Penalties decidem Taça da Liga a favor das arsenalistas depois do nulo nos 120 minutos

Benfica disputou, nesta noite de quarta-feira, a final da Taça da Liga de futebol feminino frente ao SC Braga. Nulo no tempo regulamentar, nulo no prolongamento, foi decidido nas grandes penalidades e o triunfo foi para as arsenalistas, mais eficazes e assertivas (2-3).

Noite de emoções em Santa Maria da Feira, com o Estádio Marcolino de Castro a ser palco do embate entre SL Benfica e SC Braga na partida de atribuição da Taça da Liga 2021/22.

As Inspiradoras, campeãs nacionais em título e atuais líderes da classificação da Liga BPI, procuravam a sua terceira Taça da Liga consecutiva, do outro lado uma formação arsenalista em busca de erguer o troféu pela primeira vez na sua história…

Reunidos todos os ingredientes para um desafio que começa já a ser um clássico no futebol feminino, e as expectativas não foram goradas.

Sílvia Rebelo, Benfica

Apito inicial da árbitra Filipa Cunha e os dez primeiros dez minutos trouxeram várias oportunidades em ambas as balizas. As arsenalistas dispuseram de um bom lance por intermédio de Andreia Rute e também de um livre batido por Andreia Norton; do lado das águias, Cloé Lacasse, servida por Francisca Nazareth, ofereceu a Patrícia Morais a primeira grande defesa do duelo!

Jogo intenso, aberto, dinâmico, com as duas formações a discutirem a partida olhos nos olhos e com momentos de espetacularidade e muita entrega. Myra Delgadillo, no coração da área, cabeceou ao lado das redes à guarda de Katelin Talbert; na resposta, Pauleta disparou forte, mas o esférico acabou bloqueado.

Após um arranque repartido, com algum ascendente das arsenalistas, o Benfica não tardou em pegar no jogo e começou a superiorizar-se, quer ao nível de posse bola, quer ao nível de oportunidades. Ana Vitória (16′) rematou forte, Cloé Lacasse seguiu-lhe o exemplo (18′), mas a guardiã adversária mostrou predicados e disse “não”.

Mais Benfica ainda a partir dos 20′, com as águias a estabilizarem o seu jogo e a fazê-lo como gostam, de forma pensada, estruturada e organizada, isto perante um Braga mais vertical… mas muito perigoso!

Francisca Nazareth, Benfica

Aos 24′, sacudidela na pressão encarnada, com Carolina Mendes a disparar para defesa de Katelin Talbert, com Sílvia Rebelo a limpar o lance para canto… Mais uma bola parada e mais uma oportunidade, desta feita com Anouk Dekker a cabecear forte e a ver a trave a devolver o esférico.

Meia hora, momento de pausa para assistir Jéssica Silva, e analisando até à altura, muito futebol, do bom, jogado perante 2744 espectadores.

Recomeço e Cloé Lacasse deu o mote mais uma vez, mas o remate saiu fraco; depois, Francisca Nazareth cruzou de forma viperina e, na ressaca do canto, Andreia Faria tentou a sorte de meia distância, mas o esférico saiu por cima. Em cima dos 45′, mais uma grande oportunidade para as águias: trabalho individual de Cloé Lacasse, a ultrapassar Catarina Pereira e a encarar Patrícia Morais, que, a dois tempos, resolveu.

Intervalo e o nulo a manter-se teimosamente, isto depois de uma primeira metade equilibrada, com domínio repartido, bom futebol e muitas oportunidades.

Reatar, 0-0 no marcador e tudo em aberto! Benfica, como é do seu timbre, em construção; SC Braga mais na transição, com as equipas a estabilizarem o seu xadrez ao nível da forma e do conteúdo, ambas com a Taça da Liga na mira.

Jogo a ganhar mais intensidade, com os duelos físicos a intensificarem-se, jogo rijo, mais duro e mais disputado no miolo, com as oportunidades a serem mais escassas comparativamente com a primeira metade.

Ana Rute, aos 58′ de muito longe tentou a sorte; aos 63′, Jermaine Seoposenwe rematou para a guardiã encarnada encaixar… o Benfica tentava explorar as costas da defesa contrária, mas encontrava sérias dificuldades e o marcador teimava em não desbloquear!

Primeiras mexidas nas águias ao minuto 67, com Valéria Cantuário e Beatriz Cameirão a entrarem para os lugares de Jéssica Silva e Francisca Nazareth. Mais frescura e o jogo espevitou!

Catarina Amado, Benfica

Aos 71′, lance individual de Ana Vitória, com uma receção orientada a permitir-lhe encarar as redes adversárias de forma incisiva, mas o remate, fortíssimo, saiu por cima. No lance seguinte, boa jogada do coletivo, com Valéria a cruzar tenso e a chamar Patrícia Morais a serviços, ela que, no lance seguinte, saiu dos postes e disse “não” a Cloé Lacasse quando a canadiana se preparava para se isolar…

Entrada no último quarto de hora com o Benfica por cima, mais acutilante, e a ganhar mais poder de embate com a entrada de Christy Ucheibe, lançada para o lugar de Andreia Faria.

Até ao final do tempo regulamentar, muito desgaste, muita entrega das atletas em campo, mas o marcador não se alterou e seguiu-se o prolongamento no Estádio Marcolino de Castro.

