O diretor técnico do Futebol de Formação, Pedro Marques, deu conta das particularidades desta gestão.

“É um processo complexo. São três equipas deste espaço de transição para o profissional, que também estão sob visibilidade da equipa A. É um contexto único em Portugal no patamar em que estamos. É complexo, mas diferencia-se pela relação das equipas técnicas. A missão é formar jogadores, que partilham o contexto, isso envolve muito planeamento e solidariedade entre todos. Envolve também a disponibilidade dos jogadores”, frisou o diretor.

Pedro Marques

“São três equipas deste espaço de transição para o profissional, que também estão sob visibilidade da equipa A. É um contexto único em Portugal”

Pedro Marques, diretor técnico do Futebol de Formação

António Oliveiratreinador da equipa B, explicou que a premissa “é sempre vencer”. “Sabemos que a equipa B é a antecâmara da equipa principal, tem um contexto mais competitivo. A interligação, com o elevador que existe entre as equipas, havendo uma boa comunicação e coordenação, tudo se faz. Temos de ter algum jogo de cintura, jogar também com a equipa principal. Na manta, que é curta, podemos ter de adaptar-nos e ajustarmo-nos uns aos outros. Todos representamos o Benfica e sabemos os valores pelos quais o Clube foi construído. Temos de colocar esses valores do Benfica acima de tudo. Queremos que os jogadores saiam bem preparados, pretendemos equipas competitivas para que o Benfica consiga atingir os objetivos individuais e coletivos“, reforçou.

O desígnio de formar a vencer também está presente na equipa que atua na Liga 2, pese o reconhecimento da elevada competitividade da prova por parte de António Oliveira: “Treino um grupo de jogadores muito inteligente, ajustam-se rapidamente, sabem que é ténue a linha que os distingue da formação para a equipa principal, ainda que no contexto competitivo joguem contra homens, contra boas equipas. Sinto que podem conseguir a melhor classificação de sempre de uma equipa B do Benfica na Liga 2.”

A comunicação e os interesses do Clube como prioridades em todo o processo foram igualmente destacados por Luís Castro, responsável pela equipa Sub-23. “O Benfica está sempre em primeiro lugar. A comunicação entre todos e a organização é essencial. Temos jogadores que participam em mais do que um grupo por ano. Eles [atletas] podem passar pelos grupos, mas se temos uma decisão sobre um jogador, ele passa para esse grupo durante essa semana. Por isso é que existe essa organização”, apontou.

António Oliveira

Luís Araújo, à frente da formação de Juniores, apontou as vantagens e desvantagens da mobilidade competitiva dos atletas.

Procuramos antecipar cenários, sempre com comunicação entre as equipas técnicas. Os jogadores estão avisados. Fazemos reuniões regularmente, todas as semanas, com as três equipas e diariamente estamos sempre em contacto, é uma dinâmica habitual. O mais importante para nós é olhar para o jogador e ver qual é o melhor contexto para que cada um desenvolva as suas competências. O plano e a ideia de jogo são muito idênticos entre as três equipas. A grande vantagem é que conseguimos ajustar o nível de competências em treino e jogo para cada um dos jogadores. Por vezes existem alguns percalços, as dinâmicas coletivas às vezes não são tão cimentadas, nem sempre são sólidas, mas ganhamos desenvolvimento individual, que é o pretendido. É importante que os jogadores consigam ajustar-se e adaptar-se a várias formas de jogar. O nosso jogador adapta-se e percebe o jogo. Enfrentam diferentes estilos de liderança, discurso. Tentamos ter uma ideia e comunicação uniformizada, mas os treinadores são diferentes. Isto ajuda os jogadores“, rematou.

“Com o elevador que existe entre as equipas, havendo uma boa comunicação e coordenação, tudo se faz. Temos de ter algum jogo de cintura”

António Oliveira, treinador da equipa B

Os jogadores, esses, percebem o contexto e sabem que aposta do Clube na formação é consistente e contínua. “Sentem que procuramos dar o melhor contexto para poderem crescer, jogam sempre pelo Benfica e com o desafio de ganhar. A dificuldade é tentar ligar toda a gente, mas o staff e os jogadores estão todos nesta dinâmica. É a única forma de permitir um contexto de competição para todos”, afiançou Pedro Marques.

Luís Castro

Os números sustentam as palavras, demonstrando o fluxo constante de atletas entre as três equipas na procura de potenciar a evolução dos atletas. Olhando, desde logo, para a equipa B, atualmente nos primeiros lugares da Liga 2 e com ambição de lutar pela sua conquista até ao final da mesma, já foram utilizados 37 jogadores na presente temporada, e dez deles foram estreias absolutas, casos de Pedro Santos, Diego Moreira, Nuno Félix, Luís Semedo, Leo Kokubo, Henrique Pereira, Gerson Sousa, João Neto, João Resende e Diogo Capitão. Nada que esteja a impedir que as jovens águias se constituam como o melhor ataque na competição.

