Jorge Jesus: “Acertámos umas coisas ao intervalo e a segunda parte foi melhor”

Em conferência de Imprensa, Jorge Jesus fez a análise ao Belenenses SAD-Benfica, jogo da 22.ª jornada da Liga NOS que as águias venceram por 0-3. Os segundos 45 minutos foram de qualidade e deixaram sinais positivos.

Foram várias as mudanças sentidas da primeira para a segunda parte, e Jorge Jesus, primeiro na zona de entrevistas rápidas, depois em conferência de Imprensa, explicou os motivos. O técnico abordou as correções feitas ao intervalo, bem como a importância da solidez defensiva e do crescimento ofensivo da equipa, quer a nível individual, quer coletivo. Jorge Jesus olhou para o que falta da época e vincou que a sua equipa está mental e emocionalmente muito forte: os sinais assim o mostram!

Equipa reunida

Análise ao jogo e a mudança

“Na primeira parte sentimos que faltava alguma coisa para entrar na última linha do Belenenses SAD. Não é fácil jogar e ganhar aqui, aliás, dos grandes, só o Sporting ganhou aqui 1-2, o SC Braga – que também é um grande agora – perdeu, o FC Porto empatou… Nenhuma equipa fez três golos ao Belenenses SAD nesta época. Era preciso irmos em busca de outros movimentos que na primeira parte não fizemos.  Não conseguimos jogar entre linhas, principalmente os nossos alas e o nosso segundo avançado. Nunca conseguiram ganhar vantagem quando a bola entrou entre linhas neles… Esse foi um dos grandes problemas da primeira parte, não demos profundidade ao jogo. Foi um dos temas que falámos durante o intervalo e melhorámos. Foi isso que fez a diferença da segunda parte para a primeira. Começou a entrar aquilo que tínhamos falado ao intervalo e fizemos três golos. Depois do 0-3 tentámos a gerir o resultado. A equipa decaía nas segundas partes, mas agora não. Quando assim é fica mais fácil vencer. Parabéns, mais uma vez, à equipa do Benfica, que jogou num campo também com um relvado ‘manhoso’. O Belenenses SAD fez tudo para ter um relvado bom, mas este relvado nunca teve qualidade; uma iluminação também ‘manhosa’, mas foi bom porque com estes defeitos todos a equipa acabou por ganhar por 0-3.”

Festejos

Melhor fase do Benfica?

“É a fase da recuperação. A equipa esteve um mês [janeiro] toda ela infetada [com COVID-19] e isso pagou-se caro. Agora temos de recuperar jogo a jogo. Esta é uma equipa que emocionalmente está muito forte, não é fácil estarmos a tantos pontos da liderança e termos esta qualidade e confiança. Quero dar os parabéns aos jogadores porque, face à nossa classificação, a equipa não joga a tremer, joga com muita qualidade e confiança. Na segunda parte disse que íamos ter oportunidades e que não poderíamos falhar porque poderíamos estar sujeitos a sofrer um contragolpe. E a equipa do Benfica foi muito melhor na segunda parte, sem dúvida. A equipa do Belenenses SAD foi morrendo com os golos, foi-se entregando.”

Belenenses SAD-Benfica 22.ª jornada Liga NOS

Seferovic e os posicionamentos

“Tenho falado muito com o Seferovic, tenho-o corrigido muito, sobretudo posicionamentos na área. E ele tem melhorado, a pouco e pouco. Tenho-lhe dito que normalmente os pontas de lança do Benfica, comigo, fazem 30 golos… Tenho estado a tentar corrigir posicionamentos na área, tanto a ele como ao Darwin e ao Gonçalo Ramos, que é o mais novo. O Seferovic fez um bom jogo, está a melhorar e a perceber coisas que não tinha e ganhámos mais um jogo. As nossas contas são jogo a jogo.”

