Rui Costa abre o livro em entrevista exclusiva à BTV

Completados três meses na liderança do Sport Lisboa e Benfica, o Presidente Rui Costa concedeu uma entrevista exclusiva à BTV, em sinal aberto, na noite de quarta-feira, 12 de janeiro, na qual analisou os temas mais exigentes do presente e os caminhos do futuro do Clube…

Processo Cartão Vermelho

“Antes de mais, dizer que parece exagerada esta feira mediática à volta deste processo. Desde logo, estas escutas que saíram cá para fora e que não têm nada a ver com o processo em si. O que posso adiantar é que, enquanto Presidente do Benfica, quero que este processo se resolva da forma mais célere possível, que sejam apuradas todas as consequências deste processo, para podermos olhar para a frente. Não me parece correto que tantas escutas estejam cá fora, não sei quem sai beneficiado com isto a não ser para encher páginas dos jornais. O Benfica está a ser muito prejudicado com todas estas notícias. Como Presidente do Benfica, a minha preocupação é poder olhar para o futuro do Benfica e, neste momento, é notícia um processo que devia estar em segredo de justiça. Que sejam apuradas todas as consequências para que o Benfica e os adeptos possam olhar para o futuro sem estarem a olhar para o passado.”

Rui Costa

“Jamais podia prejudicar o Benfica!

“Em primeiro lugar, ninguém foi acusado de nada. Em relação a mim, estive, estou e estarei sempre de consciência tranquila em relação a este processo. O meu nome nunca esteve envolvido em nada que tenha a ver com justiça. Custa-me ter de recordar várias vezes (que é algo que não gosto de o fazer porque tudo o que faço pelo Benfica é por amor ao Clube, e o Benfica não me deve nada) e ter de explicar sempre o meu passado, que é sobejamente conhecido. Não tenho de recordar a todos o que se passou em 1993… Nessa altura ainda vivia numa cave na Damaia e tive de abdicar da proposta que tinha na altura para servir o Benfica. Numa altura em que ainda vinha no autocarro 34 para o Estádio da Luz e já começava a ser titular no Benfica. Não seria agora, que construí a minha vida, que me ia prejudicar com isso. É sabida a minha saída para Itália; é sabido o meu regresso ao Benfica, o tipo de contrato que deixei lá fora e que contrato vim ganhar. Ainda tinha uma carreira lá fora e abdiquei disso para representar o Benfica. É sabido o que abdiquei já na estrutura do Benfica com proposta do estrangeiro. O meu contrato com o Benfica, quando passo a diretor-desportivo, tinha prémios de campeão nacional, mas não recebi um euro de prémios, nem recebo dos prémios que são pagos a todo o grupo. Que sentido faz abdicar destes prémios legítimos para depois andar metido em esquemas? É a última vez que vou referir isto, porque é a pior ofensa que me podem fazer em relação ao amor que dou a este clube… Todos têm o direito de me julgar em tudo, mas não me parece correto que os Benfiquistas me julguem neste sentido [de poder lesar o Benfica]. Fala-se das assinaturas… Assino como administrador, como qualquer outro, e isso não implica que estivesse em conluio com o que quer que fosse. Se estivesse implicado em alguma coisa, ou não tivesse a consciência totalmente tranquila, que sentido faria ter-me exposto como Presidente do Clube? O escrutínio sobre mim ia ser grande, mas nunca tive medo, estou aqui de corpo e alma. Abdiquei de muito para servir o Benfica. Jamais podia prejudicar o Benfica em questões financeiras ou ilegais. Estarei sempre, como cidadão e Presidente do Clube, disponível para colaborar. Aliás, o Benfica sempre esteve em colaboração com o Ministério Público e com a Polícia Judiciária. O que não consigo suportar é que alguém pense que eu possa estar envolvido nisto.”

Rui Costa

Benfiquistas devem defender o Clube

“O Clube nunca foi dado como arguido, as pessoas que estão no Clube não são arguidas. Por que razão somos nós a levantar as notícias? Falamos da Comunicação Social, mas há notícias que são os Benfiquistas a deitar cá para fora. Vamos deixar o processo correr, vamos apurar os resultados e esperar que a justiça seja célere, para o bem do Benfica e espero que ninguém seja culpado de nada, isso é o que todos os Benfiquistas ambicionam. Neste papel tenho de ser a pessoa que une o Clube, mas custa-me ver que sejam os Benfiquistas a não defender o Clube.”

