Arbitragem manhosa desequilibrou o dérbi de Futsal a favor dos “viscondes”

Noite de emoções no Pavilhão Municipal de Loulé, palco da grande final da Taça da Liga de futsal masculino. Dérbi intenso, jogado muitas vezes para além dos limites, com Benfica e Sporting a enfrentarem-se na luta pela conquista do troféu, com os leões a triunfarem por 5-2… num jogo marcado pela dualidade de critérios de uma “arbitragem vergonhosa”, como qualificou o vice-presidente Fernando Tavares.

Mais um grande espetáculo em perspetiva, com novo duelo entre os rivais eternos na disputa por um troféu. Ultrapassadas as duas eliminatórias anteriores com muita categoria, foi um Benfica determinado e confiante aquele que entrou em quadra para medir forças com o Sporting.

Apito inicial, remate de Guitta para fora, falta muito feia de Pany sobre Robinho e jogo parado para prestar assistência ao capitão das águias. Depois foi Merlim a carregar Bruno Cintra, mas o árbitro mandou seguir inexplicavelmente. Reinício e nova paragem, desta feita para assistir Erick… Dérbi acidentado nos momentos iniciais e bem “quentinho”, com vários duelos físicos.

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De regresso ao jogo, sinal mais das águias, com Nilson, aos 2′, a rematar forte, mas ao lado. Jacaré seguiu-lhe o exemplo, e aos 4′ grande momento de futsal no Pavilhão Municipal de Loulé. Arthur recebeu o esférico no coração da área, rodou sobre si próprio e, de calcanhar, visou a baliza de Guitta com o ferro a dizer “não”.

O Sporting respondeu através de Merlim, mas André Sousa estava atento. Ataque, contra-ataque e mais uma grande oportunidade para os encarnados, com Rômulo a disparar e a levar o guardião dos leões a protagonizar uma enorme defesa. Canto e mais uma bola a ser devolvida pelos ferros, com Rômulo a ser novamente protagonista.

Com cerca de 7′ disputados, os ânimos aqueceram (ainda mais!), em quadra e fora dela, com Rocha a ver vermelho direto após falta sobre Diego Cavinato. Muito discutível e incompreensível face às decisões anteriores da dupla de arbitragem em lances muito semelhantes… Clara dualidade de critérios, Benfica a jogar em inferioridade numérica e golo do Sporting, com Alex Merlim, de pé esquerdo, a fazer o 1-0 aos 8′.

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A formação de Pulpis respondeu bem ao tento sofrido, a tentar pegar nos comandos da partida, mas, muito perigoso, o Sporting esteve perto de dilatar. Jogada de Zicky a levar tudo à frente e a oferecer a Pauleta, mas André Sousa, qual muralha, negou o 2-0 ao camisola n.º 10 dos verdes e brancos.

Robinho e Chishkala deram o mote, colocaram Guitta em sentido, com o Benfica por cima na partida e a carregar em busca do golo, num jogo com lances no limite, com decisões muito discutíveis e, não obstante ser um dérbi, emotivo por natureza, francamente excessivo.

Até ao intervalo, Rafael Henmi, Arthur e Rômulo tentaram desfeitear as redes adversárias, mas contra a corrente da partida foi mesmo o Sporting a dilatar, com Merlim a bisar, num contragolpe viperino a segundos do apito para o descanso (2-0).

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Reatar e mais Benfica em quadra, com as águias a pegarem na iniciativa do jogo. Arthur em duas ocasiões consecutivas e depois Rômulo atiraram à baliza leonina, mas sem consequências. Resposta do outro lado da barricada e grande defesa de André Sousa quando Cavinato se preparava para marcar.

Os encarnados carregavam, mas, novamente mais feliz, foi o Sporting a aumentar os números. Canto cobrado por Pany Varela e Pauleta, oportuno, desviou para o 3-0 aos 27′.

O Benfica continuou a acreditar e, finalmente, o golo que há muito se justificava, com Bruno Cintra, aos 29′, a reduzir para o 3-1, após recarga a um primeiro remate de Rafael Henmi. Dois golos de diferença e muito ainda para se jogar em Loulé, com as bancadas ao rubro!

