Pequeno grande génio celebra hoje 62 anos

Em dia de aniversário de Fernando Chalana, o que aqui se conta é como o futebol lhe entrou fulgurante na vida (com um BI falso…) tirando de lá o atletismo – são episódios que vão da sua chegada ao Benfica (com uns calções muito largos que deixaram gente a rir-se…) à sua partida para Bordéus (depois de ter contrato assinado pelo Boavista…). Aliás, há mais, muito mais que é de ler para crer…

Do Barreiro era o rebelde guarda-redes do Sporting que para não cair às mãos da PIDE haveria de fugir, rocambolesco, ao intervalo de um jogo na Tapadinha, escondido na bagageira de um Citroen Boca de Sapo: o Carlos Gomes – e sobre o que, de quando em quando, acontecia no Barreiro (e por cá a Censura não permitiria que se soubesse): os «famigerados desafios silenciosos» falou já no exílio por Marrocos:

– Em épocas de enorme agitação social, a malta esperava os domingos com impaciência, para a contestação, sobretudo quando o Sporting ia ao Barreiro. O ambiente chegou a ser tal que o regime decidiu que ninguém poderia gritar durante os desafios. Destacamento da GNR instalava-se dentro do estádio com as metralhadoras nas mãos, de frente para o público, nenhum jornal podia falar disso, mostrá-lo…

O Barreiro tinha já a marcar a história do futebol português vários jogadores quando, a 10 de fevereiro de 1959, lá nasceu Fernando Albino Sousa Chalana. O pai e a mãe trabalhavam na CUF e foi no posto médico da CUF, ao lado do seu campo de futebol, que ele nasceu. Por isso, não admirava: quando andava, pequenote, pelos jogos vadios do Lavradio, a espalhar o seu fulgor por entre os demais, o sonho que tinha era ser jogador da CUF – como aqueles que via quando o padrinho o levava pela mão para o peão do seu estádio.

Depois das reguadas na escola por causa do gato foi campeão de corta-mato, a CUF não o quis para o futebol  

Na escola primária, quando ainda estava na segunda classe, era sempre escolhido para jogar com os da quarta – e não era por a bola ser sua. Sim, nunca deixava de a levar para as aulas e no dia em que completou 50 anos contou-o a Rogério Azevedo (em A BOLA):

– Por causa da bola nunca apanhei reprimenda da professora, apanhei só quando levei um gato. Meti-o debaixo da carteira, às tantas começou a miar e lá vieram duas reguadas…

Por uma equipa chamada Serpa Pinto foi Fernando Chalana aos Jogos Juvenis do Barreiro. Não foi no futebol de 11, foi no futebol de salão, futebol de salão jogado, sem tabelas, no Campo de Santa Bárbara – e de lá saiu com o seu primeiro troféu: a Taça Joanina para o Melhor Marcador do torneio. O Sporting do Lavradio desafiou-o para a sua equipa, ele preferiu ir para o atletismo. Com pouco mais de um mês de treino, correndo pela CUF, ganhou, em Telheiras, o Campeonato de Lisboa de crosse em iniciados  – e nos Nacionais, que, em Coimbra, Carlos Lopes venceu nos seniores, foi quinto. Tinha 14 anos e, de um instante para o outro, mudou de ideias: não, não era atletismo que queria, era mesmo futebol – e não queria as duas coisas. Foi à CUF fazer teste para o futebol – e não o quiseram…

Do BI falso com que o Barreirense o levou ao Torneio Costa Azul às complicações por que passou Mário Coluna por estar a espiá-lo

Não o quiseram na CUF, tentou o Barreirense – e, de tão encantados com ele, logo o inscreveram na equipa para o Torneio Costa Azul. Dado não ter ainda idade para isso, levaram-no com BI falso, como se fosse mais velho. Foi um espanto o que fez contra o Benfica, no Estádio Alfredo da Silva:

–Só quando houve a entrega de prémios e me chamaram viram que tinha havido a manigância do Barreirense…

De súbito se soltou o clamor: que era um génio, como raramente se vira assim e não tardou que o Benfica mandasse Mário Coluna, então seu treinador nos juniores, ao campo do Luso para ver se era mesmo assim:

– O senhor Coluna até acabou por ter problemas para sair do campo porque os sócios do Barreirense perceberam que estava lá por minha causa. A minha mãe dizia-me para eu estudar e eu estudava. Não era brilhante mas só chumbei uma vez. «Se não estudares ainda vais para a guerra», dizia-me ela. E eu respondia: Não se preocupe, um dia vou para o Benfica ou para o Sporting e não me deixam ir para a guerra.