Comunicação Social tem de respeitar o Benfica

“O Benfica é grande em tudo e percebo que a Comunicação Social precise do Benfica, e maus temas do Benfica, para ter audiências. Mas a Comunicação Social tem de ser correta com o Benfica, e não tem sido. O Benfica sofre hoje, em alguma Comunicação Social, ataques, eles são evidentes e claros. Não acho justo o que está a ser feito. Não acredito que só haja problemas no Benfica e não nos outros clubes. Não peço que não discutam o Benfica, mas faz-me confusão que qualquer problema do Clube sirva para cinco horas de programas diários. E nos outros clubes não há problema nenhum. É menos notícia buscas nos outros clubes, como existiram no Benfica, do que o Flamengo querer Jorge Jesus? Essas buscas vieram timidamente a público e as nossas estavam sempre nas primeiras páginas.”

Rui Costa

Auditoria forense alargada

“A auditoria foi entregue à Ernst & Young, que nos apresentou os resultados, a mim, ao vice-presidente da área jurídica [Sílvio Cervan], e aos nossos advogados, a 22 de dezembro, mas esta primeira auditoria forense foi feita a reboque do que estava a ser feito pelo Ministério Público com os três primeiros contratos em investigação. E na análise a esses três contratos não foi achado nada em que o Benfica tivesse sido lesado, por isso foi decidido pelos nossos advogados que o Benfica, para já, não se iria constituir como assistente do processo, pois não se justificava de momento. Mesmo que quiséssemos fazer algo quando nos entregaram essa auditoria, não seria lógico da nossa parte quebrar o segredo de justiça. O que os advogados e a empresa, assim como eu e o nosso vice-presidente para a área jurídica, defenderam foi estender esta auditoria aos restantes contratos, os 55 que estão na posse do Ministério Público. Se houvesse alguma intenção de esconder o que quer que fosse ficávamos pelos três contratos. Mas corremos em paralelo com o Ministério Público e no final analisaremos em que ponto estará a situação. Se entendermos, iremos constituir-nos como assistentes. A acontecer, serei intransigente e implacável no que forem os resultados. Todos queremos saber se o Benfica foi prejudicado. Serei implacável!”

Diálogo com investidor

“Temos tido conversas com John Textor, ainda nesta semana dois vice-presidentes tiveram mais uma reunião. Temos analisado o que pode aportar ao Benfica, estamos a analisar até onde qualquer investidor pode ser oportuno para a SAD. Não fazemos nada de forma leviana e não nos queremos precipitar. Sublinho que o investidor não está a comprar ações ao Benfica, mas temos de estar conscientes do que essa entrada, de qualquer investidor, possa aportar ao Benfica em termos financeiros ou até desportivos. É um processo que continua em análise. Posso garantir aos nossos Sócios que a premissa é que o Clube nunca perderá a maioria do capital da SAD.”

Rui Costa

Administração da SAD em análise

“Um acionista minoritário quer colocar um elemento [Pires de Andrade] na administração da SAD. É a primeira vez que isso acontece. Eu quis cumprir com a lei e garantir a quota de duas mulheres [Gabriela Rodrigues e Rosário Pinto Correia], mas com a entrada de um novo administrador temos até dia 24 [janeiro] para estudar a solução, de maneira a cumprirmos essa quota. Vamos analisar os caminhos para fazer face à nova entrada. Não tenho nada contra a entrada de um administrador. O que me faz mais espécie é que até aqui nunca houve essa necessidade [de nomear um administrador por parte de um acionista minoritário] e agora há.”

Reforço de “compliance” é vital

“Os nomes para a SAD são pessoas da maior credibilidade, é uma SAD completamente diferente das anteriores. Tenho a certeza que vão reforçar o ‘compliance’ do Clube, são pessoas com provas dadas nas áreas que desempenham. Estou extremamente satisfeito com a equipa que temos. Quero acabar com estas suspeitas, quero clareza nas ações. É essencial que a área de ‘compliance’ seja mais reforçada. Que haja confiança dos adeptos, isso é fundamental para mim.”

