Luís Filipe Vieira em entrevista na BTV: “Voltava a fazer tudo igual”

Luís Filipe Vieira respondeu a tudo! No dia do 117.º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, o Presidente fez o balanço da temporada em curso numa entrevista exclusiva à BTV, que pode ver ou rever aqui.

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, apelou, este domingo, à massa associativa encarnada para continuar a acreditar na equipa e para manter o apoio até ao fim.

«Ninguém baixou os braços. Até ser matematicamente possível o Benfica vai lutar para ser campeão nacional. Caso isso não suceda, o segundo lugar será um grande objetivo. Temos uma Taça de Portugal para conquistar. Peço a todos os benfiquistas para não baixarem os braços e acreditem sempre. Já aconteceram tantas situações no futebol, ganhámos com oito pontos de atraso e já perdemos com oito pontos de avanço. Enquanto for matematicamente possível os benfiquistas tem de acreditar e só assim vale a pena existir o Benfica. Temos de acreditar que somos capazes e acreditar em todos os profissionais do Benfica. É importante que todos estejam juntos e que os sócios e adeptos apoiem a equipa. Todos temos estar unidos e pensar que podemos lá chegar», disse o presidente do Benfica, em declarações à Benfica TV.

Luís Filipe Vieira, presidente encarnado, assumiu a responsabilidade pela má temporada do clube, mas também defendeu que a Covid-19, principalmente em janeiro, teve um profundo impacto no clube.

«Só poderá haver um responsável e sou eu. Não pode haver mais nenhum. Os sócios elegeram-me para ser presidente do Benfica e na hora da derrota não vale a pena procurar fantasmas. O único responsável sou eu. É o presidente do Benfica e assumo a inteira responsabilidade por aquilo que está a acontecer ao Benfica», garantiu o presidente, em declarações à Benfica TV.

Luís Filipe Vieira sublinhou o impacto negativo da pandemia.

«Na hora da derrota tem de aparecer sempre quem lidera o clube. Na hora da vitória, penso que sou dos presidentes mais titulados do Benfica nos últimos 10 anos ganhamos seis campeonato e fizemos o tetra, ninguém me viu a dar uma entrevista, a não ser festejar os títulos, porque foi a vitória de todos os benfiquistas. Agora, em relação ao porquê da crise. É importante e não serve de desculpa a ninguém e o Jorge já falou e emocionou-se um pouco. O mês de janeiro fustigou-nos e no dia em que tentamos adiar o jogo com o Nacional durante esta semana foi uma tempestade perfeita, com 27 casos de Covid, 10 jogadores, equipa técnica, médico, fisioterapeutas, seguranças e inclusive eu e o meu motorista. Sabemos o que acontece nesta casa. Os benfiquistas não devem minimizar o que aconteceu. É grave se o fizeram. Sei o que é ter Covid e é penoso e quando dizem que estou negativo e pensamos que está tudo resolvido, mas infelizmente não está tudo resolvido e se não está para mim, então não está para os jogadores.»

E o dirigente prosseguiu:

«As pessoas estranhavam que a equipa só corre um parte e na segunda parte desliga, os jogadores corriam 10, 11 ou 12 quilómetros e agora só sete. Não é uma desculpa e sei o que passa comigo. Sou um ser humano e o jogador também. Mais do que isso um jogador a sua profissão e correr, correr e correr todos os dias. Quando não pode não pode e se as pessoas não percebem isso não vale pena nós andarmos. Não é uma desculpa, é uma realidade. Nunca vi, excepto nos lares, 27 casos num curto espaço de tempo de cinco ou seis dias. Essa é que é a realidade do nosso Benfica. Também tivemos a situação dramática de Jorge Jesus, que esteve fora do Benfica cerca de 15 dias. Nada no Benfica em janeiro foi normal e penso que foi esse mês que ninguém consegue vencer. Independentemente disso posso garantir que não faltou profissionalismos, compromisso ou dedicação. Ninguém abandonou o barco. Acho que a sombra neste momento já está melhorar bastante e a situação poderá vir a normalizar. Vejo pelo meu caso e após quase um mês negativo e não consigo subir um lance de escadas sem parar. Antes subia a correr. O médico disse que vai demorar dois meses, mas nada ainda melhorou e dizem que vai melhorar. Diria que o Covid tem um componente principal e não vamos negar algumas culpas e também minha. O principal é o mês de janeiro.»

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, abordou a questão das arbitragens, explicou a razão de não reagir a elas publicamente e defendeu que são precisas mudanças.

