“O clube precisava de ser defendido, sem vazio de presidentes. Não podemos falhar neste ano”

Rui Costa, presidente do Benfica, assumiu, em entrevista à TVI, o «tremendo choque» que abalou o clube a 7 de julho, dia em que Luís Filipe Vieira foi detido no âmbito da Operação Cartão Vermelho.

«Fiquei perplexo, parecia irreal, um filme. Fiquei perplexo, assim como qualquer pessoa que lidasse com ele. Jamais poderia esperar que aquele dia acabasse como acabou, com o presidente detido. Foi um grande drama. Infelizmente, temos tido várias buscas e vários processos, isso é sabido, mas até hoje nenhum deles originou qualquer incriminação. Foi um tremendo abalo no dia-a-dia da equipa de futebol, mas continuamos na esperança de que o processo não passe disto, porque ainda ninguém é culpado», disse o presidente das águias.

Rui Costa não deixou de lembrar que, até ao momento, Luís Filipe Vieira não está acusado. «Quer para ele e para o Benfica, estamos na esperança que o processo não passe disto. Aquele dia foi um choque, um dia dramático para nós», referiu, recusando a ideia de se ter afastado do agora ex-presidente: «Ele sabe que jamais serei ingrato para com ele. Vivi momentos muito felizes nestes 13 anos, foi com ele que voltei. Tivemos de separar as águas e as emoções naquele momento (…) A obra dele nunca será apagada por ninguém, a história vai dar mérito à obra que fez. Naquele momento, no meu discurso, a única coisa em que pensei foi em defender o Benfica de forma intransigente.»

«Nunca vou esquecer Luís Filipe Vieira, não houve intenção de excluir Luís Filipe Vieira do que quer que fosse, queríamos defender os interesses intransigentes do Benfica. Seria o mesmo tumulto se tivesse evidenciado Luís Filipe Vieira naquele dia. Pouco importava Rui Costa ou Luís Filipe Vieira naquele momento, defendi o Benfica e Luís Filipe Vieira faria o mesmo comigo. Apesar do reconhecimento que temos, ninguém está acima do clube. O clube precisava de ser defendido, sem vazio de presidentes», vincou.

Rui Costa recusou revelar se vai a eleições ainda este ano e deixou a garantia de que admitirá rever os estatutos em vigor no Benfica.

«Quem trabalha comigo está proibido de falar em eleições. Quero estabilidade e foco na preparação das épocas no futebol e nas modalidades. Eu jamais aceitaria ser o príncipe herdeiro do Benfica, se acontecer será apenas por exclusiva vontade dos sócios. Admito rever os estatutos, mas não nesta altura, porque temos de nos adaptar às novas realidades e aos desejos dos sócios do clube. Mas tudo a seu tempo. O foco é o que acabei de referir. Temos o apuramento para a Liga dos Campeões já no imediato. Estes são os meus focos», disse Rui Costa à TVI.

Rui Costa mostrou-se confiante no apuramento das águias para a fase de grupos da Liga dos Campeões, com o presidente das águias a reconhecer o tremendo falhanço na temporada passada.

«Falhámos na temporada passada, não podemos falhar nesta. Um clube desta dimensão tem de estar na Liga dos Campeões. Não serei hipócrita, o dinheiro é importante mas o prestígio desportivo, um clube com uma dimensão europeia como o Benfica… É importantíssimo. Não podemos não estar na Liga dos Campeões», disse Rui Costa, projetando o confronto com o Spartak Moscovo.

«Tenho a certeza de que Rui Vitória, um treinador que já deu muito a esta casa, não vai ganhar a Jorge Jesus. Estou certo disso, vamos estar na Champions.»

Sobre o mercado de transferências, Rui Costa assumiu que irá haver mais mexidas: «Tivemos como prioridade colmatar uma das lacunas identificadas, que era no meio-campo, e trouxemos um 6 e um 8 (Meité e João Mário), que já poderão jogar na Champions. O mercado não está fechado, teremos de ser ambiciosos mas cautelosos. Até final haverá mais mexidas independentemente da Liga dos Campeões.»

Rui Costa mostrou total confiança e apoio ao trabalho desenvolvido por Jorge Jesus, deixando a certeza de que os erros cometidos na época passada estão identificados e serão corrigidos.

«Jorge Jesus não era o treinador do Luís Filipe Vieira, é o treinador do Benfica e continuará a ser. Não se pensa noutra coisa. É um treinador com enorme sucesso, embora reconheçamos que a época passada correu muito mal a todos, por variadíssimas razões. Partimos para esta época com uma ambição tremenda de voltar a ganhar.

– Não posso colocar Jorge Jesus em causa. Ainda nem a época começou e já se pondera se o treinador continua ou não? Isso para mim nem é futebol. Vamos entrar com a maior das ambições, vamos chegar à Liga dos Campeões e Jorge Jesus vai fazer o seu caminho como já fez no passado. Não podemos falhar neste ano», reiterou em entrevista à TVI.

Rui Costa anunciou que «haverá mais mexidas» no plantel do futebol profissional, independentemente de a equipa se qualificar ou não para a fase de grupos da Liga dos Campeões. A entrada em cena esta época na terceira pré-eliminatória obrigou o Benfica a preocupar-se, primeiro, com a «prioridade de preencher a zona do meio-campo.»

«Estava identificada pelo nosso treinador uma das nossas lacunas. Prontamente conseguimos trazer dois médios, um 6 e um 8, que podem já fazer os jogos da Liga dos Campeões. O mercado não está fechado, só fecha a 31 de agosto. Temos de ser ambiciosos e cautelosos», disse em entrevista à TVI, acrescentando: «As contratações serão dirigidas por mim. Sou o presidente e assumirei essa responsabilidade como todas as outras, mesmo estando a ser apoiado por uma Direção muito forte. Apoio-me na Direção, mas sou responsável pelas decisões tomadas.»

Luís Filipe Vieira autorizou Pinto da Costa a gravar uma entrevista ao Porto Canal num camarote do Estádio da Luz. «Não daria autorização», disparou Rui Costa em entrevista à TVI, embora tenha afirmado, também, que não conhecia «os contornos que levaram à autorização» do anterior presidente.

«Respeitando a decisão de Vieira, não aceitaria. Também não pediria para fazer uma reportagem sobre mim no Estádio do Dragão ou no Estádio Alvalade».

Benfica e FC Porto são adversário no campo e nos tribunais – «É sabido, não há cá nada a esconder», disse o presidente dos encarnados – e Rui Costa promete defender «de forma intransigente o clube». O mesmo se aplica ao Sporting.

«Não vou estar com demagogias e dizer que somos ou não amigos. Somos rivais. Merecerão respeito da minha parte e do Benfica. Defenderei sempre o clube», rematou sobre o assunto.

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