Rui Costa

Jorge Jesus sem ambiente

“Foi comentado tudo! Jorge Jesus, como homem do futebol, após o episódio [com Pizzi] que foi tão falado… ambos chegámos à conclusão que o caminho seria mais difícil. Não começa nesse episódio, mas culmina nesse episódio. Havia uma grande exigência para ser vitorioso. Tínhamos um objetivo muito grande que era a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Em dezembro até passámos aos oitavos de final da prova, mas esse mês foi penoso. Tivemos derrotas pesadíssimas com os rivais, mas o que chocou mais os nossos adeptos foi como perdemos. A primeira derrota com o Sporting criou um ambiente que não foi favorável em torno da equipa, depois a história do Flamengo… Jorge Jesus é um treinador extremamente mediático, tudo contribuiu para que o ambiente se tornasse pesado em torno da equipa. Exigia-se uma explicação minha no momento da saída, mas não o fiz porque estávamos a meio da semana, antes do jogo com o FC Porto para o Campeonato. Não falei para não criar mais atrito, para que a equipa pudesse preparar o melhor possível o jogo do Campeonato. Não foram os jogadores que despediram o treinador.”

“São verdade algumas das coisas ditas, mas muitas foram distorcidas e empoladas. Houve de facto uma desavença entre jogador e treinador, e curiosamente deram-se sempre superbem. Pizzi é um dos capitães e teve sempre um comportamento exemplar no Clube, merece todo o nosso respeito. Houve esse desentendimento, no qual a equipa manifestou apoio a Pizzi. Jorge Jesus não saiu porque eu intercedi a favor de Pizzi! Quem diz isso não conhece Jorge Jesus nem a mim. No início da época, Jorge Jesus, quando escolheu o plantel, preteriu jogadores com passado bem vincado no Benfica e não foi esse o problema. Se tivesse de facto excluído algum jogador até ao final da temporada, jamais ia colocar-me na posição de ir contra o treinador e convencê-lo. Após esse incidente as coisas foram coordenadas com o treinador. Pizzi teve um castigo naquele dia, o treinador não o excluiu até ao final da época. Falei com o treinador. Eu estava no Seixal, não fui chamado, e decidimos o que fazer. Foi o que fizemos e o que aconteceu. O que leva Jorge Jesus e eu a pensarmos não é a questão Pizzi, pois essa seria resolvida por ela própria, como estava combinado, com a naturalidade do processo. O que custa a Jorge Jesus e a mim é que os jogadores ficaram do lado de lá e não no lado de cá [do treinador]. O incidente [no Estádio do Dragão] acontece quando Jorge Jesus não está no balneário. Há sempre um ‘diz que disse’. É neste mal-estar que Jorge Jesus sente que houve uma quebra de confiança, a tomada de posição de toda a equipa. Este episódio vem a reboque de todo o ambiente em torno da equipa naquele período de dezembro.”

Jorge Jesus e o Flamengo

“Uma das nossas preocupações naquele momento era o massacre diário ‘Jorge Jesus vai, não vai para o Flamengo’. Para um treinador se encontrar com alguém de outro clube não é preciso uma autorização. Hoje dia, com os telemóveis, as pessoas não têm ideia do massacre que é… Eu conversava todos os dias com Jorge Jesus, como é natural, e debatemos muito o tema, ao ponto de eu lhe perguntar qual era o interesse dele, se era continuar no Benfica ou de ir para o Flamengo como se dizia na Imprensa. Foi sempre uma conversa aberta entre duas pessoas adultas, do futebol e com grande conhecimento um do outro. A vontade de Jorge Jesus era continuar no Benfica, finalizar o contrato, e essa era também a minha vontade, desde o início da época, até porque sou apologista que um treinador cumpra o contrato. Em conversas mais privadas, explicou-me o que se estava a passar, sei o massacre que estava a levar para ir para o Flamengo. O que eu lhe pedi (a ‘famosa autorização’, e que não é na antevéspera do jogo da Taça com o FC Porto…) foi que limpasse a cabeça antes dos dois jogos importantes com o FC Porto e que dissesse ‘não’ diretamente aos dirigentes do Flamengo, e no dia a seguir ele estaria a dizer em conferência de Imprensa que é treinador do Benfica e eu carimbava isso. O objetivo de falar diretamente com o Flamengo era de se libertar daquele peso e focar-se naquilo em que tinha de se focar. Esse compromisso que assumimos foi respeitado, tanto que quando Jorge Jesus saiu do Benfica já o Flamengo tinha outro treinador.”