Juca pô-lo a jogar na I Divisão com 15 anos, o Sporting achou que o Barreirense queria dinheiro de mais…

Juca, o Juca que como treinador já levara o Sporting a campeão, estava, então, a treinar o Barreirense (na I Divisão) e não perdeu tempo a puxá-lo à equipa principal – e de um desafio com o Oriental saiu igualmente deslumbrado Milorad Pavic, o treinador principal do Benfica, que fora espiolhá-lo a pedido entusiasmado de Coluna, largando, de pronto, o aviso:

– Tem carradas de futebol dentro de si. Comprem-no já!

Tinha 15 anos e Juca cogitou pô-lo no Sporting:

– Uma vez deu-me boleia para casa dos meus tios, na Rua Maria Pia, em Lisboa, e, nas Amoreiras deu-me 20 escudos para o táxi. Olhei para a nota, guardei-a e fui a pé para casa dos meus tios. Falou-se disso, da hipótese do Sporting, mas eu não tinha qualquer tentação em ir para o Sporting e, um dia, o presidente do Barreirense, o senhor Patrício, disse-me que tinha com ele um contrato do Benfica para eu assinar. Cheguei a casa, contei ao meu pai e, mais tarde, houve uma conversa com o senhor Ilídio Fulgêncio, um construtor civil importante, e o Manuel Bento. Tinha 14 para 15 anos e o Bento disse logo que me levava e trazia todos os dias do Barreiro para a Luz. Depois fui fazer um treino com os seniores do Benfica, com uns calções muito largos e fui logo assinar contrato à sede do Jardim do Regedor.

Quando Juca tentara pô-lo no Sporting, o Sporting achara que era uma exorbitância pagar 800 contos pela carta de desobrigação de um juvenil – e o Benfica achou que talvez não. (Esse era o tempo em que se comprava um Fiat 127 por 80 contos. Pelos jornais não era raro aparecerem a pedirem «mulheres» – quando isso acontecia assim era a pedi-las para «trabalhos sérios»: limpezas, fábricas, guardas de passagens de nível. Sorrateiros, desataram a surgir anúncios em que o que o que se pediam eram «empregadas» – e assim se procurava quem quisesse ir para um «dancing» a troco de «150 escudos diários» ou para um «bar» a «5100 escudos mensais» e o «bar» era, de luxo, o que se imagina…) 

Não, o Barreirense não recebeu 800 contos, recebeu 750 contos – e Fernando Chalana ficou com 1500 escudos de ordenado mensal e garantia de «passe pago». Não precisava, contudo, de ir de barco para o treino, que, tal como prometido, o Manuel Bento j o levava e o trazia todos os dias, às na carrinha do peixe em que transportava à boleia vários outros jogadores da Margem Sul.

Antes de Pavic deixar Lisboa «com medo da guerra civil», quis levá-lo à final da Taça de Portugal que perdeu para o Boavista de Pedroto 

Milorad Pavic quis que jogasse a final da Taça que o Benfica perdeu para o Boavista de Pedroto (em Alvalade, a 14 de Junho de 1975) a FPF não deixou. Deixando o Benfica campeão, Pavic foi-se embora, assustado pelo frenesim ateado no PREC, justificando-se:

–  já sofri uma guerra civil, não quero apanhar outra…

e para treinador do Benfica foi Mário Wilson – que o pôs pela primeira vez na primeira equipa do Benfica a 7 de março de 1976, nos 3-0 ao Farense (entrando aos 46 minutos para o lugar de Toni).

– Era o mais novo de sempre a jogar na I Divisão e durante duas décadas assim foi. O meu treinador nos juniores era o mister Ângelo [bicampeão europeu pelo Benfica] e o treinador dos seniores era o capitão Mário Wilson e a certa altura, talvez por termos alguns pontos de avanço, fiz dois jogos pelos seniores, esse com o Farense e outro com o SC Braga, entrando para o lugar do Shéu numa partida famosa em que vencemos por 7-1. Assim, nessa temporada, 1975/76, fui campeão de juniores e de seniores.

