Telma Monteiro quer acabar o ano com uma medalha num Grand Slam

Após ter regressado ao Nacional passados 11 anos e reconquistado o título de campeã de Portugal, Telma Monteiro, judoca do Benfica vai fechar, amanhã, a época de 2021 no Grand Slam de Abu Dhabi, onde já subiu três vezes ao pódio. Conta como se preparou e como projeta enfrentar o ciclo até chegar aos Jogos de Paris-2024.

– Esta será a última etapa do Circuito Mundial de 2021 e ainda não conta para o apuramento olímpico para Paris-2024, que só começa no próximo ano. Por isso, o que espera desta primeira participação fora de Portugal após ter disputado os Jogos de Tóquio?
– Gostava de fazer uma boa prova e trazer uma medalha. Tenho essa expectativa, sinto-me bem. Preparei-me bem, mas claro que a nível internacional e sendo a primeira prova depois dos Jogos Olímpicos é diferente. Mas o objetivo é acabar o ano com uma medalha num grand slam, pois esta será a minha última prova da temporada.

 Ainda que tenha efetuado um estágio em Israel há dois meses após as férias e no último fim de semana disputado o campeonato nacional, preocupou-se sobretudo com o quê para Abu Dhabi e neste recomeço?
– Sobretudo preparar-me bem fisicamente, para que o corpo esteja forte para conseguir colocar boas cargas de treino e no judo em si no próximo ciclo. Mas também para continuar a reforçar o meu ombro direito, que para mim está a 100 por cento, mas, obviamente, é um ombro velhinho. Convém sempre prevenir as lesões. Isso foi muito importante para mim quando vim das férias. Queria ter a certeza que fazia um bom reforço.


– Ter melhorado a condição física foi o que, na qualificação para os Jogos de Tóquio, lhe permitiu  passar a lutar a outro nível. Salvo erro, quase todos os que perdeu foi por castigos e no prolongamento e não por ter sido derrubada. Foi essa resistência que quis voltar a garantir?
– Hoje em dia é sempre muito difícil projetarem-me, mas é obvio que também é uma tática das adversárias jogarem mais com o erro. Desgastarem-me e forçarem-me a errar. Tenho um judo mais ofensivo e vai continuar a sê-lo. Por isso, tenho de estar bem preparada para que aconteça. Atualmente quando entro no golden score faço-o sem qualquer problema. Posso aguentar maratonas no prolongamento, como já fiz no anterior ciclo olímpico e ganhei. Até aconteceu no Europeu de Lisboa. Sinto-me mais confiante para combater o tempo que for preciso, os combates também são muito exigentes, e isso dá-me outra postura na luta. Depois existem outras coisas mais específicas. O problema que tenho nas costas fez com que trabalhasse muito nesse sentido e passei a ter um core [músculos profundos da região abdominal, lombar e pélvica para garantir uma melhor postura] mais resistente, o que me deu maior estabilidade e tornou mais complicado projetarem-me.

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