Rui Costa

Confiança em Nélson Veríssimo

“Nélson Veríssimo é um homem da casa, nesta transição era essencial dar um choque térmico no paradigma. O trabalho que desenvolveu na equipa B é bem demonstrativo da sua qualidade, é um benfiquista ferrenho, um jovem treinador com uma ambição enorme e já conhecia parte deste plantel. Era uma mudança, mas com algum conhecimento do que estava por dentro. Tenho a maior confiança nas capacidades do Nélson Veríssimo, sei o quanto ele sofre pelo Clube. É um treinador que tem feito um trabalho fantástico em termos de formação, uma aposta que iremos querer sempre fazer. Acredito que seja a pessoa ideal para dar a volta ao fatídico mês de dezembro. Ainda temos muito pela frente e é o treinador que nos vai levar a superar este momento. Se eu não tivesse confiança nele, teria colocado o Nélson Veríssimo como interino e não como treinador até ao final da temporada. No Benfica tem de se ter projeto, criar resultados, dar tempo aos treinadores para trabalharem. A minha convicção é que não será treinador apenas para seis meses, mas vamos ser cautos e esperar o que será o futuro do Benfica.”

Objetivos da época: ambição intacta

“Espero a reação natural de uma equipa com um plantel extraordinário. Até dezembro, com um jogo ou outro menos conseguido, todos os objetivos estavam a ser atingidos. A qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões e, depois, a apuramento para os oitavos de final, estávamos a um ponto do primeiro lugar antes do jogo em casa com o Sporting, estávamos em prova na Taça da Liga e na Taça de Portugal… Dezembro retirou-nos da Taça de Portugal e deixou-nos a sete pontos do primeiro lugar no Campeonato, dificultando muito a tarefa que vamos ter daqui para a frente, mas jamais pensar que a época está terminada. Estamos focados no que temos para fazer nesta segunda volta do Campeonato. A minha ambição continua intacta em relação aos objetivos, e exijo que no Seixal a opinião seja igual, que ninguém baixe os braços, que ninguém caia. Esta última jornada prova que ainda há muito campeonato, é nisto que temos de acreditar e, como diz o nosso treinador, jogo a jogo fazer o nosso e ir recuperando pontos.”

Rui Costa

Mais Formação e jogadores experientes

“Não esquecemos a Formação, não é verdade que deixámos de apostar. Ainda agora temos o Paulo Bernardo a jogar, o Gonçalo Ramos com mais utilização na equipa… É verdade, sim, que fomos mais ambiciosos nalgumas contratações, mas também trouxe uma dificuldade, que foi a contratação de muitos jogadores, e este é um dos pontos que eu não quero para o futuro, porque a adaptação muitas vezes atrasa. Fizemos um investimento alto, é verdade, mas investimos em jogadores internacionais e com carreiras que nos davam grandes expectativas. Não foi um esbanjar de dinheiro em jogadores que ninguém conhecia. O projeto de futuro passará sempre por um misto de Formação (e cada vez mais, sempre que possível) e de contratação de jogadores que tragam experiência e um rendimento altíssimo.”

Janeiro: redução do plantel

“Vamos entrar na segunda parte da temporada, um dos objetivos é reduzir o plantel, até mesmo para criar mais espaço aos nossos jovens jogadores. Eu estou em permanente contacto com o treinador, com a estrutura do futebol profissional (Rui Pedro Braz e Luisão) e também a estrutura do futebol de formação (Pedro Mil-Homens e Pedro Marques). O que preparamos para o futuro do Benfica envolve estas estruturas, há esse objetivo de cada vez mais criar espaço para o jogador da casa, faz parte do projeto. Neste momento, tudo o que possa falar do mercado de janeiro pode desviar as atenções do que eu quero, que é lutar pelo título nacional, temos todas as condições para o fazer. Tudo o que acontecer neste mercado será estruturado com o treinador Nélson Veríssimo.”

Rui Costa

Cartão do adepto

“Estou feliz com o desenrolar desse dossiê. Tivemos a nossa quota-parte para que acabasse. Foi uma medida sem pés nem cabeça. Tivemos esse cartão de adepto a prejudicar os clubes e adeptos, principalmente os nossos. Participámos nessa batalha e é com grande satisfação que vejo que o nosso Estádio pode estar cheio, com os adeptos nos seus lugares.”