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Aos 32′, mais um golo para o Benfica! Livre indireto, Arthur a bater tenso, com Chishkala, à boca da baliza, a encostar para o 3-2. Tudo em aberto… e resposta leonina, com Pany, assistido por Pauleta, a rematar para o 4-2 com cinco minutos até ao desfecho.

Pausa técnica pedida por Pulpis e risco total das águias a assumirem um 5×4, com Rafael Henmi a vestir a camisola de guarda-redes. Perda de bola e, com as redes desertas, Pany rematou para o 5-2 final.

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DECLARAÇÕES

Fernando Tavares (vice-presidente do Benfica): “Tenho muito orgulho nesta equipa! Hoje, esta equipa foi constituída por um conjunto de guerreiros, contra tudo e contra todos. Lutaram até ao último minuto. A equipa do Benfica só não saiu de campo ao intervalo porque os jogadores pediram para lutar e para ir lá para dentro. O que se passou aqui foi uma autêntica vergonha, uma palhaçada, uma equipa de arbitragem sem qualquer tipo de qualidade. O Benfica tinha desequilibrado o jogo a seu favor, e há uma equipa de arbitragem que desequilibrou o jogo a favor do Sporting, privando o Rocha com um cartão vermelho… O Rocha fez cem jogos pelo Sporting, zero vermelhos, faz cinco jogos pelo Benfica e vê dois vermelhos. Isto é absolutamente inaceitável, é vergonhoso! Disse à equipa no final do jogo que se mantiverem esta atitude em todos os jogos tenho a certeza que vamos ser campeões nacionais. Vai ser muito difícil derrubar esta equipa, a não ser que haja outro roubo como aquele que se verificou aqui hoje [domingo]. É um dia de tristeza e de reflexão. Há três jogadores do Benfica que são agredidos e não acontece absolutamente nada. Temos o Robinho no hospital, com suspeita de contusão cerebral, e perdemos o nosso pivô de referência, o Rocha, dois canhotos e todos sabemos a importância dos canhotos num jogo de futsal, portanto, ficámos muito condicionados. Mesmo condicionados na primeira parte, com cinco faltas, e há faltas que são completamente inacreditáveis… O que se passou aqui é para a Federação refletir e para o Benfica refletir se vale a pena andar a investir desta maneira numa modalidade onde não há verdade desportiva. É que isto não aconteceu uma vez, duas vezes ou três vezes, mas nós não vamos estar calados. O que se passou aqui foi uma autêntica vergonha e se a equipa de arbitragem tivesse dignidade, via as imagens e pedia desculpa ao Benfica.”

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Pulpis (treinador do Benfica): “Houve vários fatores que influenciaram o jogo de hoje [domingo]. As imagens estão aí e não vou falar sobre isso. Estou muito orgulhoso dos meus jogadores, lutaram muito e nunca viraram a cara à luta… Com o Robinho no hospital, o Rocha expulso, tudo contra, mas nunca baixámos os braços, fizemos o 3-2, tivemos ocasiões para empatar e demonstrámos muito carácter e identidade. Este é o caminho a seguir. Vamos continuar, contra tudo e contra todos, e tenho a certeza que se continuarmos assim vamos conquistar títulos.”

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Rafael Henmi (jogador do Benfica): “Quero agradecer aos adeptos que estiveram aqui em Loulé, que nos apoiaram do princípio ao fim. Já há várias imagens a circular para que todos possam ver o que aconteceu aqui. Demos o nosso máximo, fizemos o possível, mas quando há outras forças não conseguimos lutar de igual para igual.”

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Sporting-Benfica
5-2
Pavilhão Municipal de Loulé
Cinco inicial do Benfica
André Sousa, Nilson, Robinho, Chishkala e Jacaré
Suplentes
Martim Figueira, Rômulo, Afonso Jesus, Arthur, Rafael Henmi, Bruno Cintra, Carlos Monteiro e Rocha
Ao intervalo2-0
Marcadores do Benfica
 Bruno Cintra (29′) e Chishkala (32′)

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