“Ser Benfiquista” já pode ser cantado em língua gestual

Por momentos, Paula Teixeira, cantora e intérprete de língua gestual, teve o Estádio da Luz só para si. Benfiquista de alma e coração, no dia em que se assinala o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa admitiu ter sido “um orgulho e um privilégio” traduzir o hino “Ser Benfiquista”, e considerou que “o Benfica deu aqui um passo gigantesco para a inclusão”.

Em conversa com o Site Oficial, Paula Teixeira valorizou o facto de a música poder, assim, ultrapassar barreiras e “chegar a todos”; destacou o impacto mediático que pode ter a interpretação do hino de um clube socialmente transversal como o Benfica; considerou que, com a pandemia, a língua gestual teve maior “notoriedade”; e deu a conhecer o seu novo álbum, o 4.º da carreira, que se chama “Metamorfose” e que “foi feito em fase pandémica”.

Na conta pessoal do Instagram, a cantora mostrou-se feliz pela interpretação do hino do Benfica em língua gestual e não deixou passar o momento: “Não é todos os dias que tenho o Estádio do SL Benfica só para mim.”

Foi um orgulho e um privilégio estar naquele Estádio e ver a imensidão. Mesmo sem ninguém, estar no centro do relvado é uma emoção. Apesar disso, já estive no relvado há uns anos, quando lancei o meu último disco – não este, que é o 4.º álbum – e ainda dei uns toques na bola com o jornalista. Foi muito engraçado e emocionante, mas o futebol não é, de facto, a minha praia. Eu sou mais música”, afirmou ao Site Oficial.

Paula Teixeira

“O Benfica deu aqui um passo gigantesco para a inclusão [da língua gestual]”

Paula Teixeira, cantora e intérprete de língua gestual

O Benfica não deixa de assinalar esta data incontornável para as pessoas surdas, atitude inclusiva que Paula Teixeira muito elogia.

“Acho que o Benfica deu aqui um passo gigantesco para a inclusão, porque não me lembro de ter visto um clube de futebol fazer esta tradução do hino para língua gestual. Acho que é extremamente importante poder partilhar esta mensagem tão bonita para todos. É importante ver a música passar sem barreiras, achei incrível e agradeço o facto de terem pensado e de terem incluído todos. O Benfica é de todos! A música chegar a todos é um passo extremamente importante”, considerou.

“É extremamente importante, porque valoriza e faz pensar. As pessoas podem pensar: ‘Se eu não ouvisse, iria agora, finalmente, perceber o que se está a cantar, o que se está a viver e a sentir.’ Ou seja, é incrível… já recebi mensagens hoje [segunda-feira, 15 de novembro] de surdos a agradecer e a dizer: ‘Finalmente, o nosso hino está traduzido, finalmente estou a entendê-lo.’ As pessoas vão perceber que não há barreiras. Foi pela primeira vez feito, e as pessoas vão olhar e pensar mais na língua gestual, nas pessoas surdas e valorizá-las. A língua gestual é universal. Vai ter um impacto muito grande, acredito”, acrescentou ao falar do impacto que a tradução do hino “Ser Benfiquista” pode ter na sociedade.

Paula Teixeira

A pandemia da COVID-19 trouxe vários desafios. Um deles foi capacitar-nos para que a mensagem chegasse a todos, sem ruído. Para que assim fosse, os intérpretes de língua gestual foram fundamentais nas comunicações, nomeadamente as governamentais. Este é um passo que Paula Teixeira espera que seja de não retorno.

“Imaginem que não havia tradução durante a pandemia… Como é que as pessoas que não ouvem iam saber as regras? Todos nós temos direito à informação. Ainda bem que acontece, que dão valor à inclusão e que há um intérprete para fazer a ponte de comunicação para que todos tenhamos acesso ao que está a acontecer. Foi extremamente importante e, pela primeira vez, as pessoas começaram a dar valor e notoriedade à língua gestual. Por norma, estamos num quadradinho e muitas vezes nem se dão conta. De repente, o intérprete de língua gestual teve uma relevância extrema e acredito que foi o passo certo. Acredito que isto esteja para durar, que as pessoas deem valor e percebam que há esta forma de comunicar. Todas as áreas deviam ser traduzidas. A pandemia alertou, o Benfica alertou e, todos juntos, fazemos a diferença“, elogiou.

Paula Teixeira

“Recebi mensagens de pessoas surdas a agradecer e a dizer: ‘Finalmente, o nosso hino está traduzido, finalmente estou a entendê-lo'”

Para além de intérprete de língua gestual, Paula Teixeira tem uma carreira como cantora e deu-nos a conhecer um pouco do seu novo álbum, que se chama “Metamorfose”.

Este é o meu 4.º álbum e foi feito em fase pandémica. Tinha começado a compor antes, mas consegui terminar todas as canções e gravá-lo, um feito que me deixou muito orgulhosa. Foi produzido pelo Renato Júnior e foram canções que saíram, realmente, da minha alma. É ‘Metamorfose’ porque é uma transformação pessoal, e estas canções revelam uma nova Paula. Tento também cantar em língua gestual, para que todas as minhas canções consigam chegar a todos. Espero que gostem desta nova sonoridade, que está mais madura. Eu era mais rock e agora estou um pouco mais terra. Espero que chegue à maioria das pessoas e que consigam ouvir”, desejou.

“Foi difícil [gravar durante a pandemia]. Tínhamos de estar em isolamento e tivemos de ter todos os cuidados. Não podia gravar com todos os músicos, tive de fazer uma seleção, mas acabámos por gravar todo o álbum“, revelou Paula Teixeira.

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