Na semana a seguir à estreia com o Farense, Wilson levou-o ao estágio antes do jogo com o Bayern, o Benfica pediu autorização para ele jogar, a UEFA disse não, que só depois dos 17. Para além da grandeza do seu futebol, invulgar igualmente era ver-se-lhe, no rosto, a barba cerrada – e ao Rogério Azevedo também o revelou:

– A seguir à revolução grande parte dos jogadores deixou crescer a barba. Toni, Humberto, Shéu, Nené, Alhinho, Barros, Moinhos e o Mário Wilson filho, por exemplo, andavam de barba de muitas semanas e deixei crescer a minha quando cheguei. Tenho uma fotografia onde apareço com uns pelitos na cara mas depois, como não a cortava, foi crescendo até ficar bem espessa. O mister Ângelo dizia-me para a cortar mas, como o meu pai nada dizia, eu não cortava. Só cortei quando ele deixou de me falar nisso.

João Rocha dava-lhe 25 mil contos por três anos de contrato, ficou no Benfica a 400 contos por mês

Chamado por José Maria Pedroto, com 17 anos, 7 meses e 1 dia, a 17 de Novembro de 1976, jogou Chalana pela primeira vez pela seleção A (contra a Dinamarca) – e, em A BOLA, vincou a jura:

– O meu futebol pode não ter, mas eu tenho mesmo 17 anos, não há aldrabice nenhuma na minha idade.

(Não, não era o mais jovem a vestir a camisola da seleção – porque em 1921, no primeiro jogo que Portugal fez contra a Espanha, José Maria Gralha, do Casa Pia, tinha 16 anos, 9 meses e 4 dias.)

Aumentaram-lhe o ordenado para 4000 escudos e a revelação também a largou Fernando Chalana a Rogério Azevedo:

– Só com o Fernando Martins na presidência [entre 1981 e 1987] é que terminei um contrato. E já tinha nove ou dez anos de Benfica. Um dia, com 18 ou 19 anos, fui falar com o senhor Ferreira Queimado [presidente entre 1977 e 1980], pois tinha uma proposta muito boa do Sporting. Estive reunido em casa do senhor João Rocha [presidente do Sporting entre 1973 e 1986] e ainda com Sousa Marques [chefe do departamento de futebol] e só via era dinheiro: dinheiro para aqui, dinheiro para ali. Mas não assinei porque tinha mais um ano de contrato com o Benfica e era impossível, para mim, assinar contrato com o Sporting ainda com contrato em vigor com o Benfica. Fui falar com o senhor Gaspar Ramos [chefe do departamento de futebol] e ele disse-me: «Vem cá amanhã, vou falar com o presidente.» Fiquei a ganhar 400 contos mensais mas perdi dinheiro em relação ao contrato oferecido pelo Sporting. O que me dava o Sporting? Contrato de 25 mil contos por três anos, casa e reforma vitalícia se cumprisse o contrato até ao fim.

Andando-se por abril de 1980, numa primeira página de A Bola, havia uma fotografia de Fernando Chalana mergulhado num piscina – com uma mulher em fato de banho a massajar-lhe o pé direito. Era no Centro de Reabilitação do Alcoitão, obra que nascera do Totobola e o Totobola continuava a financiar – e ela era a especialista que lhe estava a aplicar «tratamentos revolucionários de hidroterapia e fisioterapia», revelou-se. O drama tocara-o em novembro, na Póvoa: para além da perna partida, deixara o campo com rotura total de ligamentos – e, nessa reportagem de A BOLA, largou o lamento:

– Antes da lesão estava em negociações com o Benfica e com outros clubes, de Portugal e do estrangeiro. Falei com o senhor Romão Martins, o chefe do departamento de futebol, sobre a possibilidade de o Benfica me dispensar, ele perguntou-se se era inimigo dele, se o queria ver enforcado no estádio, junto à águia. A proposta que o Benfica me fez era igual à de um Braga, de um Portimonense, de um Marítimo. As negociações com o senhor Romão Martins arrastavam-se havia meses e depois do acidente na Póvoa só uma vez falou comigo. Penso que houve a intenção de me dar com os pés, admitindo, provavelmente, que eu estaria arruinado para o futebol. Agora que vai deixar o Benfica, vai para presidente da federação, pode ser que as coisas mudem. Sim, também há uma proposta do Sporting, não o posso negar. Com o FC Porto, não, nada se passou a não ser a atitude muito simpática de o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa me ter ido visitar à Clínica quando da primeira operação.  Com o Sporting, sim, há uma proposta, não o posso negar. Continuo a ser o jogador mais barato dos titulares do Benfica, graças ao senhor Romão Martins – e o Sporting

