Francisco Benítez em entrevista ataca Rui Costa e aponta os três pilares da sua candidatura

Não deixar Rui Costa a falar sozinho e forçar a discussão do futuro do clube da Luz na praça pública são razões que motivaram a candidatura do movimento Servir o Benfica, liderada por Francisco Benítez. Em entrevista ao jornal A BOLA, o candidato diz que pretende uma volta de 180 graus nas práticas que envergonharam tantos benfiquistas. E o futuro, diz, tem de assentar numa auditoria.

– Em entrevista em agosto do ano passado disse que Luís Filipe Vieira tinha lugar na história do Benfica mas a história dele no clube tinha acabado. Esperava que acabasse desta forma negra para a imagem e reputação do clube?

– Infelizmente, sim, esperava. Os indícios que nós tínhamos visto e que tinham sido demonstrados ao longo dos anos apontavam que as coisas não iriam acabar bem e por isso considerei na altura que ele deveria ter saído ao invés de sujeitar-se a este tipo de… enfim… situação que o fez sair pela porta mais pequena do Benfica, prejudicando enormemente a imagem do clube e dele próprio. Mas a realidade é que os indícios apontavam para isso.

– O pós-Vieira não terá Vieira, mas disse que a lista de Rui Costa é mais do mesmo. Porquê?

– Sobretudo porque a mudança que era permitida ao Rui Costa fazer em termos de equipa, começando por aí, não foi feita. Bem pelo contrário, manteve a maior parte da equipa de Luís Filipe Vieira. E ainda acabou por meter pessoas que trazem ainda mais dúvidas sobre elas do que aquelas que já lá estavam…

– … de que nomes está a falar?

– Concretamente de José Gandarez [advogado que chegou a ser ouvido pela PJ no âmbito do caso de corrupção do Freeport], alguém que vem para o Benfica com um peso que não deveria trazer. E o Benfica precisa é de se afastar desse tipo de casos e não trazer pessoas que trazem indícios nessas matérias. Portanto, acho que se perdeu a oportunidade de renovar toda a equipa, que ainda recebeu elementos que não trazem boa imagem para o Benfica. O próprio Rui Costa continua a ter aquele peso da conivência e cumplicidade em todos estes 13 anos. Não podemos chegar aqui e apagar estes 13 anos, para mais quando temos alguém [Vieira] que disse que estava a formar o seu sucessor. Se assim foi, alguma coisa tem daquilo que o anterior presidente lhe deixou. Por isso achamos que é a continuação de tudo o que Luís Filipe Vieira fez, os negócios menos claros, esta pouca abertura para os sócios saberem o que se passa no Benfica, enfim, tudo isso vai continuar e achamos que é o momento de acabar com isso e de encontrar novo rumo para o Benfica.

– Rui Costa falou num processo de averiguação interna. Espera conclusões sobre o mesmo?

– No programa de Rui Costa, e é uma das coisas que mais nos separa dele, não propõe auditoria forense e financeira ao grupo, às empresas, e nós é a primeira coisa que vamos fazer. Se não o propõe, seguramente deve saber o que se passa por lá. Quem não deve não teme e deveria fazer uma auditoria. Quem chega a uma empresa deve fazer sempre uma auditoria profunda para saber exatamente a situação em que ela se encontra.

– O que deve ser o futuro do Benfica?

– Deve assentar nos três pilares que nós defendemos nesta candidatura. Deve prevalecer a transparência, e daí a necessidade de fazer uma auditoria, também propomos um portal de transparência para que os sócios possam efetivamente saber o que se está a passar com todas as especulações que se fazem à volta das transações dos jogadores – saber por quanto foram comprados e vendidos, quem participou no negócio e quanto recebeu; já na SAD os administradores devem ter regras bem definidas sobre os prémios a receber, porque não se pode receber prémios só porque sim. E depois há dificuldade em baixar custos. Um administrador da SAD só deve ser premiado quando há resultados desportivos palpáveis e lucro na SAD. Se as receitas baixam, os custos têm de baixar e não é isso o que acontece hoje em dia na SAD. Os prémios estão lá sempre e depois é difícil controlar custos. O segundo pilar é a tradição democrática e isso passa por rever urgentemente os estatutos. É algo que para nós é importantíssimo. Os estatutos estão mal feitos, praticamente inibem os sócios de poder dialogar com o clube e até de se poderem candidatar. É mais difícil ser candidato a presidente do Benfica do que à presidência da República e isso deve ser alterado. Por último, a ambição, que tem de ser revista.

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