Equipa, Benfica

Benfica a tomar conta das ocorrências do encontro nesta fase, a mostrar querer resolver antes das grandes penalidades, e Valéria Cantuário esteve perto de marcar, aos 97′, mas Myra Delgadillo “tirou o pão da boca” à avançada das águias.

Na resposta, Andreia Norton tentou surpreender, mas Katelin Talbert estava atenta. Aos 102′, lance muito perigoso, com Vanessa Marques a cabecear, após solicitação de Dolores Silva, com Ana Vitória a responder de cabeça também, após cobrança de um livre descaído na direita (105′).

Entrada de Cassandra Korhonen nas encarnadas, no tudo por tudo para resolver… Do outro lado da barricada, Laura Luís aproveitou uma colocação de bola em jogo algo precipitada e tentou o chapéu à guarda-redes das Inspiradoras, mas sem consequências. Aos 118′, canto cobrado, Vanessa Marques nas alturas, mas Christy Ucheibe, no momento certo, no local certo, evitou que a bola ultrapassasse a linha de golo.

Entrega, resiliência e muita luta até ao último segundo, contudo, zero golos, o nulo mantinha-se, apito para o final do prolongamento e foi necessário recorrer às grandes penalidades para desempatar.

Cloé Lacasse, Benfica

Na marca dos onze metros, equilíbrio inicial até aos 2-2, mas as bracarenses foram mais eficazes e tiveram em Patrícia Morais um autêntico muro, defendendo os remates de Cassandra Korhonen e Lúcia Alves, com Cloé Lacasse a fechar a partida ao enviar a bola ao ferro. 2-3 final, triunfo para o SC Braga, que assim conquista a primeira Taça da Liga do seu historial.

DECLARAÇÕES

Filipa Patão, Benfica

Filipa Patão (equipa técnica do Benfica): “O grupo está triste, sabe o que trabalhou para este momento e para podermos levar a Taça da Liga novamente para casa. Foi um excelente jogo de futebol, com duas excelentes equipas. Só podia haver um vencedor, acabou por cair para o Braga nas grandes penalidades. Dar os parabéns às jogadoras do Sport Lisboa e Benfica, porque deram tudo durante todo o jogo. Agradecer também o forte apoio dos adeptos, foram irrepreensíveis. Se estamos assim é precisamente por não termos conseguido dar a vitória aos nossos adeptos, que tanto gritaram, tanto puxaram e tanto mereciam esta Taça. O sentimento é de frustração, porque fomos a melhor equipa em campo em todos os momentos do jogo, mas infelizmente não conseguimos marcar o golo de que precisávamos para não levar o jogo nem para prolongamento, nem para penáltis. Agora é refletir e vamos focar-nos inteiramente no principal objetivo do Benfica, que é o Campeonato. São forças redobradas para esse momento e temos a certeza de que vamos dar uma excelente resposta depois disto. Tivemos os nossos adeptos no final do jogo a aplaudir as jogadoras de pé, a pedir que o Benfica seja campeão, e essa é a nossa missão, a nossa obrigação. Os nossos adeptos e o nosso Clube merecem que lutemos pelo principal e o mais importante objetivo da época, que é sermos campeãs.”

Jéssica Silva, Benfica

Jéssica Silva (avançada do Benfica; recebeu prémio Fair Play): “Estamos tristes, merecíamos mais do que isto, mas só pode haver um vencedor e o Braga acabou por ganhar nas grandes penalidades. No jogo, criámos mais oportunidades de golo, mas infelizmente não conseguimos concretizá-las. Estamos tristes, mas temos de nos focar já no próximo jogo, também contra o Braga e vamos querer vencer. Queríamos muito ganhar esta Taça, estivemos melhor no jogo, merecíamos mais. Só podia haver um vencedor, parabéns ao Braga, que foi superior nas grandes penalidades.”

Equipa, Benfica
Benfica-Braga
0-0 (2-3, gp)
Estádio Marcolino de Castro
Onze do Benfica
Katelin Talbert, Catarina Amado, Silvia Rebelo, Carole Costa, Lúcia Alves, Andreia Faria (Christy Ucheibe, 79′), Pauleta, Francisca Nazareth (Beatriz Cameirão, 67′), Ana Vitória (Cassandra Korhonen, 105′), Clóe Lacasse e Jéssica Silva (Valéria Cantuário, 67′)
Suplentes
Carolina Vilão, Ana Seiça, Valéria Cantuário (67′), Marta Cinta, Christy Ucheibe (79′), Cassandra Korhonen (106′) e Beatriz Cameirão (67′)
Onze do Braga
Patrícia Morais, Anouk Dekker, Diana Gomes, Catarina Pereira (Evy Pereira, 46′; Mariana Couto, 106′), Machaela George, Andreia Norton, Ana Rute Rodrigues (Vanessa Marques, 83′), Dolores Silva (Laura Casanovas, 112′), Jermaine Seoposenwe, Myra Delgadillo e Carolina Mendes (Laura Luís, 90′)
Suplentes
Babi Marques, Vanessa Marques (83′), Laura Luís (90′), Inês Maia, Laura Casanovas (112′), Mariana Couto (106′) e Evy Pereira (46′)
Ao intervalo0-0
Desempate por penáltis
 Pauleta: 1-0; Anouk Dekker: 1-1; Carole Costa: 2-1; Vanessa Marques: 2-2; Cassandra Korhonen: falhou; Laura Luís: falhou; Lúcia Alves: falhou; Andreia Norton: 2-3; e Cloé Lacasse (falhou)

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