Jonas gostava de ver Jorge Jesus na canarinha… depois de ganhar mais títulos pelo Benfica

Jonas, ex-craque do Benfica tem opinião surpreendente sobre o futuro do treinador encarnado: «Porque não, um estrangeiro nos canarinhos?». Hoje apenas «mais um torcedor das águias», Jonas conta a A BOLA como foi deixar de chutar à baliza e passar a atacar nos ramos imobiliário e agropecuário

– Aos 37 anos, a morar perto da cidade de Ribeirão Preto, Taiúva, onde cresceu, continua a ver os jogos do Benfica pela televisão?
– Sempre acompanho o Benfica! Eu sou daqueles ex-jogadores que gostam de ver jogos pela televisão, seja do Brasil, que agora tenho seguido um pouco mais, seja da Europa, e os do Benfica, claro, são os que vejo com mais atenção, porque, além de ex-jogador, sou torcedor.
 
– E que tipo de adepto é? Daqueles que grita com o árbitro em casa, que assobia quando o rival tem a bola?
– [risos] Não, sou calmo… Quando jogava admito que era um pouco mais tenso, porque em campo queremos que tudo corra bem, queremos fazer de tudo para que o Benfica ganhe, mas em casa vejo e observo os jogos com mais calma. Entretanto, claro que fiquei muito feliz com a passagem para os oitavos de final da Liga dos Campeões.
– Como analisa a prestação da equipa, na Europa e nas provas nacionais?
– Desde 2016 que o Benfica não passava aos oitavos da Champions, não era? Ainda eu estava lá… Fiquei contente, vibrei, como disse, e fiquei com esperanças. No Campeonato, fiquei triste, claro, por perdermos o dérbi e nos atrasarmos um pouco em relação aos rivais mas ainda falta muito, ainda dependemos só de nós, ganhando os clássicos, por exemplo, passamos para a frente. Só temos é menos margem para errar.
 
– Está a faltar um Jonas no ataque do Benfica?
– Não, não! Todos os atacantes do Benfica têm qualidade. Há o Seferovic, um bom jogador já há algum tempo na casa, há o Darwin e o Yaremchuk, chegados há pouco tempo. São bons jogadores, não há dúvida, e torço muito por eles, pela equipa no geral e pelo treinador.

– Jorge Jesus é falado constantemente no Brasil a propósito de eventual regresso ao Flamengo, onde se tornou um mito. No Benfica, recebe talvez mais críticas do que elogios. Acha melhor para ele ficar na Luz ou voltar?
– O Jorge Jesus vai ser sempre falado no Flamengo. Se o clube estiver bem, um pouco menos falado, se estiver mal, falado a toda a hora, não adianta. Vai ser sempre assim até ao dia que voltar, se voltar. Mas eu tenho uma opinião diferente: gostava que ele ganhasse mais títulos no Benfica durante mais um tempo e depois voltasse para cá – mas não para o Flamengo, para a seleção do Brasil.

– Mas um país pentacampeão mundial aceitaria bem ser treinado por um estrangeiro [outro português, também de nome Jorge, mas conhecido por Joreca, chegou a codirigir o Brasil em dois jogos em 1944]?
– Pentacampeão sim, mas a última vez que levantou a taça foi em 2002. A França está aí, a Itália está aí, muitas seleções estão ao mesmo nível do Brasil. Essa mentalidade tem de mudar. O futebol evoluiu. Há cada vez mais treinadores estrangeiros aqui de qualidade, a começar pelo Abel Ferreira, no Palmeiras, que está a fazer um trabalho incrível. E se já foram brasileiros treinar a Seleção de Portugal, como o Luiz Felipe Scolari, se o País abriu as portas a tantos jogadores brasileiros, como eu, então temos também de abrir a porta para estrangeiros, desde que sejam bons, como o Jesus inegavelmente é. Depois do Mundial, aconteça o que acontecer, o Tite deve sair e eu gostaria muito que o Jesus assumisse o lugar dele.

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