«Das arbitragens todos nós vemos com os nossos olhos. Dizem que o presidente não diz nada e se digo alguma coisa lá vou com 200 dias novamente. Não quero. Esta semana entreguei uma carta ao presidente do Federação para que mal acabe o campeonato reúnam os estados gerais do futebol português, onde esteja o secretário de Estado, presidente da FPF, da Liga, Sindicato de jogadores, Associação de Árbitros e Treinadores. Temos de dar a volta a isto, porque as coisas não estão bem. Quando veio o VAR para Portugal todos pensámos que acabava a contestação à arbitragem. Resolveu-se um problema da arbitragem, mas não acabou e complicou. Já vi lances no VAR que é impossível aquela pessoa não ver os penáltis, falo do jogo com Moreirense. Não viu e não sei porquê? Acho que FPF vai estar sensibilizada para algo se fazer. Disse para virem árbitros estrangeiros e toda a gente ficou ofendida, mas agora veio um inglês contradizer tudo o que diziam. Parece que nós em Portugal só temos cegos. Não temos ninguém seja comentador, presidente, jogador e olhe para televisão e veja que é penalti», disse o presidente encarnado, em declarações à Benfica TV.

Sobre a possibilidade de termos árbitro estrangeiros no campeonato.

«Tudo que seja para a verdade desportiva… façam o que é possível. O momento que vivemos é que não pode ser. Não estou a acusar ninguém. É no local próprio que temos de falar. Não vale a pena estar a disparar para todos os lados e para isso já basta os comentadores. Não é o presidente que o deve fazer publicamente. É uma indústria que gera mais receitas e temos de virar isto ao contrário.»

O impacto da ausência de adeptos no Estádio da Luz.

«Quem conhece o Benfica sabe que o 12.º jogador é muito importante tanto aqui como fora. Normalmente tínhamos 55 mil ou 60 mil adeptos. Esses sócios arrastavam a equipa para as vitórias. Faz-nos muita falta o público nos estádios e não é só dentro do estádio. Os que acompanham a equipa. Tudo isso é um estado de alma que influencia os jogadores e cria uma química muito especial.»

Os jogadores, equipa técnica e o presidente do Benfica têm vindo a ser contestados pelos adeptos, mas isso é algo que Luís Filipe Vieira não compreende.

«Não entendo e não percebo esta fratura. O Benfica já no tempo da ditadura era um clube democrático, sempre foi um clube democrático. Tivemos eleições há quatro meses em cada três sócios dois votaram em mim. Não faz sentido esta contestação. As pessoas tem que entender que sem estabilidade e unidade dificilmente ganhamos. Foi assim com este comportamento que o Benfica, para ganhar o BI, demorou 39 anos, para fazer um tri demorou 39 anos e nunca tinha feito o tetra. Curiosamente isto só foi possível devido à estabilidade que começou a ser preparada em 2009 e independentemente dos percalços estivemos em duas finais europeias. Uma perdemos nos minutos finais e na outra fomos completamente expolidos do resultado dentro de Portugal e escamotearam os três penáltis; e a palavra certa foi que roubaram o Benfica (frente ao Sevilha, na final). Foram preciso os espanhóis denunciarem para depois aqui falarem. Nesse período o Benfica fez um Bi, fez um Tri e um Tetra. Lutou pelo Penta até três ou quatro jornadas do fim e sofreu um golo aos 90 minutos. Se não sofresse e acabasse empatado garanto que o Benfica fazia o Tetra. O Herrera nunca mais repete esse pontapé. Esse percurso todo só foi possível com estabilidade e união. Na derrota é que se veem os verdadeiros benfiquistas. Na derrota temos de lá estar. Na vitória batem nas costas», defendeu o máximo dirigente encarnado, em entrevista à Benfica TV.

Luís Filipe Vieira apelo ao apoio dos adeptos no bons e maus momentos. 

