Telma Monteiro: “Estava certa sobre tudo aquilo que poderia ser”

Telma Monteiro somou o 14.ª pódio individual no evento e com isso integrou o restrito segundo lote de judocas femininas mais medalhadas de sempre em Europeus, ao lado da austríaca Edith Hrovat (8+3+3, 1974-1987) nos 48 kg/52 kg, e da belga Ingrid Berghmans (7+4+3, 1980-1989). No entanto, sete dos pódios desta, que combatia nos -72 kg, são de Open (sem limite de peso). Prova que deixou de existir e na qual Telma nunca entraria, mas que permitiu a Berghmans somar mais do que uma medalha em sete edições. No topo, com 15, está a alemã Bárbara Classen (5+4+6, 1977-1987) que sendo dos -72 kg também pôde amealhar 5 pódios Open em cinco Europeus.«É um orgulho poder figurar ao lado dessas atletas», responde Telma quando informada do facto. «Sempre tive esta vontade de ganhar medalhas em todas as competições a que vou. Trabalhei para isso e gosto de recordes. Não é segredo, é uma das minhas motivações. Aliás, nunca desejei ser só uma das melhores do mundo enquanto estou a competir, sempre quis sair do judo como uma das melhores da história e, independentemente de tudo o que ainda suceda, isso vai acontecer», afirma, bem ao seu jeito.


«Trabalhei muito para isto. Não é algo fácil, exigiu uma grande dedicação. Procurei manter-me insatisfeita e exigente comigo mesma. Por isso fico muito feliz em saber que quando a Telma, aos 17/18 anos, meteu na cabeça que ia fazer isto, não estava maluca», diz, soltando uma gargalhada. «Estava certa sobre tudo aquilo que poderia ser. Penso até que fui melhor do que podia imaginar, pela forma como lutei e enfrentei as adversidades que foram surgindo na carreira. Lesões e coisas complexas que foram acontecendo. Isso é também a minha grande medalha. Não são só as que ganhei, mas o contexto em que as ganhei.»

E hoje em dia, com as limitações físicas que tem, só Telma é que sabe o que é preciso para se manter a este nível há, pelo menos, 16 anos. Verdade? «É obvio que tenho lesões crónicas – já nem sei há quanto tempo estou nos seniores -, mas depois de tantos duros combates, tantos treinos, é natural que o corpo se ressinta. É um desafio físico e psicológico. Treino com dor e compito com dor, não há nada que possa fazer. É um facto!», exclama.    

«Posso ter dores físicas, mas aquilo que sempre me distinguiu foi a parte psicológica. E nisso sei que sou diferenciada. O que me tem ajudado bastante. Com isso consigo superar tudo o resto. Vai ser sempre assim, não vale a pena. Vou ser sempre das melhores do mundo até ao fim. Tenho grande respeito pelas minhas adversárias, sei o que valem, por isso sei também o meu valor. Nunca duvido de mim, mesmo quando as coisas não correm bem e não há medalhas. Daí ser vice-campeã da Europa e ter ganho a 14.ª medalha.».

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