A bomba apareceu na primeira página de A BOLA: que Chalana tinha assinado pelo Boavista (tinha, só que o papel foi para o lixo…)

Campeão nacional em 1975/76 e 1976/77, campeão nacional voltou a ser em 1980/81 – e, nesse, que o FC Porto perdera, em polémica, José Maria Pedroto e Jorge Nuno Pinto da Costa, treinador portista era Herman Stessl – que anos depois o afiançaria:

– Foi a genialidade de Chalana que não me deixou ser campeão no FC Porto. Ele desequilibrava tudo a favor do Benfica. Era imparável. No FC Porto eu não tinha nenhum como ele…

Para a temporada de 1982/83 regressaram Pinto da Costa e José Maria Pedroto ao FC Porto – e, já com Anabela a seu lado, a sombra que não o largava (para irritação de muita gente…) e, já de bigode farfalhudo em vez da «barba de revolucionário», campeão voltou a ser Chalana pelo Benfica, com o seu jogo cada vez mais enleante, cada vez mais desconcertante. O mesmo sucedeu na temporada seguinte – e ao correr dos primeiros meses de 1984 A BOLA anunciou-o numa bomba a explodir: que Fernando Chalana estava a caminho do… Boavista, que Valentim Loureiro tinha 135 mil contos para lhe oferecer e que o Benfica até poderia ficar com quase 70 mil.  No dia em que fez 50 anos, contou-o a Rogério Azevedo:

– Fui falar com o presidente Fernando Martins ao hotel dele. Ele perguntou-me: «Quanto queres?» Fui direto ao assunto: «Estou em final de contrato e quero que o senhor me melhor os valores.» Ganhava 400 contos por mês e ele disse-me: «Só te posso dar mais 50 contos.» Voltei a tentar: «Marítimo, SC Braga, Sporting e FC Porto dão muito mais.» Resposta dele: «Dou-te mais 50 contos; se não aceitares a porta por onde entraste é a mesma por onde podes sair.» Saí e assinei pelo Boavista. Sim, cheguei mesmo a assinar. Numa folha em branco, papel sem qualquer valor jurídico. O presidente Valentim Loureiro foi a minha casa, assinei eu, o Filipovic e o Padinha…

Em abril deu-se, contudo, súbito, o volte-face: afiançou-se em A BOLA que Chalana já não ia para o Boavista, pelo que Valentim Loureiro ia acionar a cláusula de indemnização de 24 mil contos, mas que ele não perderia nada, soube-se. Pagou-a o Benfica – e Fernando Martins ainda lhe adiantou 4000 contos de que necessitava para a escritura de um andar nas Olaias que fora construído pela empresa de… Martins, prometendo-lhe um ordenado base na ordem dos 13 mil contos por ano e ele, o Chalana, revelou-o:

– O Boavista e o Braga até me ofereceram mais, mas os prémios que o Benfica dá pelas vitórias, são garantia de que não ficarei nada a perder, pelo contrário. E, claro, não é verdade que alguma vez eu tenha pedido, da minha boca, o que se insinuou que eu pedi ao Benfica: 60 mil contos… 75 mil… sei lá. Isso foi uma grande confusão, eram as verbas que parece que o Roma oferecia ao Benfica para me ter – e que se eu fosse para Itália me dariam um milhão de dólares só para mim, um milhão de dólares são mais de 133 mil contos, vejam bem o que eu fiz para ficar no Benfica.

