Jorge Jesus realça protagonismo dos jogadores desvalorizando as arbitragens

O Benfica desloca-se, neste sábado (20h30), à Capital do Móvel para defrontar o Paços de Ferreira, em encontro da 26.ª jornada da Liga NOS. Jorge Jesus alerta para as dificuldades frente ao 5.º classificado, mas garante uma equipa preparada.

A prestação do conjunto pacense no seu reduto, a consistência defensiva das águias e os índices motivacionais foram apenas alguns dos temas abordados pelo treinador na conferência de Imprensa de antevisão à partida…

Jorge Jesus, treinador do Benfica

A jogar no Estádio Capital do Móvel, o Paços de Ferreira tem apenas uma derrota. Quais são as suas expectativas para este jogo? Que análise faz a este adversário?

Há alguns dados factuais que mostram a capacidade e aquilo que a equipa do Paços de Ferreira está a fazer, sobretudo no seu estádio onde apenas perdeu com o Sporting. É um alerta para percebermos que vamos ter um jogo difícil, mas nós, nas dificuldades, não vamos ao encontro do adversário. O Benfica tem de jogar sempre para ganhar, e agora muito mais para poder recuperar e passar o segundo classificado. Essas dificuldades não são muito importantes em termos de nome de adversário, mas também é verdade que vamos ter momentos difíceis no jogo. O adversário vai lutar por esses momentos. O Benfica está preparado para isso, sabemos que temos condições para sair de lá com uma vitória. Estamos muito confiantes, motivados, vamos enfrentar este adversário com respeito, tal como fazemos com todos os outros, mas pensando que temos todas as capacidades para trazer os três pontos.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

Nesta temporada, no Campeonato, o Benfica ainda não venceu com Hugo Miguel a arbitrar. Tem receio que, nesta reta final do Campeonato, o protagonista seja a equipa de arbitragem?

Nem penso nisso. Os protagonistas têm sempre de ser os jogadores. Ao longo deste Campeonato, nunca nos manifestámos quando fomos prejudicados, nem nos vamos manifestar agora, quando já passou algum tempo. Acreditamos nas nossas capacidades, acreditamos que temos valor para vencer o Paços de Ferreira, e que a terceira equipa também tenha valor para estar ao nível de duas grandes equipas. Esse não foi o meu foco durante a semana, o meu foco foi tentar trazer para o jogo as nossas ideias pensando no adversário e não na equipa de arbitragem.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

O Benfica apresentou consistência defensiva nos últimos jogos [não sofre golos na Liga NOS há 590 minutos]. A que se deve isto? É por haver mais trabalho da equipa em todo o processo defensivo? Ou as entradas de Lucas Veríssimo e de Helton Leite também ajudaram um pouco?

De tudo um pouco. O facto de a equipa estar há seis jogos [cinco da Liga NOS e um da Taça de Portugal] sem sofrer golos tem a ver, exatamente, com o facto de termos tido mais tempo para trabalhar o conjunto. Quando estamos num processo defensivo temos dois momentos: o momento coletivo e o momento individual. A equipa melhorou muito coletivamente. Os jogadores sabem hoje muito mais aquilo que têm de fazer e isso faz com que a equipa, neste período da segunda volta, seja uma das que mais pontos fizeram. Isto é fruto de uma organização defensiva forte e também da entrada de alguns elementos. O Lucas [Veríssimo], o Helton e o Diogo [Gonçalves]. Foram três jogadores que entraram na última estrutura defensiva da equipa e que melhoraram. Os factos são reais. Agora é continuar a melhorar. Não faltam muitos jogos para que consigamos alcançar um dos objetivos, ser a equipa com menos golos sofridos no Campeonato Nacional.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

Tendo em conta o percurso recente do Benfica, sente que, se o Campeonato começasse agora, a história seria diferente?