Revisão estatutária

“Foi algo que tornei público na altura. Uma das primeiras medidas como Presidente foi constituir uma Comissão para a revisão dos estatutos. É constituída por Sócios de vários movimentos que tiveram diferenciadas opiniões nas eleições. O que pretendo com essa medida, dado que estamos a falar do documento que rege a vida do Clube, é que não pode ser feito por uma fação, mas sim por várias opiniões do Clube. Estive só na primeira reunião para dar as boas-vindas às pessoas. Sei que os trabalhos estão a desenrolar-se de uma forma agradável para todos, que é algo bom e que me deixa feliz. É um documento de tremenda importância e que tinha de ser revisto o quanto antes. Julgo que nos finais de fevereiro essa proposta de estatutos do Clube está pronta para ser entregue à Direção e para seguir os trâmites normais, que é ser marcada uma Assembleia Geral e os Sócios se pronunciarem.”

Rui Costa

Tornar modalidades mais competitivas

“Assim que entrei fui avisado para a eventualidade de uma época difícil nas modalidades. Não está a ser um ano produtivo como queríamos que fosse. Tivemos um aspeto positivo que foi: todas as equipas podiam participar nas competições europeias. Ou é único, ou é raro. Nos campeonatos nacionais, as coisas não estão a correr como queríamos. Sabíamos que, em variadíssimas modalidades, os nossos rivais estão mais fortes. Em relação à preparação das modalidades, posso garantir aos nossos adeptos que já estou encarregue disso, porque a preparação das temporadas começam logo em dezembro, janeiro, fevereiro… O hóquei em patins e o futsal têm mercados muito curtos, e se queremos reforçar as equipas, tem de ser nesses períodos. Excetuando a nossa equipa de voleibol masculina, que tem sido a que mais alegrias tem dado e continua a mostrar que é favorita, nas outras estamos em dificuldades. Apesar de termos partido com prejuízo, não quer dizer que não coloquemos todo o nosso empenho para nos aproximarmos dos nossos rivais.

As pessoas veem-me nos pavilhões, porque estou à frente de todas as nossas equipas. Também já estive no râguebi. Vou porque as quero conhecer por dentro e até já fui a treinos. Quero saber por dentro o que está bem e mal feito para poder colocar as modalidades como todos ambicionamos, que é no caminho das vitórias. Vamos investir mais e melhor. Somos o único clube com as 10 equipas de modalidades de pavilhão, as cinco masculinas e as cinco femininas, e temos de fazer disso um orgulho. Mas se as temos é para jogar para ganhar. O andebol é a modalidade que não ganha o Campeonato há mais tempo. Um dos nossos rivais [FC Porto] está num patamar acima e temos de nos aproximar o quanto antes, no andebol e nas outras também. No andebol fizemos um esforço com a vinda do Rogério Moraes e de outros, mas esperávamos mais. Acreditamos que as equipas cresçam ao longo da época. É um facto que temos de melhorar as nossas modalidades, mas também tem de mudar a mentalidade e a estruturação do que são as modalidades. Esse plano está a ser criado, e está a estudado em todas as modalidades o que podemos fazer melhor para chegar aos títulos. Estou convencido de que na próxima época o resultado vai ser bem melhor. Exige-se que o atleta do Benfica tenha capacidade de enfrentar qualquer adversário. A componente feminina também conta muito e quero enaltecer o que tem sido feito nas equipas femininas. Neste ano vamos ter mais dificuldades no futsal feminino, porque perdemos duas jogadoras no início da época, a Fifó e a Janice, que, estou convencido, em breve voltarão a casa; a Ana Catarina, a melhor guarda-redes do mundo, está lesionada e a Raquel Santos também. Somos campeões em futsal, basquetebol e hóquei em patins, e as nossas equipas femininas têm dado uma resposta fantástica.”

Pavilhões abertos a todos os Sócios

“Acredito que equipas mais prontas para lutar por títulos trazem mais pessoas, e mais pessoas ajudam estas equipas a lutar mais de perto por títulos. Mas isto também faz parte da cultura portuguesa de não acompanhar o dia a dia das modalidades. Não temos o costume de ir a meio da semana ver um jogo de hóquei em patins, futsal, basquetebol, andebol ou voleibol. Temos de criar alguma coisa para que os Sócios e adeptos do Benfica estejam mais presentes nas modalidades. Se temos tanto carinho pelas modalidades, é necessário que tenhamos um comportamento condizente. Estamos a estudar uma medida para envolver mais os Sócios com as modalidades, e para que possa já acontecer esse envolvimento nas fases finais. Preservando os Sócios com quota de modalidades, que não serão prejudicados, os jogos das modalidades estarão abertos a todos os Sócios. O dinheiro que possamos perder em termos financeiros é curto, tendo em conta o que podemos ganhar em termos desportivos. Faço já o convite: os pavilhões estão abertos a todos os Sócios. Esperamos por eles.”

