Pedro Mil-Homens explicou qual a missão e as pressões na formação das águias

Pedro Mil-Homens foi um dos intervenientes na “Soccerex Connected” 2021, este ano realizada totalmente por videoconferência, entre os dias 1 e 5 de fevereiro. Na 2.ª edição do evento, o diretor-geral da Formação do Sport Lisboa e Benfica participou no debate dedicado ao tema “Player Production Profits”.

O evento líder global no sector do futebol reuniu alguns nomes fortes desta indústria, e, sob a moderação de Daniel Martin (Instituto Johan Cruyff), Pedro Mil-Homens debateu com Sean Bai (diretor do futebol formação do Valência), Tony Mamodaly (diretor de operações internacionais do Hoffenheim) e Mathias Schober (diretor do futebol formação do FC Schalke). A videoconferência contou com mais de 2500 participantes.

MISSÃO, SONHO E VISÃO

“No Benfica definimos, há uns anos, qual seria a nossa missão, a nossa visão e, claro, os nossos valores. Tem sido uma experiência muito boa para envolver toda a gente e discutir, numa frase, ‘qual é a nossa missão’. Todos os dias, quando saímos do Benfica Campus para as nossas casas, devemos ter na nossa cabeça o que vamos fazer a seguir. E a nossa missão é muito clara: desenvolver jovens jogadores para o mais alto nível competitivo e, obviamente, se possível, para a equipa principal do Benfica. Este desenvolvimento deve ser feito e suportado pelos melhores princípios metodológicos e numa educação imbuída do que nós chamamos de ‘Mística Benfiquista’.””Gostaríamos de ser vistos como uma referência mundial na formação, uma inspiração”

“Isto não muda, nem quando os resultados não são os que esperávamos. Esta é a missão de cada um dos colaboradores que temos na nossa academia: produzir jogadores para o mais alto nível competitivo possível. Como sonho ou visão para o futuro, gostaríamos de ser vistos como uma referência mundial na formação, uma espécie de inspiração. É esta a nossa visão e a nossa missão no Sport Lisboa e Benfica.”

João Félix

O EXEMPLO DE JOÃO FÉLIX

“Como todos sabemos, as academias de futebol não são entidades independentes, não são academias privadas, de acordo com as regras da FIFA. Isto significa que uma academia pertence a um clube e todos os jogadores da academia são aceites com valor zero nos resultados das contas do clube até que sejam transferidos para outro. Pode parecer um pouco estranho, mas há duas épocas vimos João Félix ser transferido para o Atlético de Madrid por 120 milhões de euros… quando até ao dia anterior nos resultados das contas do Clube aparecia com valor zero. Isto são as regras do futebol e é com elas que temos de viver.”

Benfica Campus

FORMAR JOGADORES, MAS TAMBÉM HOMENS

“O que podemos chamar de ‘retorno de investimento’ deveria ser analisado. Podemos comparar isto com uma fábrica… Temos de equilibrar os resultados do ‘material’ que recebemos todos os meses/anos na ‘fábrica’ e o que podemos ganhar com a venda desse ‘material’. Normalmente digo, pela minha experiência, que um jogador de academia tem um ciclo que ronda os 10 anos. Se o recrutarmos por volta dos 7/8 anos, talvez quando tiver 17/18 possa estar perto de ser provavelmente um potencial jogador para a nossa equipa profissional. Arrancámos a academia em 2006 e temos uma entrada a rondar os 500 milhões de euros. Em média, o nosso budget por ano ronda os 10/12 milhões de euros… Diria que o retorno de investimento deste ciclo ronda os 200/250 milhões. Uma academia é para formar jogadores, mas também jovens educados, desenvolvidos, para virem a ser cidadãos na nossa sociedade. Por variadas razões nós não promovemos jogadores à equipa principal numa ou duas épocas. Temos de ser pacientes. Temos de dar tempo.””Uma academia é para formar jogadores, mas também jovens educados, desenvolvidos, para virem a ser cidadãos na nossa sociedade”

PRESSÃO SOBRE OS JOVENS

“Quero destacar dois elementos de pressão para com os jovens jogadores: os pais e os agentes. Antigamente, na minha primeira experiência como diretor de uma academia, eu não via jogadores com 14 anos chegarem para assinar com agentes… Agora quase todos vêm com agentes. E os pais… nós tentamos ao máximo educar também os pais, porque estes projetam nos filhos aquilo que queriam ter atingido e não conseguiram. A pressão é muito grande…”

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