Palavras fortes na campanha de Rui Costa pelo norte do país

Depois da visita à Casa de Barcelos após o jogo em Guimarães, Rui Costa esteve este domingo na Casa do Benfica de Paredes para um almoço-convívio com várias dezenas de sócios do emblema da Luz. Aos presentes, o candidato às eleições presidenciais garantiu compromisso máximo para, caso seja eleito, levar vitórias e títulos para o museu da Luz.

«Vou servir os adeptos e ouvi-los, sempre com o objetivo de ganhar, ganhar sempre. No Benfica ninguém é obrigado a ganhar, mas é obrigado a fazer tudo para ganhar. É uma obrigação para todos os atletas. Queremos liderar no futebol profissional, mas também na formação. Ambicionamos um título europeu de sub19. Já chegámos a duas finais e temos condições para voltar a fazê-lo», disse, recordando as duas finais da UEFA Youth League perdidas.

Durante o discurso, Rui Costa revelou que quer criar um novo espaço no Estádio da Luz: «Sei o que o Benfica e os nossos adeptos precisam e, por isso mesmo, quero criar um espaço do sócio no estádio da Luz, a casa do sócio, para os verdadeiros donos do clube.»

“Não sabia que isto existia, que havia assim casas com a paixão que vocês têm. Nasci, cresci e morri na minha carreira de jogador enquanto benfiquista e os nossos jogadores evidenciam isso, o apoio que sentem no Norte. Esse apoio é sentido dentro do campo, mas falta esta vivência, conhecer esta realidade, que é maravilhosa, que é extraordinária. Fiquei sem palavras. Sou um privilegiado, joguei pelo Benfica em qualquer parte do mundo, hoje como dirigente já percorri o mundo inteiro com o Benfica e sinto isso. Mas faltam estes convívios e é por isso, antes de mais, que toda a gente que estiver comigo no Benfica vai ter de conhecer estas realidades ao vivo. Porque é preciso que as pessoas vejam o Benfica fora do Estádio da Luz. Uma coisa é amar o Benfica e outra coisa é eu ter sido recebido assim, isso faz-me sentir que todo o amor que tenho por este clube vale a pena”

“Sou um chorão, já estava aqui com uma lágrima a sair. Isto leva-me a ser cada vez mais incisivo naquilo que digo. Tenho de acordar e adormecer a pensar no sócio e no adepto do Benfica e todas as ações que tiver de fazer só podem ser com este compromisso, porque são vocês os donos do clube, somos nós, porque eu também estarei desse lado. Como vão acompanhar no meu manifesto eleitoral, a minha maior premissa é servir o Benfica, servir os sócios e adeptos, ouvir os adeptos sempre, mesmo os críticos, porque ninguém é imune ao erro. Eu de certeza irei errar, o menos possível, mas é com os vossos contributos que irei sempre melhorar e trazer mais coisas para o Benfica para nos orgulharmos daquilo que somos. E servir os adeptos é ganhar, ganhar com lealdade, ganhar com os nossos princípios, mas ganhar. É isso que será imposto a todas as equipas do Benfica, quer do futebol profissional, quer da formação, das modalidades e de todas as atividades.”

Após o almoço em Paredes, Rui Costa seguiu para a Casa do Benfica de Vila Nova de Gaia, no Porto, onde voltou a discursar e a mostrar enorme ambição para o mandato 2021-25, caso seja eleito na corrida frente a Francisco Benítez.

“Queremos liderar no futebol, é evidente, somos o clube com mais títulos. Hoje em dia o número mais repetido em Portugal é o 38. Estou farto de ouvir falar do 38, queremos o 39, o 40 e o 41. E vamos com toda a certeza voltar a liderar o futebol português, assim como nas modalidades e até no projeto olímpico, que é algo que também temos de nos orgulhar. Ganhar de forma sustentada, mas como vamos ganhar? Vivemos ainda as consequências da pandemia, que afetou todos os clubes, como o nosso. Apesar disso e apesar das críticas dos nossos rivais, é o mais sustentável, o mais seguro, não deve dinheiro a ninguém, aos seus atletas, funcionários, fornecedores. Temos de ser mais criteriosos em tudo, não importa quantos vamos buscar, importa como chegam cá, quem são e o que vêm trazer”.

“A aposta na formação, para mim, nunca vai deixar de existir, até porque o nosso passado recente nos tem permitido ver jogadores na primeira equipa do Benfica, pela Europa fora, do melhor que há no futebol mundial, que saíram na nossa formação. Então porquê desperdiçá-la? Vamos aproveitá-la da melhor maneira possível, alimentando o sonho dos nossos jovens, o potencial dos nossos jovens para que possamos tirar dividendos para a equipa principal, para que possamos dar a esta juventude um futuro que eles sonham e da responsabilidade que é jogar no Benfica. A aposta será séria, cada vez mais envolvente. Digo-lhes muitas vezes a eles que o espaço está aberto, mas têm de fazer por isso, não pode ser um dado adquirido, sempre pensando que o Benfica tem de ganhar e joga com aqueles que mais servem para ganhar. Temos de criar uma simbiose entre prepará-los o mais depressa e melhor possível para que possam ser os vencedores do futuro.”

