Jorge Jesus assumiu os riscos que fez e lançou vários elogios após os jogo

Jorge Jesus fez a análise ao Benfica-Paços de Ferreira, jogo da 4.ª eliminatória da Taça de Portugal que as águias venceram, no Estádio da Luz, após justíssima reviravolta (4-1). O treinador das águias gostou do que viu e deixou vários elogios…

O Benfica esteve a perder, mas quatro golos nos últimos 20 minutos selaram a passagem aos oitavos de final da prova-rainha. Objetivo cumprido, com qualidade e intensidade. No final do desafio, Jorge Jesus explicou a estratégia que montou para o encontro, o onze escolhido, o sucesso das substituições e elogiou a qualidade do seu coletivo, os adeptos e até o árbitro teve direito a uma palavra especial…

Benfica-Pacos de Ferreira

Os quatro pilares em análise

“Analisei várias questões no contexto do momento. Primeiro, jogando na sexta-feira [hoje], e sendo o jogo com o Barcelona na terça-feira [Liga dos Campeões], jogasse quem jogasse, o Benfica tinha tempo para chegar ‘levezinho’ [a Camp Nou]; segundo, hoje entraram no onze sete jogadores que habitualmente são titulares, só Gedson, André Almeida e Nemanja costumam jogar menos; terceiro, o facto de estar duas semanas parado [interregno para as Seleções], para mim era importante colocar em campo os jogadores que eu penso que vão jogar contra o Barcelona; quarto, os que vieram das seleções, duas semanas fora, vêm todos ‘desatinados’. Procurei colocar em jogo aqueles que treinaram comigo durante as duas semanas.”

Benfica-Pacos de Ferreira

Um risco assumido

“Sabia que neste jogo iria ter de colocar alguns jogadores com menos minutos, o André Almeida, o Gedson e o Nemanja, e foi um risco que corri. E notou-se que a intensidade não é a mesma da dos outros. A entrada de jogadores mais competitivos trouxe mais qualidade ao futebol do Benfica.”

Benfica-Pacos de Ferreira

As substituições e a intensidade

“É verdade que a entrada dos jogadores [substituições] foi fundamental para aumentar a intensidade do jogo. O Paços [de Ferreira], a partir daí, teve mais dificuldades em defender, em recuperar os posicionamentos, foi menos agressivo no um contra um e começou a dar mais largura ao Benfica. Pus praticamente a equipa toda para a frente, à exceção dos centrais. Foi um risco que assumi, pois podíamos sofrer o segundo golo, mas acredito no que fazemos, no nosso trabalho e sabia que ao colocar estes jogadores ia proporcionar a criação de mais oportunidades. Mesmo assim, foi o Grimaldo quem abriu o resultado. Parabéns aos jogadores, para todos, e em especial aos que entraram. Entraram focados e empenhados. Neste momento o Benfica tem dois jogadores em grande forma, o Everton e o Rafa, e tudo isso permitiu que o jogo ficasse mais fácil.”

Festejos

Qualidade de jogo ofensivo

“Fizemos um bom jogo, criámos oportunidades na primeira parte, mas não marcámos. Aí, tivemos três oportunidades na cara do golo, Darwin, Everton e Rafa. Fizemos 22 remates, 11 na baliza, tivemos 16 cantos… Tudo isso são dados que mostram o que foi o jogo ofensivo do Benfica. O Paços de Ferreira fez um remate enquadrado e fez um golo, mas o futebol é assim. Dois jogos [SC Braga e P. Ferreira], dez golos marcados, dois golos sofridos e isso demonstra qualidade. A equipa foi forte, criou oportunidades e teve qualidade, e não foi só nos últimos quinze minutos. Isto nunca foi a gasóleo, foi sempre a gasolina super, só que, por vezes, a gasolina super não consegue fazer golos.”