Grimaldo

Importância do jogo coletivo para os golos

“Seferovic, pelas suas características, precisa do jogo coletivo da equipa a criar situações para ele finalizar. Não é um jogador como o Darwin, que, em condições normais, agarra na bola, tira da frente e faz golo, porque é muito rápido. O Seferovic e o Gonçalo Ramos são jogadores mais posicionais. Temos vindo a trabalhar nisso, até na perda da bola. Está a melhorar. Quando os jogadores melhoram individualmente, a equipa também melhora coletivamente e é isso que está a acontecer ao Benfica. Falámos dos golos, mas não falámos das assistências do Grimaldo. São grandes assistências! É um jogador com características ofensivas também muito fortes e especiais.”

Diogo Gonçalves

Grimaldo e Diogo Gonçalves nas laterais

“A equipa tem vindo a crescer com alguns jogadores que entraram e não jogavam tanto, como o Lucas [Veríssimo] e o Diogo [Gonçalves]. O próprio Helton tem sido um guarda-redes que desde que entrou tem dado segurança à equipa defensivamente. Diogo e Grimaldo são dois laterais que têm qualidade ofensiva com bola, com espaços, criam grandes problemas ao adversário. Hoje tiveram duas ou três oportunidades e conseguiram fazer a diferença. Também é verdade que os movimentos do Seferovic, para a profundidade, foram dois grandes movimentos. O passe entrou, mas se não tiveres um avançado que comande e dê indicação para o passe, não serve só ter jogadores com essa qualidade.”

Lucas Veríssimo

A integração de Lucas Veríssimo

“Pode pensar que não se sente titular [Lucas Veríssimo] porque nós temos, com o Jardel, quatro centrais. O Jan [Vertonghen] está lesionado, tem vindo a recuperar, e a entrada do Lucas também facilitou. No primeiro jogo dele, a jogar numa estrutura diferente [três centrais], facilitou a integração e a confiança. É um jogador de um contra um, já fez vários jogos, quase imbatível, por cima a mesma coisa. Chegou, com poucos dias de treino, joga com o Jardel tudo bem, joga com o Nico [Otamendi] tudo bem. O Lucas é um jogador muito focado e inteligente no jogo, que percebe muito bem as mensagens e estamos contentes com o desempenho ele.”

Jorge Jesus

Equipa voltou a marcar três golos

“São indicadores, porque nós, em termos teóricos, temos de tirar ideias em função de resultados. A equipa fez três golos, é um sinal de algo que já não fazia há muito tempo. E isso está a dizer o quê? Que a equipa tem vindo a melhorar em vários sectores e fisicamente, e por isso fez três golos. Acreditamos nesses sinais, fazemos as nossas estatísticas, mas factuais, não do que pode acontecer… Fez três golos, foi o jogo em que mais passes fez, 615 passes coletivamente, nunca o tinha feito! É um dado e um sinal de qualidade. São esses fatores estatísticos a que nós também nos agarramos para saber se estamos a melhorar, se estamos a piorar… E agora estamos a melhorar!”

Festejos

Confiança nos objetivos traçados

“Esses [acesso direto à Liga dos Campeões e conquista da Taça de Portugal] são e sempre foram os objetivos do Benfica. Na final da Taça vamos estar, portanto, o objetivo está em aberto; no Campeonato estamos dependentes dos rivais… Mas estamos na busca da recuperação, a equipa sente que está melhor e isso também moraliza toda a gente. Se vamos ser capazes? Não sei. Mas vamos à procura. Temos de andar atrás e sabemos que não podemos falhar.”

Lucas Veríssimo

Final da Taça em Coimbra e não no Jamor

“Quando entrei [no Estádio do Jamor] lembrei-me disso. Mas essa nostalgia não tem a ver só com o facto de a final não ser aqui. A nostalgia deve-se à nossa vida hoje. Não vivemos em liberdade espiritual. Face à pandemia, todos nós temos restrições. O futebol não foge a isso. Este relvado não tem condições para se realizar uma final. O estádio é lindo, mas não percebo porque não há entendimento entre a Federação e outras entidades para colocar um relvado em condições, independentemente de quem jogar aqui. O estádio merece um relvado melhor.”

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