“Muito se tem falado da democracia e do estado do clube. Não têm sido tempos fáceis para nenhum de nós, assim como não foi fácil para mim estar a assumir este papel. Não me apoderei de nada, não tive outro caminho senão chegar-me à frente no momento mais difícil. E foi um momento muito difícil para mim também. A minha família só não sofre mais do que está a sofrer porque quando disse ao meu pai que se calhar teria de ser presidente do Benfica, a única resposta que ele que conseguiu dar foi “tens os meus 50 votos”. Nunca irei abdicar dos meus princípios de vida, sempre com muito rigor e clareza naquilo que faço. Não sei funcionar de outra forma e é assim que quero o Benfica. Não vou agradar a toda a gente, não tenha essa presunção, nem sequer quando jogava, mas na minha honra ninguém irá tocar.

“Não nos tirem os nossos adeptos porque nós precisamos deles. Antes de eu ser glória do clube, tenho de perceber como olhava para as glórias. Temos de as fazer voltar a casa. Quando digo isto, e já saiu publicamente que eu ia meter todas as glórias nos cargos todos, mas isso não é uma realidade. Têm de estar perto de casa e temos de valorizar quem nos deu também e vocês têm de ver no clube as vossas referências. As glórias vão voltar a fazer parte da história do clube, porque vão estar presentes nas mais variadas ações que o clube fizer.”

“Temos vaidade pelas nossas infraestruturas. Temos o maior e melhor estádio do país [alguém interrompe a falar do estádio do FC Porto e Rui Costa responde] e é nosso, temos o Benfica Campus, que também é nosso e não há igual, mas não podemos ficar por aqui. Se nós queremos ser ambiciosos, temos de dar as condições necessárias para que os nossos atletas possam evoluir. É dentro disso que na minha cabeça está a construção do centro de alto rendimento. Não farei infraestruturas desnecessárias. Quero uma casa do sócio, que será feita em breve, que lhes dê apoio e a capacidade de poder chegar ao estádio da Luz e ter com quem falar para resolver os seus problemas.

“É um realmente um prazer para mim poder começar esta campanha eleitoral no norte. Para nós, benfiquistas que estamos em Lisboa, muitas vezes não conseguimos reconhecer o quanto é importante para o clube estas manifestações e o apoio que nos temos a Norte. Tenho a consciência plena e a certeza o quanto é importante para nós, todo o vosso apoio, toda a vossa crença e paixão.”

“Tenho aquilo que considero ser o principal atributo para estar neste lugar no Benfica, que é grande paixão que tenho por este clube. O Benfica começa e acaba no sócio. Começa e acaba no adepto. Quem estiver neste lugar, se não estiver também este ideal, tudo aquilo que fizer no Benfica não o faz com o maior interesse que é servir o adepto. E eu tenho muito o hábito de dizer a frase: O Benfica é nosso. E é isso que quero que vejam em mim, com os meus defeitos e virtudes, mas que olhem para mim sempre como um adepto. Tudo aquilo que fizer será sempre com essa premissa. Vivi como sócio do clube, como adepto, cresci nas bancadas e pavilhões do clube. Posso ter eu o cargo que tiver no Benfica, seja jogador, dirigente ou presidente, o que seja, a minha primeira componente benfiquista é o adepto. Dentro disso, é muito fácil perceber que tudo o que fizer será sempre de encontro aos desejos dos adeptos e sócios. Como é obvio, aquilo que queremos é ganhar, ganhar e ganhar. Essa será sempre a minha palavra de honra. Servir os adeptos, ir ao encontro dos adeptos, ouvir os nosso adeptos para lhes dar aquilo que eles querem: ganhar, ganhar e ganhar. Dentro disto, queremos a hegemonia do futebol. Vamos poder ganhar sempre? Se calhar não. Mas cresci com estas frases no Benfica e não as vou perder nunca. Como na vida, ninguém é obrigado a ganhar nada no Benfica, mas somos todos obrigados, e é uma exigência que faço a todos os atletas, que vai desde o futebol às modalidades, fazer de tudo para ganhar e essa é uma premissa que tenho eterna para todos os atletas. Não faz sentido querer servir os nosso adeptos, se não tivermos eternamente esta palavra.”

“Liderar não só no futebol profissional, como também no futebol de formação. Há anos que nos foge o título de campeão da Europa sub-19. Já chegamos várias vezes à final, mas falta-nos esse título e é algo que temos de lutar. Portanto, a formação também será para nós um ponto de grande importância. Ao longo destes anos, temos vindo a ser servidos por muitos jogadores na equipa principal que vem da formação. Está no meu ADN perceber o sonho de cada criança que começa a jogar no Benfica. Vou alimentá-lo cada vez mais, dentro das possibilidades do clube, dentro das capacidades dos jogadores.”

“Nas modalidades, o papel não é diferente. Temos ganho pouco, muito pouco para aquilo que são as exigências do clube e vamos ter de ganhar mais. O Benfica hoje é o único clube em Portugal que nas modalidades de pavilhão tem dez equipas femininas e dez equipas masculinas. É o único clube que faz das suas modalidades um ponto de referência, mas é um clube que não pode entrar só por entrar. Ou entramos para ganhar ou não entramos.”

“A gestão do clube será feita com o maior rigor e a maior clareza para toda a gente. Não quero que o adepto do Benfica não saiba o que se está a passar no clube. Não quero que o adepto não conheça os motivos que nos levaram a vender um jogador ou a comprar outro. Será feito, a cada janela do mercado da minha parte ou de quem estiver a gerir o futebol, uma explicação a todos os nossos adeptos de todas as operações que foram feitas. Quero a máxima clareza e honestidade.”

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