Jorge Jesus fez antevisão ao jogo em Paredes e não só

O treinador Jorge Jesus anteviu, em conferência de Imprensa, a partida da 3.ª eliminatória da Taça de Portugal com o Paredes, agendada para as 21h15 de sábado, na Cidade desportiva de Paredes.

Muito ligado emocionalmente à prova-rainha, o técnico enfatizou, no Benfica Campus, o sentimento que pode nortear os jogadores do Paredes antes do jogo, revelou que os internacionais A que estiveram ao serviço das seleções não estão entre os convocados, elogiou o procedimento de testes aos futebolistas apesar de Darwin e Weigl terem testado positivo à COVID-19 e lamentou a saída do diretor-geral Tiago Pinto para a Roma.

Quais são os desafios que encontra neste jogo frente ao Paredes, tendo em conta o regresso dos internacionais?

A Taça de Portugal é um troféu pelo qual, eu e penso que todos os fãs de futebol, temos muito carinho, tanto para as grandes equipas como para as equipas que não são tão grandes. Isto faz parte de uma competição que é a festa do futebol português, hoje infelizmente não tanto por causa da COVID-19, que não permite que as pessoas possam assistir aos jogos. Vamos com a nossa responsabilidade. Independentemente de ser uma equipa de um escalão inferior, o Paredes está a fazer um bom campeonato, está em segundo lugar [empatado com o Leça], em seis jogos ganhou três, perdeu dois, empatou um; tem um treinador que já está há cinco anos com a equipa, por isso é uma equipa que tem pretensões de subir de divisão e este vai ser só um jogo. Sabemos que a Taça de Portugal nos traz muitas surpresas, mas estamos preparados para elas, sempre com um respeito muito grande pelo nosso adversário. Só não direi que vai ser uma festa do futebol porque sem adeptos não há festa. Vai ser um jogo onde queremos demonstrar o nosso poder, e queremos, como é óbvio, passar esta eliminatória, pois é uma das provas do nosso calendário pela qual temos um carinho e uma responsabilidade muito grande, e queremos estar não direi já no Jamor, porque não sei se será no Jamor, mas é aí que identifico a Taça de Portugal como a festa do futebol português.

Jorge Jesus Antevisão Paredes-Benfica Taça de Portugal

“OS JOGADORES QUE VÃO A JOGO DÃO-NOS CONFIANÇA DE QUE JOGAREMOS COM AMBIÇÃO E QUE VAMOS PASSAR”

Há algum dos internacionais de que não abdique? Do que viu do Paredes, algum jogador lhe chamou a atenção?

Todos os jogadores [internacionais A] que jogaram nestes dias nas seleções vão estar fora deste jogo. Trabalhámos nestes 10/11 dias com os jogadores que estavam cá, preparámos este jogo com eles, dão-nos toda a confiança para jogar esta eliminatória e dão-nos confiança de que jogaremos com ambição e que vamos passar a eliminatória. O Paredes tem alguns jogadores que são conhecidos por terem jogado na II Liga. Conheço alguns. Todos os outros têm passado por divisões inferiores, mas isso não quer dizer nada. Quando começamos a carreira, treinadores e jogadores, começamos em divisões inferiores e não quer dizer que não se tenha valor. Às vezes não há é oportunidades. O Paredes tem um projeto para subir de divisão e equivale-se a equipas da II Liga. É um jogo que significa tudo para o Paredes. Os jogadores já pensam no Benfica, dormem mal… isso faz parte da paixão do futebol e da motivação dos jogadores e da estrutura do clube. É uma festa, que só não é total porque não tem público.

Esta paragem [para as seleções] foi boa ou má para o Benfica?

Tenho-me habituado ao longo destes quatro meses. Estiveram 11 dias fora, são jogadores que chegaram a conta-gotas, uns mais fatigados do que outros, uns fizeram três jogos numa semana, outros só fizeram dois. Agora que vieram todos carregados, são jogadores que vou tirar do risco deste jogo.

Jorge Jesus Antevisão Paredes-Benfica Taça de Portugal

“A TAÇA DE PORTUGAL TRAZ MUITAS SURPRESAS, MAS ESTAMOS PREPARADOS PARA ELAS”

O Benfica esteve três jogos sem vencer, depois houve uma paragem longa. Esta paragem serviu para corrigir aspetos menos bons?

Houve tempo, mas quando falamos do crescimento de uma equipa não conseguimos trabalhá-lo e projetá-lo porque os jogadores estiveram 11 dias fora e, principalmente, o setor que queríamos mais trabalhar era o defensivo. Praticamente não o pudemos fazer, porque não estavam cá dois centrais, o Otamendi e o Vertonghen. Passámos à frente nessa tarefa porque não tínhamos os jogadores, mas vamos fazê-lo depois do Paredes para prepararmos o Rangers.

Este tipo de jogos é o palco ideal para aparecem jogadores como Gonçalo Ramos. Com Darwin de fora por estar infetado com COVID-19 é o momento ideal para lançar, por exemplo, Gonçalo Ramos no onze inicial?

Independentemente de este jogo poder projetar essa ideia, muitas das vezes o problema que se coloca nas grandes equipas, e o Benfica é uma grande equipa, é a oportunidade que os jogadores mais jovens possam ter, e aqueles jogadores jovens que nós sentimos que possam ter um futuro risonho na sua evolução como jogador têm os seus momentos e têm o seu tempo. Hoje em dia não é fácil gerir uma carreira de um jovem no Benfica, no Sporting, no FC Porto, nas grandes equipas em Portugal. Primeiro pensamento dos jovens: querer jogar na equipa-mãe; segundo pensamento: emigrar, sair do país… Hoje, tirando algumas exceções, todos os jovens que estão na formação das grandes equipas por vários motivos não estão muito interessados em esperar o seu momento… E eu, se calhar, também pensava como eles porque no meio disto tudo também há o fator financeiro, que é muito diferenciado. Mas respondendo diretamente à pergunta, não vai só jogar o Gonçalo Ramos, vão oito ou nove jogadores da equipa B e chamei também dois com idade de juniores, o Gerson Sousa e o Paulo Bernardo.