As equipas têm períodos bons e não tão bons. Quando têm períodos não tão bons, é preciso saber o motivo. Nos períodos não tão bons, soubemos o motivo, e soubemos que não tínhamos nada a ver com isso. Não posso responder diretamente à pergunta porque o mundo foi embrulhado numa situação que todos sabemos qual é e que em todas as áreas tem um grande significado negativo. Não fugimos a esse problema que afetou o mundo, e que nos afetou muito em janeiro. Agora, libertou-nos. Começámos a trabalhar com todos, a estar muito mais juntos diretamente, e as coisas foram melhorando graças ao trabalho, a mais horas, a mais ligação entre o grupo… Os resultados responderam pela positiva. Não vamos fugir à realidade. Perdemos muitos pontos e agora andamos atrás deles, jogo a jogo. É pensar que estamos em terceiro e queremos chegar à segunda posição. Se agora começasse teríamos mais hipóteses? Não, porque do que fizemos antes, nada foi mal feito da nossa parte, jogadores, equipa técnica e estrutura. São coisas que não conseguimos controlar. Aconteceu ao Benfica. Esses dois meses foram fatais.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

Relativamente ao calendário e tendo em conta que também já passou por isso, sente que o FC Porto está mais fragilizado no tempo de recuperação visto que tem de jogar a meio da semana?

As equipas que sonham com objetivos diferenciados, como é o caso do Benfica, do FC Porto e do Sporting, e que querem estar na Europa têm de sofrer pelo sucesso. Sabemos, treinadores, que o espaço de três dias praticamente que não dá para recuperar a equipa para o jogo seguinte, mas isso é o preço de estar numa equipa grande. Eu preferia estar a jogar no sábado e depois, logo a seguir, estar a disputar os quartos de final da Liga Europa.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

Na última jornada o Benfica recuperou pontos em relação ao primeiro classificado. Isto traz motivação à equipa? Vê o Sporting perder algum gás nesta fase do Campeonato?

Andamos à procura dos rivais que estão à nossa frente. Estamos motivados, a demonstrar qualidade e sabedoria para podermos recuperar a nossa classificação. Neste momento, a nossa grande motivação é tentar recuperar a segunda posição, que é muito importante. Faltam nove jornadas, depois oito… e depois há menos pontos para recuperar. Em relação ao segundo classificado, estamos num leque de nove jornadas em que três pontos são um jogo. Agora, a pontuação em relação ao primeiro classificado projeta-se noutro cenário. Estamos dependentes deles, mas não temos essa competência. Temos a competência de querer ganhar todos os jogos e ultrapassar os adversários, eles têm de perder. O facto de o Sporting ter empatado um jogo… Um jogo não diz nada. A soma de muitos jogos num período negativo pode querer dizer alguma coisa, mas um jogo não me diz nada. Não é um sinal negativo.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

No decorrer desta época, sente que já contribuiu para a valorização de muitos jogadores? Pretende aproveitar esta dinâmica vitoriosa para valorizar os jogadores que tem neste plantel?

Quando se está num grande clube há mais possibilidades de poder adquirir jogadores porque somas mais que outras equipas. Se dermos exemplos fora de Portugal, o Pep Guardiola também é um dos que mais compram jogadores porque está numa equipa com capacidade para isso. Também é por isso que ele ganha o que ganha (estou a falar de títulos), e é um treinador de top no mundo. Tudo isso acaba por complementar. Está em sintonia e nada está separado. Também é verdade que, nestes meus anos, em todos os clubes onde passei, as equipas onde trabalhei foram compensadas financeiramente pela venda de muitos jogadores. Nem é preciso olhar para o Benfica. Se olhar para o antes, na altura do Belenenses, nunca o clube fez tanta transação financeira de jogadores como no meu ano. Está tudo associado e o Benfica tem jogadores, agora, que individualmente estão a projetar-se a um melhor nível. O Luca Waldschmidt, como foi falado, é um deles, tal como existem outros. Faltam nove jogos e vamos ver, até ao fim, se o Benfica continua a crescer e a ter uma pedalada para ser melhor que os nossos rivais. Neste momento, estamos focados em ultrapassar o segundo classificado, esse é o nosso grande objetivo.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

Considera benéfico voltarmos às 16 equipas no Campeonato Nacional e termos a meia-final da Taça, por exemplo, a um jogo em campo neutro em vez das duas mãos?

Isto tem duas questões distintas e com objetivos diferentes. As equipas que lutam pelas competições europeias, face à calendarização, ficam com mais jogos e menos dias para recuperar. Mas também temos de olhar para os que não vão às competições europeias. Se houver menos jogos, há menos competição nessas equipas. Para as equipas grandes isso é o ideal, e não é o facto de se retirar um jogo que vai ser negativo ou positivo. Agora, que é muito melhor para as equipas que querem chegar à final da Taça de Portugal jogar uma meia-final a um jogo, não tenho dúvida nenhuma. Cada um puxa a brasa à sua sardinha. Percebo perfeitamente as duas partes.

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