Helton Leite: “É um orgulho muito grande fazer parte deste clube”

Helton Leite, dono da baliza do Benfica na última época, foi o mais recente convidado do ‘podcast’ Atletas pelo Mundo, no qual abordou a modernização da tarefa de guarda-redes, notou diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu e assumiu imaginar-se, um dia, como dirigente

«O Benfica é gigante, tudo no clube é muito… É um clube muito especial, que marca. Estou no Brasil e dizem-me que viram todos os meus jogos, isso significa que o clube é muito grande. É um orgulho muito grande fazer parte deste clube», disse o guarda-redes, logo expressando o seu desejo:

«Espero ficar no Benfica muito tempo, ser muito feliz e dar alegrias a todos os adeptos. Era um sonho meu estar num clube grande e hoje estou a viver esse sonho, e tenho cada vez mais vontade de melhorar, crescer e estar preparado para os desafios que vão surgir.»

Helton Leite desejou ainda o rápido regresso dos adeptos ao estádio: «É um desejo nosso. Esperamos que seja feito com toda a segurança, mas futebol com estádio vazio é uma tristeza. Não somos ninguém para decidir, mas que os adeptos possam voltar rapidamente para dar sentido ao futebol.»

A evolução da posição de guarda-redes: “Há alguns pontos fundamentais no guarda-redes moderno para utilizar o potencial total da posição: o guarda-redes que constrói o jogo a partir de trás, que é opção para jogar por trás, que sai da baliza a cruzamentos ou bolas na profundidade, o guarda-redes que defende muito bem e tem um perfil de liderança notório. E eu acho que hoje já existem ideias de jogo que potenciam esse tipo de guarda-redes. Mas o principal continua a ser defender muito bem, claro. Acho que o crescimento dos guarda-redes não passa tanto por fazer mais coisas do que estes guarda-redes modernos já fazem, mas sim fazer melhor, cada vez com um nível melhor em todas as situações, porque o futebol hoje já exige muito à posição, o que é algo muito bom.”

Diferenças entre futebol do Brasil e da Europa: “A principal diferença é o contexto tático existente no futebol português. O futebol português hoje é muito tático. O futebol brasileiro é muito alegre, muito positivo, para a frente, com espaços, os jogadores são criativos, e isso é bom, porque é algo que diferencia o jogador brasileiro e tem de continuar e ser cultivado. Só que o aspeto tático é muito forte na Europa e em Portugal. Quase todos os trabalhos de guarda-redes aqui são físicos, técnicos e táticos. Regra geral, os trabalhos são integrados. Porquê? Porque a tática está presente em todos os momentos. Por exemplo, num exercício de cruzamento. Esse exercício é tático, porque a bola está colocada num determinado ponto, com determinadas referências, e consoante isso a minha ação técnica deve ser uma ou outra. As variáveis táticas são sempre incluídas nos treinos e estão sempre presentes. O trabalho tático tem que ver com tomar decisões, e o jogo de futebol é um jogo de decisões. As partes técnicas, mental e física são muito importantes, mas a tomada de decisão está sempre lá. Quanto mais decisões corretas um jogador tomar, melhor ele será, porque ninguém toma só decisões corretas. Se em 10 decisões, acertares 8 ou 9, és um jogador de nível muito alto. A tomada de decisão é cada vez mais importante. O desafio que Portugal me traz hoje é muito este.”

Planos para quando deixar jogar: “Não sei bem onde vou morar quando acabar de jogar, estou aberto a muita coisa. Gostaria muito de trabalhar com futebol, mas não dentro de campo. Gostaria de estar mais em casa, mais com a minha família. Eu posso estar dentro do futebol, dentro de um clube em alguma função de dirigente, ou ser empresário de futebol, há muitas áreas para explorar… Eu penso ficar ligado ao futebol, mas não penso ficar ligado a uma função dentro do campo. Tenho ainda muitos anos de carreira pela frente, sonho com, pelo menos, mais 7 anos, mas não sei o que quero fazer depois, só sei o que não quero e isso é uma função dentro de campo. Depois as coisas vão acontecer naturalmente. Agora sei que é importante gerir bem os recursos que ganho, para poder ajudar outras pessoas, fazer investimentos, viver bem, tudo isso é importante e faz parte. O tempo passa muito rápido, lembro-me de estar nos sub-20 e daqui a nada já deixo de estar nos sub-30.”

Referência como guarda-redes: “Van der Sar [ex-internacional holandês].”

Em cerca de uma hora de conversa, Helton Leite revelou ainda o motivo de jogar com o número 77: «Quando cheguei ao Benfica, o número que eu queria já estava utilizado. Pensei no 77, porque o 7 é um número especial, além da importância religiosa e na bíblia. O meu avô faleceu em 2007 com 77 anos e foi uma oportunidade de homenageá-lo.»

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