Jorge Jesus Antevisão Paredes-Benfica Taça de Portugal

“VAI SER UM JOGO ONDE QUEREMOS DEMONSTRAR O NOSSO PODER”

Darwin e Weigl testaram positivo à COVID-19. Como estão? Este facto vai interferir na retoma que estava a preparar? Weigl treinou no Seixal. Receia mais casos no plantel?

Temos de saber lidar com a COVID-19. Claro que a bolha em que o jogadores estão a trabalhar é controlada de três em três dias. Mesmo assim surgem casos, apesar de o Darwin ter estado fora e regressado a Portugal com a COVID-19. O Weigl não sabemos se foi no nosso meio ou fora do Seixal. O futebolista é um exemplo para as outras profissões. São uns privilegiados porque fazem testes de três em três dias, são constantemente analisados. Todos fizeram testes e estão negativos. Enquanto não houver vacina, temos de trabalhar em cima desta doença. Testar, isolar e prevenir. Não é preciso ser grande conhecedor para lidar com a COVID-19. Infelizmente, as outras profissões não têm condições financeiras para serem testadas como os futebolistas são. Mas deviam ter. Não temos receio. Eu e todos os outros somos testados.

Não vai contar com Darwin para os próximos jogos. Que impacto tem, sendo ele um dos jogadores mais importantes na equipa do Benfica?

Não havia nada que pudéssemos fazer para que o Darwin não tivesse apanhado o vírus. Um dos perigos que nós sabemos que existe é exatamente as idas às seleções, é o viajar. As seleções, principalmente as sul-americanas, não estão tão organizadas como as grandes equipas da Europa, onde o teste e o controlo diário dos seus atletas e o cuidado que se tem no dia a dia estão sempre presentes. Não sabemos o que pode acontecer, e o Darwin foi um desses jogadores infetados, no Uruguai já são uns quantos, inclusivamente o Atlético de Madrid já fez um comunicado em relação à seleção do Uruguai… Isso é difícil de controlar, a única forma de controlar, na minha opinião, era com a paragem das seleções. Os campeonatos da Europa não, agora as seleções deviam ter parado e a prova está aí, quase todos os jogadores que voltam das seleções vêm com o problema do vírus. Quanto à falta do Darwin, é assim, há coisas que não podemos controlar, mas nem tudo é mau… Se nós acreditarmos na imunidade, ele é mais um que já não tem problemas com o vírus. No Brasil tive vários jogadores que apanharam o vírus e depois já nem precisavam de fazer testes para os jogos, era direto…

Jorge Jesus Antevisão Paredes-Benfica Taça de Portugal

“OS CLUBES EM PORTUGAL TRABALHAM COMO NINGUÉM NO MUNDO”

Com a saída do diretor-geral Tiago Pinto o que é que o Benfica perde?

Quando cheguei ao Benfica não conhecia o Tiago [Pinto] pessoalmente, nem profissionalmente, e ele ensinou-me a conhecê-lo. Ele vai para a Roma porque reconhecem muita capacidade, é um profissional e um administrativo de grande nível. É uma perda, mas isso faz parte do processo do futebol em Portugal. Todos os quadros, treinadores, jogadores, diretores, aqueles que demonstram alguma capacidade superior são solicitados pelos grandes clubes, que financeiramente têm capacidade para levar daqui os melhores. E vimos isso ainda agora… na seleção portuguesa estava a jogar apenas um jogador que compete no campeonato português, e porquê? Porque a capacidade financeira dos clubes em Portugal não é como a das grandes equipas internacionais. Certo é que os clubes em Portugal trabalham como ninguém no mundo, disso é que ninguém tenha dúvidas. Não só na formação dos jogadores, mas também nas estruturas de serviços administrativos, somos top no mundo. Aliás, andam todos a aprender connosco e por isso é que os vêm cá buscar. Não é só o Tiago, há muitos que estão a sair e que não são tão conhecidos como o Tiago.

Ontem [quinta-feira] vimos Lucas Veríssimo a mostrar-se feliz pelas palavras elogiosas que teve para com ele. Sabemos que o Santos não aceitou a proposta do Benfica… Vai pedir ao Benfica que faça uma nova e melhor proposta para trazer o jogador?

O Lucas Veríssimo foi sempre um jogador que, com a minha chegada ao Benfica, fazia parte da agenda da nossa escolha dos vários centrais. A partir daqui todo o processo burocrático e financeiro que possa surgir já não é comigo, é com o Presidente, é com o Rui Costa, principalmente com essas duas pessoas, e ainda com o diretor financeiro do Benfica. Por mim passa só a qualidade do jogador e a escolha do jogador, seja ele qual for. Portanto, não sei como se vai fazer e o que vai acontecer. Não sei se vou ter ou não Lucas Veríssimo, mas se me perguntar se eu gostava de o ter, gostava, disso não tenho dúvida.

Jorge Jesus Antevisão Paredes-Benfica Taça de Portugal

Fala-se que William Carvalho pode resolver vários problemas no meio-campo do Benfica. Concorda com essa opinião?

William Carvalho é um jogador de seleção. Sei o valor dele, é um grande jogador, como há outros. Eu, como treinador do Benfica, gosto de todos os grandes jogadores, mas isto não quer dizer nada. Temos vários jogadores para essa posição [6 ou 8] que me dão a segurança necessária.

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