Manuel Fernandes junta-se aos gregos do Apollon Smyrnis e lembrou passado no Benfica

Manuel Fernandes, 36 anos juntou-se a Bruno Alves nos gregos do Apollon Smyrnis, desejoso de recomeçar a competir, confessando que até esperou um apelo sugestivo de um clube português, pois era uma fase adequada para regressar a um país que deixou com 20 anos. Manuel Fernandes esteve no Mundial-2018, na Rússia.

– Aos 36 anos, o que procura no Apollon Smyrnis? Quais as razões que o motivaram a rumar ao futebol grego?
– Acima de tudo foi a questão de não parar, competir até ao verão para depois ter um leque maior de opções. Tinha rescindido com o Kayserispor, se estivesse parado seis meses seria mais difícil pela parte física e iria perder valorização como ativo. Acabam sempre por olhar de forma desconfiada para quem fica muito tempo parado. Tenho treinado sempre e cuidado do físico, questões burocráticas impediram que jogasse. O último jogo que fiz foi no final de outubro de 2021. Essa é a parte menos positiva. Mas como aprendemos a andar de bicicleta só uma vez, trata-se apenas de dar continuidade ao que sabemos. Estou pronto a ajudar, vai ser um sofrimento pela permanência [8.º e último no play-off da permanência da Liga grega].

– Ter o Bruno Alves ao lado é uma aliança de peso?
-Ajuda, claro. Construímos uma grande relação na Turquia, quando eu jogava no Besiktas e ele no Fenerbahçe. Este interesse do Apollon começa precisamente pelo Bruno, ele soube pelo Nani que eu estava livre. 

– É um jogador realizado com a carreira ou mais sentido com algumas coisas? Pergunto se há sensações de auge e de fracasso?
-Acabo por estar confortável com tudo o que tive, as decisões foram tomadas por mim. O que acontece é por alguma razão. Não acho que tenha tomado decisões menos boas. Se calhar não estive em campeonatos tão vistosos para ter mais reconhecimento mas fico feliz pelas ligas que disputei. Tive bastante reconhecimento e dei tudo o que podia dar. Muito realizado pelo facto de ser respeitado na Rússia e na Turquia. Foi a minha realidade e consegui ir a um Mundial quando já não contava, falando do campeonato e do contexto. Não era certamente a primeira opção, o que prova que mesmo em campeonatos mais pequenos o trabalho estava lá. Posso pensar para mim que gostava de ter feito mais jogos de Champions. Foi o que foi!

– Sempre se esperou muito do Manuel Fernandes, mas pela Seleção só jogou o Mundial de 2018. As suas épocas mais fortes deviam ter sido melhor aproveitadas?
-Sem dúvida! No Mundial já tinha 32 anos. Estava numa fase bastante boa, mas existiram outras alturas em que podia ter sido útil à Seleção. Fiz parte desta geração que ainda dá muito à Seleção, faltou-me continuidade. Podia ter sido mais útil à Seleção, culpa minha ou dos selecionadores, mas hoje isso é irrelevante.

– Em relação ao futebol e personalidade do Manuel Fernandes, o que mudou do rapaz estreado por José Antonio Camacho até hoje?
– Diferenças mais no estilo. No Benfica tinha, inicialmente, pessoas que me deixaram de acompanhar. Era mais aguerrido na procura da bola. No Besiktas tornei-me mais influente com bola, comecei a fugir do Manelelé que toda a gente associava, tornei-me diferente, mais influente, não perdendo as minhas tarefas defensivas. Do Benfica até hoje passei de trinco a 8, já fiz de 10 e recentemente fui mais extremo-esquerdo. Quando comecei com o Camacho, foi para render o Tiago, que na altura tinha pubalgia, e juntei-me ao Petit. Variava um pouco aquele que subia mais mas tomávamos os dois conta daquela zona.

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