Nos Sub-23, por exemplo, o Benfica assegurou a passagem à fase de apuramento de campeão em primeiro lugar, com o melhor ataque (27 golos) e a melhor defesa (oito golos sofridos), tendo estreado 12 atletas neste patamar competitivo: Martim Ferreira, Franculino Djú, Nuno Félix, Rodrigo Matos, João Neto, João Neves, Zan Jevsenak, Mauro Ribeiro, Ricardo Nóbrega, Gabriel Araújo, Francisco Domingues e André Gomes. No total, Luís Castro utilizou 38 jogadores, sendo João Tomé, Adrian Bajrami, Luís Semedo e António Silva os mais solicitados.

Luís Araújo

“É importante que os jogadores consigam ajustar-se e adaptar-se a várias formas de jogar. Os nossos jogadores adaptam-se e percebem o jogo. Enfrentam diferentes estilos de liderança, discurso”

Luís Araújo, treinador dos Juniores

No que concerne à equipa de Juniores, que lidera a fase final de apuramento de campeão nacional, onde já bateu o FC Porto e Sporting, após ter terminado a 1.ª fase (Série Sul) na frente com 53 pontos e o melhor ataque com 78 golos, o Benfica promoveu a estreia de 22 jogadores provenientes do escalão inferior, tendo como mais utilizados José Marques, Ricardo Nóbrega e Hugo Félix.

Vários destes atletas representam o Clube na UEFA Youth League, prova em que o Benfica já está apurado para os quartos de final. E aqui, neste patamar competitivo de excelência, na presente edição o Glorioso soma seis vitórias e uma derrota, um saldo de 17 golos marcados e seis sofridos.

António Oliveira, Luís Castro e Luís Araújo

Neste percurso já foram utilizados 23 jogadores, 19 deles estreantes e oito ainda são Sub-18Tomás Araújo é um dos que estiveram presentes nos sete jogos disputados, fazendo já parte do plantel A do Benfica. Outro jogador que se estreou na equipa A, Henrique Araújo também participou na presente campanha na Youth League, concretamente no jogo dos oitavos de final frente ao Midtjylland (2-3).

E aqui a ambição do Benfica é grande: procurar vencer pela primeira vez a prova, onde já foi finalista vencido em 2013/14 (Barcelona), 2016/17 (Salzburgo) e 2019/20 (Real Madrid). Pedro Marques explicou como o Benfica olha para esta prova. “É uma competição de elite Sub-19 onde queremos estar pela vertente desportiva, pois sabemos que é um bom estímulo de desenvolvimento para os jogadores. É sair do contexto nacional. Os jogadores são desafiados contra os melhores. Temos de ter coordenação entre todas as equipas em termos de calendário. Vencer será o resultado do processo. Temos uma geração muito competitiva, esperamos conseguir chegar à final four. É um objetivo desportivo que tem de vir sempre ligado à promoção dos jogadores”, disse.

Pedro Marques

“A exigência no Benfica é sempre máxima, foi com o anterior Presidente e é agora com Rui Costa, que conhece muito bem o contexto da formação. Puxa-nos para cima no dia a dia, mesmo num dia ou outro mais difícil, para tentarmos entregar mais jogadores à equipa A”

Pedro Marques, diretor técnico do Futebol de Formação

O diretor técnico reforçou a exigência competitiva e a aposta do Clube na formação. “A exigência no Benfica é sempre máxima, foi com o anterior Presidente e é agora com Rui Costa, que conhece muito bem o contexto formação. Puxa-nos para cima no dia a dia, mesmo num dia ou outro mais difícil, para tentarmos entregar mais jogadores à equipa A. Temos condições únicas em Portugal e das melhores do mundo, por isso não podemos pedir muito mais do que aquilo que o Clube nos oferece. Temos de assumir a responsabilidade do desafio”, sublinhou.

O técnico Luís Castro colocou ênfase na consistência do processo formativo do Benfica, relembrando que o lema “formar a ganhar” é transversal a todas as equipas do Clube. “Na UEFA Youth League em todos os anos os grupos são novos, mas estar, caso do Benfica, quase todos esses anos nas fases finais é resultado de um trabalho muito complexo que é muito bem feito. Desde a última edição só se mantêm duas equipas que estiveram nos quartos de finais. Os jogadores estão habituados a lutar para vencer em todas as provas. Mas com apenas um jogo é mais complicado”, anotou.