Quando perdemos com o Chelsea os sócios receberam-nos como se fossem campeões e tínhamos perdido o título no dragão e com o Chelsea a perdemos a Taça de Portugal nos últimos nove minutos. Quando o Jorge Jesus subiu à tribuna e chegou ao pé de mim tive pena, porque estava todo marcado com cuspidelas por todo o lado. Disse-lhe vai para o balneário sempre com a cara levantada, porque já lá vou ter contigo. Tive de esperar pela cerimónia e tinha de ter respeito pelo Vitória e quando cumprimentei o presidente Júlio Mendes, ele é que me alertou e disse que já não estava mais ninguém. Olhei para trás e não vi mais ninguém. Só estava o João Gabriel. Tive descer aquelas escadas com João Gabriel para ir ter com a minha equipa e com o treinador. Isso não se faz. Um treinador que leva a equipa às finais que fomos, mas parece que só pode ganhar… Os adeptos não podiam reagir da maneira que reagiram. Na altura, era para Jorge Jesus desaparecer, ninguém queria Jorge Jesus e isso fazia-me confusão. Este homem levou-nos a tantas finais e qual era a razão para ir embora. Felizmente pensei e disse que ia ficar. Independentemente do que passou lá dentro. Depois, ele continuou e ganhámos tudo. Foi quando perdemos a segunda final da Liga Europa, que não foi perdida, foi levada. Quiseram propositadamente que perdêssemos. Sabemos o que aconteceu».

Luís Filipe Vieira assegurou, este domingo, que o treinador Jorge Jesus irá cumprir o contrato que o liga ao clube e não aceita a contestação em torno do técnico.

«Logicamente que vai continuar. Tem de cumprir o contrato. Porque é que Jorge Jesus tem de sair? Ele não é um treinador competente? Nas eleições toda a gente dizia que era o treinador que tinha de vir para o Benfica. Era o treinador que melhor futebol daria ao Benfica. Até as outras listas apoiavam Jorge jesus. Ele tem provas dada neste clube, tem 12 títulos neste clube e não preciso de defender Jorge Jesus. É a realidade. É o treinador que mais títulos ganhou neste clube. Por aquilo que se passou agora e as pessoas não entendem e não existem desculpas. É um caso atípico que está ocorrer nesta casa. Estou lá todos os dias. Se no próximo ano não existir imunidade de grupo, o Benfica não se equipa em balneário nenhum. O Benfica sai do hotel equipado vai para o estádio acaba o jogo e sai. A palestra tem de ser em campo. Nunca mais. É impensável 27 pessoas infetadas em sete ou oito dias», defendeu o presidente, em entrevista à Benfica TV.

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, ficou revoltado com a atitude do presidente do Nacional, Rui Alves, por não ter aceitado adiar o jogo (por causa dos casos de Covid-19 no plantel benfiquista) e por ter pedido algo em troca.

«Há uma coisa que é revoltante para mim. Telefonei ao presidente do Nacional e pedi para adiar o jogo. Ele disse que não podia, mas se lhe emprestasse o Diogo Gonçalves ele já adiava o jogo. Veja o estado do futebol, sem solidariedade. E já fomos muito solidários para esse clube», revelou o dirigente, em entrevista à Benfica TV.

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, reconheceu que a eliminação da Liga Europa frente ao Arsenal lhe ficou atravessada.

«A derrota frente ao Arsenal está atravessada. Posso garantir que Jorge Jesus não dormiu nessa noite. Garanto isso. Estávamos super convencidos de que íamos passar o Arsenal. Não vamos falar da manifesta falta de infelicidade, porque isso não se faz, mas tivemos o lance de Darwin e ele poderia ter feito o 3-1, acabava o jogo. Ficou totalmente atravessado isso», disse o presidente encarnado, em entrevista à Benfica TV.

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, garantiu que todas as contratações tiveram o aval do treinador Jorge Jesus.

«Não houve um jogador que viesse e o Jorge Jesus não tivesse dito que sim. Aliás, vou falar de dois casos. Um que ele queria era Cabrera (defesa-central) e o Espanhol estava a pedir 15 milhões e eles praticamente nos deviam 15 milhões de euros. Outro defesa-central foi o Koch, que era da equipa do Lucas, mas esse era impossível de contratar. O Jorge fez uma pressão fantástica por Everton e toda a gente o conhece, é um internacional brasileiro. Darwin foi um pedido expresso do Jorge Jesus, que já seguíamos. A parte central, o Otamendi veio porque o Rúben Dias saiu. Vertonghen foi contratado com o seu consentimento. Ele disse que não era bem aquilo que pretendia, mas que não podíamos contratar o Cabrera… O Gilberto também foi um pedido do treinador. Pedrinho não foi contratado quando estava no Benfica e ele até disse que caso fosse ele escolhia outro jogador, se calhar falava do Everton, mas quando chegou cá disse que o Pedrinho era um craque e que tinha um pé esquerdo diabólico. Jorge Jesus teve uma voz ativa. Qualquer contratação passava por Jorge Jesus, Rui Costa, Tiago Pinto e eu. Existe total sintonia em todos. Estamos agarrados uns aos outros», explicou o presidente do clube encarnado, em entrevista à Benfica TV.

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