Jorge Jesus

Mudança de 3x4x3 para 4x4x2

“Acreditei que era o momento certo para mudar o sistema, e achei que era o momento certo para tirar o André Almeida. Vinha de uma paragem de muito tempo e penso que não podia acrescentar muito mais a este jogo. Optei por colocar jogadores mais fortes a atacar e não a defender, e que não perdessem tanto o passe e a bola, e tudo isso facilitou. Não há sistemas perfeitos. Entrámos com uma estrutura de três e depois achámos que naquele momento o ideal seria mudar [linha de quatro], mas não é só mudar o sistema, é também mudar a própria dinâmica do sistema. Estar a perder por 1-0 era um dado que teríamos de mudar, mas estive sempre sereno.”

Seferovic

Seferovic: regresso com golo

“Se o Benfica está muito forte e muito bem num sector, é aí [no ataque], onde tem o Yaremchuk, o Seferovic, o Darwin e o menino Gonçalo Ramos. Normalmente, jogo com um ou com dois avançados… Se jogar com dois, há dois que ficam de fora, se jogar com um, há três que ficam de fora. Logo, não é fácil para eles segurarem o seu lugar, em função de que sou eu quem decido. Para mim, é muito bom ter tantos jogadores para poder fazer o que fiz hoje, mas para eles não, porque nenhum tem a titularidade assegurada. O Seferovic tinha de jogar hoje meia hora, 20 minutos, após dois meses e tal parado devido a uma lesão, e o jogo proporcionava a sua entrada, porque a equipa precisava de jogadores na área. Dentro da ideia que eu tinha e queria, as coisas saíram bem.”

Benfica-Pacos de Ferreira

Nemanja: ala forte no um contra um

“Clinicamente não sei como está [saiu lesionado durante o jogo]. Ele é um ala na esquerda ou na direita, e hoje foi isso que ele fez, poucas ações defensivas teve. Tanto que é assim que, para tristeza nossa, é ele que está na jogada da Sérvia contra Portugal, que dá o golo, a fazer precisamente a mesma coisa que fez hoje. É uma ala aberto, forte no um contra um… Hoje foi mais um jogo para eu o poder ver. É um jogador que tem andado lá e cá, mas não fez viagens, jogou em Portugal, teve tempo de recuperar, e ainda bem que o lancei no jogo.”

João Mário: sinais positivos para Camp Nou

“O João Mário começou a treinar hoje [sexta-feira], limitado. Os primeiros sinais foram positivos, ainda temos três dias onde ele nos vai dar feedback, mas eu acredito que posso contar com ele para o jogo em Barcelona.”

Benfica-Pacos de Ferreira

A “força e o carinho” dos adeptos

“Quero dar os parabéns aos adeptos do Benfica! É entusiasmante, depois de estares a perder 1-0, fazeres a reviravolta e ganhares por 4-1, fazendo quatro golos nos últimos minutos. O Benfica começou a perder e os adeptos nunca enervaram a equipa, nem nunca estiveram nervosos. Acreditaram sempre que a equipa ia dar a volta ao resultado, e deram-lhe confiança. Isto foi muito importante para viramos este resultado, foi importante para a equipa e também para o treinador. Ajudaram a equipa a ir para a frente, deram força, carinho e isso ajudou.”

Jorge Jesus

400 jogos… e o mais especial!

“Eu olho para a positiva, mas também tive algumas tristezas. O jogo que mais me marcou [em 400 partidas oficiais pelo Benfica] foi a meia-final contra a Juventus. Foi diabólico, contra uma superequipa, em Turim, com um jogador expulso, o Garay lesionado, aguentámos o resultado… essa foi a noite que mais me marcou enquanto treinador do Benfica.”

Um jogo sem VAR

“Quero dar os parabéns ao árbitro [Manuel Oliveira]! Porquê? Porque não precisou de VAR. Teve grande personalidade. Em Portugal, no contacto do um contra um, qualquer jogador que cai no chão é falta, é preciso é cair no chão. E é falta muitas das vezes pelo VAR. Hoje não houve VAR, não foi preciso, e quero dar os parabéns ao árbitro pela sua personalidade. Deve ser sempre assim, com ou sem VAR, eles é que são os árbitros, eles é que decidem. Como já ando a dizer há uns anos, o protocolo do VAR tem de mudar para melhorar o futebol no mundo.”

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