Em Bordéus, o destino cruel – e por entre a angústia da lesão até de bruxas se falava…

Não, Chalana não ficou muito tempo no Benfica – o brilharete no Europeu de França levou-o para Bordéus, que por ele pagou ao Benfica 220 mil contos:

– Aquilo foi uma loucura, o primeiro treino foi a pagar. Eram 10 francos para quem me quisesse ver, foram milhares. Não, lá eu não era o Cyrano de Bergerac por causa do nariz como muita gente daqui escrevia, era o Vatanen, o campeão de ralis. Num treino na neve eu corria mais e driblava melhor do que todos os outros e o Battiston pôs-me a alcunha. Sim, é verdade, sempre que se fala do Chalana, fala-se do Europeu, mas não, não foi o meu ponto mais alto. Foi o primeiro Euro em que Portugal esteve e, ainda por cima, deu na televisão, mas fiz melhores jogos que estes. Antes do Euro-84, quando perdemos com a Jugoslávia, fiz grande jogo. Pelo Benfica, por exemplo, fiz grandes jogos com o Carl Zeiss [0-2 em Jena, 1-0 em Lisboa]. Marquei um golo frente ao Beira-Mar [5 de Janeiro de 1977, com 17 anos], jogava lá o Eusébio, em que o guarda-redes do Benfica, o José Henrique, me deu a bola e eu, de área a área, fintei toda a gente e fiz um grande golo. E, depois o Euro, o azar foi bater-me à porta a Marselha…

Sim, cruel foi-lhe o destino – depressa se lesionou, num ápice se afiançava que precisava mesmo de ir à bruxa:

– Não, não é verdade o que se disse: que quando acabei o Europeu já estava lesionado. Sim, falou-se que, para me curar se tentou tudo, osteopatia, acupunctura, fitoterapia, etc… e o grande grande problema era o Bordéus ser um clube amador com muitos dos melhores jogadores da Europa. Não tínhamos casas de banho no balneário, tínhamos de pôr a roupa do treino a secar, massagistas só no final do treino, médico não havia, banheira para banhos também não. O Dieter Muller massajava-me as costas e eu massajava as costas dele – e era a equipa que era, com Giresse, Tigana, Battiston, Trésor, Lacombe, Touré, Vercruysse, Muller. E ainda me ficaram a dever 25 mil contos…

A arrastar-se, atormentado, pelo estaleiro meses a fio, a Fernando e Anabela Chalana falaram-lhe de uma vidente que talvez evitasse que o seu futuro se desfizesse no seu joelho. Desesperado, procurou-a – e o que se passou, contou-o Anabela (quando ainda era, sua companheira) a João Alves da Costa:

– A senhora dizia que encarnava espíritos, fazia várias vozes diferentes, mas eu acho é que a mulher era ventríloqua, como aqueles que aparecem na televisão, com uns bonecos presos por fios – e o certo é que deu em nada…

Eriksson dizia que a culpa de não ir mais longe era da Anabela e pô-lo a treinar atrás da baliza…

Sim, se Chalana voltou a jogar ainda foi por ter sido operado pelo Dr. Espregueira Mendes – e a mulher de que Anabela falou como falou era médium, uma médium famosa, a angolana Aurora Verdades. Que afirmou que se os seus préstimos não resultaram foi simplesmente porque Chalana «estava muito mal acompanhado»…

 Ao Benfica regressou em 1987 – e lá voltou a ser campeão, campeão de 1988/89. Foi também a Rogério Azevedo que o revelou:

– Tinha mais experiência mas estava a recuperar das lesões. Ainda joguei com o Skovdahl  e depois, com o Toni, fui campeão nacional mas podia ter ido mais longe. Chegava aos 12 ou 13 jogos [e não jogava mais. Se eram os músculos não aguentavam? Nada disso. Mais tarde vim a saber que, se fizesse 15 jogos ou mais numa época, o Benfica tinha de pagar mais 50 mil contos ao Bordéus…

A época de 1990/91 fê-la no Belenenses – e a de 1991/92, a que lhe marcou o adeus ao jogador que ele foi, fê-la no Estrela da Amadora.

Faltou-lhe um título europeu no Benfica, poderia ter sido a Taça UEFA que perdeu, na Luz, para o Anderlecht com Eriksson – e sobre Eriksson na mais intimista entrevista que deu, que deu a A BOLA afirmou-o:

– Como treinador nada tenho a dizer mas como homem Eriksson falhou comigo. Tenho várias histórias com ele. Houve uma altura em que queria ser meu empresário, participar na transferência, ganhar dinheiro. Num treino de conjunto de início de época, na segunda vez em que esteve na Luz, pôs-me a treinar atrás da baliza. Depois dizia que a minha ex-mulher era a culpada de eu não ter ido mais longe. Logo ele, que era muito certinho…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.