Benfiquista da “Geração de Ouro” recorda história de vida e a mão de Carlos Queiróz

Era para ser uma simples apresentação do livro A Geração de Ouro, de Hugo Sarmento e Duarte Araújo, mas acabou por ser um desfilar de emoções, desabafos e agradecimentos.

Se para Carlos Queiroz a gratidão vai para quem o motivou a ir além do estabelecido e para o talento dos jogadores, para estes há um herói. E deu para percebê-lo na hora em que Queiroz chegou à Faculdade de Motricidade Humana. Atraído como um íman, o treinador detetou à direita um grupo de jogadores que com ele deram a Portugal títulos Mundiais de futebol e desviou-se de tudo e todos. Sorrisos, mesmo por trás das máscaras, e felicidade indisfarçável.

Como nos encontros de velhos combatentes, ali a camaradagem e amizade imperaram na tarde desta segunda-feira.

Hugo Sarmento, um dos autores do livro, conduziu com mestria quase três horas de conversa e arrancou testemunhos comoventes, com o de Gil, que chegou a ser apontado como um dos avançados com mais futuro e cuja carreira nunca levantou voo para outros patamares. Por causa das lesões que Queiroz referiu, mas não só…

«Sofri uma lesão muscular em Israel e ia recuperar, mas havia fase final do campeonato nacional de juniores e levei duas ou três infiltrações para jogar. A partir daí sofri lesão atrás de lesão. Além disso, tive o azar de ir emprestado depois para escalões inferiores e em todas as equipas onde joguei ficavam a dever-me 7 meses a um ano de salários. Havia contratos oficiais e os paralelos. Os oficiais caíam, mas os paralelos nunca», contou Gil, que apareceu vestido com uma t-shirt branca com o número 1 e o nome Neno gravado nas costas, em homenagem ao antigo guarda-redes de Benfica e Vitória de Guimarães, que recentemente morreu vítima de paragem cardíaca.

As dificuldades financeiras que viveu, levam Gil a passar por momentos complicados. E foi o próprio que os lembrou, recordando que sempre – em todos os momentos – houve um amigo que esteve presente: «Tenho profunda gratidão e tenho de agradecer a este senhor por tudo o que fez por mim. Em 1997 gastei todo o meu dinheiro para o mandar o meu pai para Portugal, para tratar um cancro. O médico disse-me a dada altura que o meu pai tinha alguns dias de vida e eu não tinha dinheiro para fazê-lo regressar a Angola. Telefonei ao professor Carlos Queiroz a contar a situação e ele disse-me para ir à agência de viagens do Sporting e para marcar as viagens que fossem necessárias. Estou muito agradecido. Graças a Carlos Queiroz não vendi a minha casa em Massamá. Ele disse-me para não o fazer, que era a única coisa que tinha e que se tudo corresse mal podia abrir a porta entrar lá e chorar lá dentro. Nunca cheguei a vendê-la e hoje tenho-a graças a este homem, que é o meu padrinho de casamento. Obrigado por tudo».

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