Jorge Jesus: “Não vai ser fácil ter supremacia, nem ter tantas hipóteses para fazer golo”

A 10.ª jornada da Liga Bwin coloca frente a frente, no Estádio António Coimbra da Mota, Estoril e Benfica. Jorge Jesus lançou o desafio agendado para as 19h00 deste sábado, 30 de outubro, sublinhando que os encarnados têm de “assumir as suas ideias de jogo” e serem “intensos para poderem ganhar”.

Em conferência de Imprensa no Benfica Campus, o técnico deixou elogios à qualidade do adversário, principalmente no momento defensivo; revelou que João Mário não vai ser poupado a pensar na Champions; explicou por que razão a equipa tem sofrido mais golos; e reiterou que só pensa no Benfica.

Jorge Jesus

“O importante é arranjarmos soluções para estarmos mais perto do golo”

Jorge Jesus

O Benfica está na liderança, o Estoril está a fazer um bom campeonato e tem apenas uma derrota. Que antevisão faz a este jogo?

Normalmente, os jogos na Amoreira são difíceis e o facto de o Estoril estar a fazer um bom campeonato, estar no 4.º lugar e ter apenas uma derrota, tantas como o Benfica, demonstra que é uma boa equipa. Defensivamente, é forte, tem apenas sete golos sofridos. Não é fácil marcar ao Estoril e vai ser um jogo extremamente difícil para o Benfica, não tenho dúvidas. O que nos compete é tentar ultrapassar as dificuldades que o Estoril nos vai colocar, nomeadamente em organização defensiva, por forma a encontrarmos espaço para poder finalizar e estar mais perto do golo. Não trabalhámos em cima disso, porque não tivemos tempo para preparar o jogo, mas sim apenas para recuperar. Estamos habituados a que as equipas que jogam contra o Benfica passem grande parte do tempo em organização defensiva, porque as obrigamos a isso. Todos os jogos do campeonato são difíceis.

O Estoril, frente ao Sporting – o único grande contra quem jogou – alinhou com uma linha [defensiva] de seis. Preparou a equipa a pensar que vão jogar numa linha de seis, ou considera que vão jogar de forma diferente, dado que nesse jogo não tiveram muita posse de bola?

É verdade que defendem com uma linha de seis. Por isso, é que é uma equipa que não sofre muitos golos. Esse aspeto diz-nos que é uma equipa que defende bem e que o Benfica vai ter dificuldades e um jogo sofrido. Não vai ser fácil ter supremacia, nem ter tantas hipóteses para fazer golo. Vai ser um jogo de poucos golos. O importante é arranjarmos soluções para enfrentarmos essa linha de seis jogadores.

Jorge Jesus

Em 2018 perdeu com o Sporting frente ao Estoril e falou do vento. Está previsto mau tempo para este fim de semana. Como se gere um fator destes?

É o habitual no estádio do Estoril [Estádio António Coimbra da Mota]. O momento das equipas faz com que seja difícil, porque o Estoril está forte. Se o tempo estiver mau, se a bola não puder circular e se não houver intensidade, se não houver futebol de qualidade técnico-tático, mas sim mais um futebol tipo ‘salve-se quem puder’, é pior para o Benfica assumir as suas ideias de jogo.

O Benfica tem sentido mais dificuldades em vencer os adversários nos últimos jogos. Este é um jogo em que o Benfica tem a oportunidade de mostrar qualidade e em que os adeptos podem ficar descansados?

Não, porque os adeptos nunca vão estar descansados. Os jogos ganham-se com dificuldade, seja com quem for. Nós, Benfica, para ganhar temos de sofrer. Já tivemos jogos em que ganhámos com um resultado largo, mas nem sempre vai acontecer e acho que amanhã [sábado] também não vai acontecer.

Jorge Jesus

“Sou treinador do Benfica e temos os objetivos bem definidos. Queremos a águia a voar alto para que possamos conquistar os títulos a que nos propomos”

Dado o volume de jogos do João Mário, equaciona fazê-lo descansar com o Estoril a pensar no jogo com o Bayern? Como vai gerir este facto?

O João Mário foi um dos jogadores que não começou o jogo em Guimarães, mas teve de entrar [lesão de Taarabt]. A ideia era exatamente não o deixar tão carregado para este jogo com o Estoril, porque os primeiros minutos deste jogo vão ter de ser intensos para podermos ganhar. O João Mário vai ser, seguramente, um dos jogadores lançados no jogo, independentemente de ter jogado em Guimarães. Por outro lado, há jogadores que não jogaram tanto em Guimarães e que podem dar outra velocidade ao jogo de amanhã [sábado].

Após o jogo com o V. Guimarães elogiou Radonjic e Pizzi. Vai lançá-los com o Estoril?

Ainda temos um treino amanhã [sábado] de manhã. Aí é que vou concluir como estão os jogadores que jogaram em Guimarães, com a informação e notas que me são dadas pelo departamento médico. As minhas decisões vão ser baseados no fator-desgaste para abordar o jogo com o Estoril. Ao terceiro dia após o último jogo, o jogador ainda não recuperou. 

Jorge Jesus

Tem dito que o Benfica não tem tempo para treinar. Em que sentido é que isso pode prejudicar a equipa tendo em conta que vêm aí três jogos difíceis num curto espaço de tempo?

Nem o Benfica, nem as outras equipas que estão nas competições europeias [têm tempo para treinar]. Mas isso não é desculpa, porque estamos onde queremos: a discutir todas as provas. Tivemos de preparar o jogo no plano teórico para as situações que podem acontecer.

Nos primeiros jogos da época, Jorge Jesus elogiou a forma como a equipa estava a defender, mas nos últimos cinco jogos sofreu nove golos. Qual é a razão?

Começámos a perder rotinas, não treinamos… O Benfica sofreu 14 golos em 18 jogos, mas metade sofreu nos últimos três jogos. Os outros sete golos sofreu em 15 jogos. Claro que aqui tem de incluir o Bayern. Não treinar leva a perder as rotinas no que é defender.

Jorge Jesus

Termina contrato no final da época e os adeptos do Flamengo têm pedido o seu regresso. Vê-se a regressar ao Flamengo, ou a prioridade passa por renovar com o Benfica?

Já calculava que me fizessem essa pergunta. Sou treinador do Benfica e temos os objetivos bem definidos. Queremos a águia a voar alto para que possamos conquistar os títulos a que o Benfica se propõe. O pensamento é o Benfica, hoje, amanhã e todos os dias a pensar em melhorar o Benfica. Agora, se me pergunta se fico contente por ver um clube por onde passei a acarinhar-me, claro que sim. Só não me tocariam essas imagens, se fosse insensível. Um treinador tem sempre a mala feita e à porta. Um treinador vive de resultados e eles é que definem as carreiras e momentos de um treinador. O Benfica é a minha casa.

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