“Sou treinador mas não sou médico. Sofremos 2 meses caladinhos.”

Recuperado da infeção à COVID-19, Jorge Jesus voltou a orientar o Benfica no banco de suplentes, que venceu o Famalicão (2-0), na partida da 18.ª jornada da Liga NOS, a primeira da segunda volta.

Em conferência de Imprensa, o técnico mostrou o quão agastado estava pelo impacto – desportivo, físico e mental – que o vírus teve no plantel; elogiou os primeiros 30 minutos de jogo dos encarnados; acredita numa segunda volta com maior qualidade.

Benfica-Famalicão

Elevada eficácia

“O futebol tem estas características. Por vezes temos várias oportunidades e não marcamos; noutros jogos, temos dois remates e marcamos. Hoje isso aconteceu e, mesmo assim, não marcámos o mais fácil que era o 3-0 do Darwin. O Everton já fez uma jogada ‘à Everton’ no primeiro golo do jogo. A jogada que fez neste jogo, fazia constantemente no Brasil. É passo a passo. Na quinta-feira, temos um jogo muito importante, a meia-final da Taça de Portugal, competição em que queremos estar na final. Vamos jogar frente a um adversário que eliminou três equipas da primeira liga. Não vai ser fácil.”

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Fazer melhor na segunda volta

“Melhor [segunda volta da Liga NOS] tem de fazer. Não pode fazer pior. Mas vamos contabilizar isto jogo a jogo, e o próximo é com o Estoril. Agora sei que tenho 20 jogadores para treinar até quinta-feira. Isso não me aconteceu durante dois meses. Hoje sentimo-nos livres para voar, para treinar, para jogar.”

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Superar a COVID-19

“Não tem sido fácil. Estive 15 dias sem ver os jogadores, sem poder treinar. A COVID-19 arrasou o Benfica. Não é desculpa, mas tirou a equipa técnica e médica durante três semanas; dos 27 jogadores, só três não tiveram COVID-19. Estiveram em casa duas ou três semanas. Isto não é uma constipação. Se eu tivesse de jogar, não dava. Agora, estar aqui a gritar e com a COVID-19 que tive, agressivo… A equipa perdeu competitividade e confiança. Jogo a jogo, o Benfica vai ficar mais forte, tem dado bons sinais, defensivamente não tem sofrido golos. Hoje [segunda-feira] tivemos uma primeira meia hora muito boa. Isto tem consequências. Durante dois meses queríamos treinar e tínhamos 10 jogadores em casa, vieram esses 10, foram mais 5/6 para casa… andámos nisto dois meses. Isto tira competitividade a uma equipa. Não vemos os jogadores, eles equipam-se no quarto. Parecemos uma equipa-fantasma, mas isto vai passar. Segundo a ciência, vamos ficar imunes para podermos equiparmo-nos no balneário, treinarmos juntos e ganharmos níveis técnicos, táticos e de confiança para podermos ter 70/80 minutos de jogo a um nível alto.”

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Equipa a recuperar jogo a jogo

“Uma coisa é jogarmos de três em três dias. Jogamos, estamos cansados, mas treinamos todos. Outra coisa é não treinarmos durante duas ou três semanas. Não me estou a desculpar. Assumo as minhas responsabilidades como treinador, mas não sou médico. Vamos recuperar, estamos a tempo e vai ser jogo a jogo. Agora, vamos começar a ter quase toda a equipa a trabalhar. Os nossos adversários dizem outras coisas, mas nós sabemos o que sentimos na pele. Não foram duas ou três pessoas infetadas, foram 50!”

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Primeira volta sem grandes penalidades a favor

“Isso é outro caso que não dá para perceber. Ainda no último jogo [V. Guimarães] houve um penálti sobre o Pizzi que não foi marcado. Na dúvida, nunca é grande penalidade. O Benfica é a única equipa da primeira liga sem penáltis. Só tem na Liga Europa. Já teve vários casos, mas o árbitro nem vai examinar [ao ecrã]. Mas o problema não é esse. Quando cheguei, disse que íamos formar uma equipa para arrasar. Começámos bem, mas a COVID-19 é que nos arrasou durante dois meses. Sabem o que é ter uma equipa técnica toda doente? Sabem o que é ter uma equipa médica toda doente, com os jogadores sem serem acompanhados? Sabem o que é isso para uma equipa de futebol? Felizmente, já não temos esse problema. Só o Chiquinho, Samaris e Rafa não estiveram infetados. Agora, é recuperar o Rafa e o Waldschmidt das lesões, porque têm influência na manobra ofensiva da equipa. A partir daqui, vamos ter uma equipa saudável mental, física e tecnicamente.”

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Total confiança no trabalho desenvolvido

“Confiança no meu trabalho? Nunca tive dúvidas. O meu trabalho não é dois meses, é consequência de 30 anos e, principalmente, nos últimos anos em que conquistei vários troféus importantes. O meu trabalho como treinador do Benfica em seis anos [de 2009 a 2015] foi justificado. Ganhei vários títulos. Não é por estar no Benfica ou noutro clube que se vai pôr em questão a minha qualidade como treinador. As pessoas sabem do meu valor. Não sou capaz é de colocar a equipa a treinar e a jogar tendo, durante dois meses, os jogadores, a equipa técnica e os médicos doentes em casa. O que aconteceu ao Benfica não tem nada a ver com técnica, tática, com querer. A doença tirou-nos força mental, qualidade física e pagámos a fatura.”

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Líderes invictos até aos primeiros casos de infeção

“Sem casos da COVID-19, no início da época, éramos líderes invictos. O Benfica não teve problemas com a doença no início; ao longo das jornadas, o problema foi-se acentuando: dois numa semana, três noutra… até que houve uma semana em que foram 10 casos [após o jogo com o FC Porto, no Estádio do Dragão]. Fiz imensos testes e dei sempre negativo. Como é que tive COVID-19? Fiquei doente, fui fazer uma TAC e descobriram. É um caso raro. Aí, já tinha falta de ar e tinha dificuldades em falar. Eu e o plantel sofremos muito, caladinhos.”

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