Jorge Jesus: “Isto não é como começa, é como acaba.”

Jorge Jesus deixou elogios ao Santa Clara, “um dos melhores adversários deste Campeonato”, e, em conferência de Imprensa, admitiu lançar a dupla de ataque Seferovic-Darwin no onze que o Benfica vai apresentar no jogo da 29.ª jornada da Liga NOS, às 19h00 de segunda-feira no Estádio da Luz.

Desafiado a falar sobre o futuro de SamarisAndré Almeida e Jardel, três dos jogadores mais experientes do plantel, o técnico encarnado destacou a importância do trio na liderança do grupo.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

É responsabilidade do Benfica fazer uma grande exibição neste jogo com o Santa Clara?

A responsabilidade do Benfica é sempre a mesma, é ganhar. Se conseguirmos ganhar com uma grande exibição, ainda melhor, mas também sabemos o adversário que vamos encontrar. É um dos melhores, está a fazer um campeonato excelente e está ainda a disputar uma possibilidade de poder entrar nos cinco a seis primeiros classificados. É um adversário que já deu sinais de que não é fácil de vencer. Joga bem, com uma boa ideia de jogo, bem trabalhada e isso são tudo indicadores de que teremos um jogo difícil. O Benfica agora nem créditos tem. Já joga sempre para ganhar e, neste momento, perdendo pontos é complicado em função do nosso concorrente direto, neste caso, o FC Porto. Haverá momentos do jogo em que o Santa Clara nos vai complicar. É uma equipa que joga bem, sabe criar posicionamentos e, tirando os quatro grandes e primeiros classificados, é a equipa com menos golos sofridos e mais marcados.

Otamendi é, nesta altura, o jogador mais amarelado do Campeonato, mas não faz parte sequer do top 20 dos jogadores mais faltosos. Os árbitros tendem a condicionar o Benfica? 

É um jogador que, nos lances individuais, disputa com a agressividade do jogo, como qualquer defesa tem de fazer. Tem vindo a melhorar com o Campeonato, e o facto de ser o jogador com mais cartões amarelos também tem muito a ver com a caraterística dele. Se calhar, o Jan [Vertonghen] é o que tem menos, porque poucas faltas faz. Há jogadores que, pelas suas características individuais defensivas, são mais propícios a ter mais cartões amarelos do que outro.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

“Isto não é como começa, é como acaba.” Esta frase foi várias vezes usada por Jorge Jesus. Tendo em conta a sua frase e aquilo que tem acontecido nesta fase do Campeonato, acredita que se não fosse a questão da COVID-19, o Benfica estaria a lutar pelo Campeonato?

Tenho a certeza, mas não quero falar mais disso. Isso aconteceu em janeiro e não tenho dúvida nenhuma que estaríamos a discutir o Campeonato, mas isso era se não tivesse acontecido. No futebol não há muitos “ses”. Isto não é como começa, é como acaba e, agora, o Sporting está em vantagem pontual perante os dois rivais. O resultado contra o Gil Vicente, em casa, tirou-nos alguma esperança de chegar mais perto do primeiro lugar.

O Benfica marca mais golos fora de casa. Porquê? Recuando no tempo, há 13 anos que isto não acontecia, nunca acontecera com Jorge Jesus na sua primeira passagem pelo Clube…

Essa é uma estatística factual. Na prática, não encontramos o porquê de acontecer. Há sempre uma justificação e uma resposta para poder tentar perceber. Nunca me debrucei sobre isso, mas se calhar é porque, quando o Benfica joga na casa dos rivais, as equipas jogam com outra expectativa de poder ganhar, não jogam tão fechadas. Poderá ser isso. Quando jogam no Estádio da Luz, independentemente de ter adeptos ou não, as equipas, como é normal, trazem uma tática muito mais conservadora, muito mais fechada. Isso faz parte da estratégia de todos os treinadores, não digo isto com um sentido crítico.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

No final do último jogo, Darwin falou das diferenças que existem entre ele e Seferovic, disse que se sente mais entrosado a jogar ao lado do colega. Concorda com esta análise? Poderemos ver essa parceria no ataque no jogo com o Santa Clara?

O Darwin chegou, o Seferovic já estava cá, pelo que é normal agora terem um conhecimento muito melhor um do outro, cada um nas suas características individuais, para terem uma ideia de jogo. É muito importante os dois avançados conhecerem-se muito bem. O Darwin também tem vindo de um problema físico que o tem limitado, a pouco e pouco tem jogado com alguns sintomas, porque criou uma tendinite. Ele tem de andar a jogar até a dor lhe passar, e isso faz com que ele ainda não se tenha aproximado do rendimento que nos indicou e que todos vimos no início do Campeonato. Se podem jogar juntos… Claro que podem! Jogaram muitas vezes e a minha ideia de jogo passa também por aí. Ainda temos um treino amanhã [segunda-feira] de manhã que me vai tirar muitas dúvidas em relação a um ou outro jogador. Pode acontecer aparecerem os dois no jogo, disso não tenho dúvida nenhuma.

Pensa em manter o sistema de três defesas neste jogo?

Criámos duas ideias, dois sistemas. Optamos jogo a jogo pelo que achamos melhor e consoante aquilo que é o desenvolvimento da equipa relativamente ao sistema A ou sistema B. Essa variante tem alguma influência de estratégia. A pergunta que me colocou, o treinador do Santa Clara também irá colocar para saber se vamos jogar com dois ou com três defesas-centrais. Não vou dizer com quantos defesas vou jogar, mas, em qualquer um dos sistemas, a equipa está bem.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

O presidente do Grémio revelou publicamente que Everton disse “não” a um regresso ao Grémio porque quer vencer na Europa, quer vencer no Benfica. Vai ajudá-lo a afirmar-se e a vencer?

Acredito tanto hoje como acreditei no primeiro dia em que pedi ao presidente do Benfica para contratar o Everton, que estava no Grémio. Acredito no futebol dele, sei que ainda não chegou aos patamares a que pode jogar. Em Portugal jogamos um futebol com muito mais pormenor tático do que no Brasil, taticamente os treinadores portugueses são melhores. No Brasil é o talento e a qualidade do jogador que, muitas vezes, resolve os problemas. Tanto o Pedrinho como qualquer avançado brasileiro que chegue à Europa tem dificuldade, porque, defensivamente, as equipas são muito mais fortes, e isso dificulta as ações individuais desses jogadores. O Everton, na época que vem, será o Everton em que acredito e que conheci no Brasil.

Samaris, André Almeida e Jardel. Há espaço para eles na próxima época?

Desses três, dois têm contrato. O caso do André e do Samaris. O Jardel é que acaba contrato. Isso só se coloca em questão com um, mas há jogadores que podem não ser muitas vezes titulares comigo durante uma época desportiva, numa perspetiva de gerir um grupo, mas podem ser muito importantes para uma equipa. Desses três, qualquer um deles é importante para o equilíbrio da equipa e são importantes na liderança do grupo, contudo, não falei com nenhum deles sobre o seu futuro.

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