Rui Costa

Cidade Benfica

“Foi uma promessa eleitoral, vou cumprir. Ando aqui a esconder, mas vou levantar um pouco o véu. O que estamos a procurar ainda não está concluído, mas é uma necessidade extrema do Clube, porque temos várias equipas a treinar por todo o lado, sem casa própria e isso, como Benfiquista, não me agrada. Criar um Centro de Alto Rendimento é um projeto do passado, mas quis alargá-lo para albergar o râguebi, o projeto olímpico… O que estamos a tentar finalizar é algo muito maior do que isso, um espaço maior do que tínhamos inicialmente pensado para albergar o Benfica inteiro. Um espaço em que todo o Benfica esteja junto, com exceção do Estádio. Deixa de ser o Centro de Alto Rendimento para ser a Cidade Benfica. Já estamos a tentar finalizar e é um projeto único no mundo. Finalizando esse projeto não haverá Benfiquista nenhum que não sinta orgulho na Cidade Benfica.”

Estádio da Luz: renovação do interior e do exterior

“Esta promessa não é como Presidente do Benfica, mas como Benfiquista. O nosso Estádio é dos mais lindos, mas precisa de alguma renovação interior e exterior, e vamos começar com a interior. Garantidamente, no início da próxima temporada, já vão encontrar os ecrãs novos, os leds à volta dos anéis e as luzes em led novas. Permite outra atmosfera no Estádio. O que está ainda em discussão, e espero ainda conseguir ter nessa mesma altura, são as cadeiras e o sistema de som. As três primeiras já estão garantidas, através de orçamentos, para o início da próxima temporada; nas outras duas – som e cadeiras – estamos a fazer o esforço para que sejam mudadas no início da próxima temporada. Mas se não conseguirmos, serão mudadas até ao fim do ano de 2022. As modificações do exterior do Estádio estão a ser pensadas, mas uma coisa de cada vez. Não podemos fazer tudo em simultâneo. Tudo aquilo que sejam obras no interior, exterior ou a Cidade Benfica serão custos importantes, mas nada disso vai interferir nos plantéis do Benfica. A prioridade será sempre a vertente desportiva, não quero desviar-me disso.”

Rui Costa

Domingos Soares de Oliveira é fundamental

“Disse antes das eleições que contava com Domingos Soares de Oliveira e assim será. É mais um nome visado em tudo o que são notícias do Benfica, mas confio na pessoa. Não tenho razões nenhumas para não confiar, tem feito um excelente trabalho no Benfica. Relembrar que o Benfica passou momentos financeiros muito maus no passado e recuperou, e Domingos Soares de Oliveira teve um papel fundamental. Continua a ser um elemento de extrema importância.”

Finanças estáveis

“Temos estado bem financeiramente estes anos, nesta fase complicada estamos em condições de a superar. Temos capitais próprios altos, a situação financeira do Benfica é estável, seremos cada vez mais rigorosos.”

Ambição na Europa

“A ambição é grande, o sonho é enorme! Temos o confronto com o Ajax [nos oitavos de final da Liga dos Campeões], com o objetivo de seguir em frente. É o sonho que vamos alimentar.”

Rui Costa

Balanço de três meses como Presidente

“Foram três meses a viver intensamente o Clube, com uma missão diferente. Percebo que as pessoas queiram que, do dia para a noite, sejam feitas mudanças atrás de mudanças. Tenho conhecido outras áreas com que não lidava tanto. Estou muito satisfeito com o empenho de todos os meus colegas de Direção, a forma como têm apoiado, muito trabalho está a ser feito, ainda de bastidores, os tais alicerces de que precisamos. Agradeço a todos tudo o que têm feito pelo Clube, convencido de que escolhi as pessoas certas. É um trabalho em conjunto, mas foram apenas três meses, há muito para mudar, mentalidades para mudar, queremos ser cada vez melhores.”

Um apelo à união

“Não acredito que haja sócio do Benfica que não perceba o que se está a fazer lá fora para atingir o Clube. Sei que o momento desportivo e em termos públicos é difícil, mas temos de o enfrentar juntos. Continuo muito otimista no que se vai passar no resto da temporada. Estejam perto das nossas equipas, precisamos da força da onda vermelha. Ou nos unimos ou partimos. Sinto que nos vamos unir e fazer o nosso caminho com a grandeza do nosso Clube.”

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