Luís Castro

“Na UEFA Youth League, em todos os anos, os grupos são novos, mas estar, caso do Benfica, quase todos esses anos nas fases finais é resultado de um trabalho muito complexo que é muito bem feito”

Luís Castro, treinador da equipa Sub-23

Jogadores sentem o crescimento nas pernas e… na mente

E os jogadores? Qual o seu entendimento sobre a permuta nos diferentes escalões? Ora, Cher Ndour, médio italiano de 17 anos que já representou o Benfica na presente época na Liga Revelação, Liga 2 e na UEFA Youth League, vê nesta simbiose uma ajuda “importante” no seu processo evolutivo.

O Benfica oferece a oportunidade de jogar em vários escalões. Estou na equipa B, onde disputo um campeonato muito difícil, intenso, em que as equipas são muito fortes. Também jogo a UEFA Youth League, e o Benfica quer ganhar a competição. É uma oportunidade para jogar contra as melhores equipas a nível europeu. Isto só ajuda o jogador: um dia treinas com os Sub-23, no dia a seguir na equipa B, com um treinador e jogadores diferentes. Uma intensidade diferente. Quando cheguei tinha 16 anos e já jogava com atletas de 20, 21 anos. Inicialmente foi difícil a nível físico, mas agora estou bem graças à equipa e forte fisicamente. Acho que sou uma aposta, mas o Benfica dá oportunidades a todos, a quem merece“, afiançou o mais jovem jogador de sempre a jogar pelo Benfica B na Liga 2 e a marcar na competição.

Cher Ndour

“O Benfica oferece a oportunidade de jogar em vários escalões. Acho que sou uma aposta, mas o Benfica dá oportunidades a todos, a quem merece”

Cher Ndour, médio de 17 anos

Nuno Félix, médio de 17 anos com sete temporadas ao serviço do Clube, ele que iniciou o seu percurso no Centro de Formação e Treino do Algarve (proveniência de Gonçalo Ramos e Diogo Gonçalves), contabilizou até ao momento minutos em quatro provas distintas (Liga 2, UEFA Youth League, Liga Revelação e Campeonato Nacional de Juniores), uma “mais-valia” na sua formação, reforçou.

É uma mais-valia, para os jogadores, atuarem em várias equipas e competições diferentes, terem treinadores com maneiras de pensar diferentes. Se queremos ser jogadores temos de conseguir essa adaptação. Jogar com atletas mais velhos foi fundamental no meu crescimento em termos físicos, táticos, de velocidade e intensidade no jogo. Trabalho para jogar em qualquer uma das equipas, vou sempre com a mesma mentalidade e dou sempre o meu máximo. Espero um dia jogar na equipa principal do Benfica”, desejou.

Nuno Félix

“Jogar com atletas mais velhos foi fundamental no meu crescimento em termos físicos, táticos, de velocidade e intensidade no jogo. Trabalho para jogar em qualquer uma das equipas, vou sempre com a mesma mentalidade e dou sempre o meu máximo”

Nuno Félix, médio de 17 anos

João Tomé, lateral-direito que evolui igualmente como extremo, a cumprir a 11.ª época de Benfica nos seus 19 anos de idade, é o jogador do Clube com mais jogos na Liga Revelação e vê três equipas “com plantéis muito fortes” capazes de corresponder às expectativas criadas, sobretudo na Europa.

“Quando há jogos da UEFA Youth League atuamos com uma junção de três equipas. Temos feito uma grande caminhada e isso mostra o trabalho que tem sido realizado. As três equipas têm estímulos diferentes umas das outras, mas, quando juntamos tudo, temo-nos encaixado bem. Temos uma geração muito forte. Temos todas as condições necessárias para atingir o objetivo de vencer”, concluiu, opinião essa partilhada por Nuno Félix: “É a ambição do Clube, ganhar todos os títulos em que estamos inseridos.”

João Tomé

“Quando há jogos da UEFA Youth League atuamos com uma junção de três equipas. […] Temos uma geração muito forte”

João Tomé, lateral-direito/extremo de 19 anos

Já Cher Ndour apontou: “Temos uma equipa muito forte, completa e competente em todos os setores. Se continuarmos juntos e unidos podemos chegar a esse grande objetivo, de vencer. A equipa B num bom momento de forma ajuda-nos a chegar à equipa principal, que é o objetivo de todos. Um jogador tem de ser o mais completo possível, quando cheguei era o mais fraco defensivamente e precisava de evoluir fisicamente. Tenho conseguido.”

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