“É uma questão de tempo até Everton se adaptar ao entendimento táctico do Jorge Jesus”

Idolatrado no Brasil, Everton Cebolinha ainda não conseguiu de águia ao peito o mesmo estatuto que obteve ao serviço do Grêmio. 69 golos em 274 jogos pela equipa de Porto Alegre fizeram dele um dos ídolos da torcida e um dos mais respeitados jogadores do Brasil, sendo presença assídua da seleção canarinha. Por cá, a desconfiança tem-se instalado. Sete golos e dez assistências em 43 jogos não são ainda números suficientemente fortes para convencer os adeptos da águia.

A exibição em Tondela, sobretudo na primeira parte, deu um forte contributo para afastar essa imagem. Uma assistência, um golo e algum perfume do futebol pelo qual era conhecido no Brasil, aquele futebol que deixava os adversários a chorar. Jesus tem pedido paciência.

«O golo que ele apontou [em Tondela]… ele fazia muitos idênticos no Brasil. O Everton não é só um jogador que dá assistências. No Brasil, ele fazia 18 a 20 golos por temporada. Está habituado a fazer golos. Ele é um jogador um pouco introvertido. Pouco a pouco, está a soltar-se. Creio que vai fazer uma reta final de campeonato no nível dele», sustentou Jorge Jesus, que já apontou as «diferenças táticas entre o futebol brasileiro e o português» para explicar as dificuldades de adaptação sentidas por Everton na primeira temporada na Luz.

Algo que Kaliel Dorneles, setorista do Grêmio no site Minha Torcida, no qual acompanhou de perto a ascensão de Everton, também acredita estar a dificultar a afirmação de Everton: «Vendo de fora penso que o Everton ainda não conseguiu corresponder às expectativas do Benfica pela questão tática. O futebol brasileiro é caracterizado por ser um futebol mais individualista, onde se preservam muito as jogadas individuais, a qualidade técnica em si e deixa-se a tática em segundo plano. Aqui, no Brasil, os treinadores não tratam a tática como prioridade, ao contrário do que acontece aí na Europa. Acredito que é uma questão de tempo até o Everton se adaptar totalmente à questão do entendimento tático do Jorge Jesus.»

O treinador encarnado está, na verdade, a moldar «um rebelde para o futebol europeu». «No Grêmio e no futebol brasileiro há essa diferença em relação à Europa, onde se dá mais ênfase ao entendimento e à função de cada jogador dentro de campo», acrescentou Dorneles.

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