Rui Costa e Luís Filipe Vieira falaram sobre a presidência da continuidade

Rui Costa abordou, em entrevista à TVI, o papel que pode desempenhar no futuro do Benfica. Para já candidata-se a lugar de vice-presidente na lista de Luís Filipe Vieira, mas tem sido apontado como potencial futuro presidente das águias.

«É um orgulho que o meu presidente acredite que posso ser um dia presidente do Benfica. Mas vamos por partes: primeiro vamos ter quatro anos para perceber se tenho capacidade para me candidatar e dar continuidade a este projeto. O meu orgulho e benfiquismo não podem estar à frente da capacidade. E depois teremos de ver se os sócios continuam com vontade que eu um dia possa ter papel mais importante. Fala-se muito do meu papel no Benfica, mas não estou aqui só por estar, nem estou aqui a tirar algum dividendo, aliás disso é algo que nunca me poderão acusar», sublinhou o atual administrador da SAD e diretor desportivo, que garantiu que, sendo eleito vice-presidente, deixará de ter ordenado.

Atual administrador da SAD do Benfica, Rui Costa é candidato a vice-presidente na lista de recandidatura de Luís Filipe Vieira. O antigo jogador recusa o papel de ‘yes man’ e diz que só dentro de quatro anos analisará a possibilidade de ser ele próprio candidato à liderança do clube.

«Honestamente, tem-se falado muito sobre isso nos últimos dias, depois das declarações do presidente, mas deixa-me já dizer-te que não foi por essa razão que aceitei o convite para a direção. Não é com a obsessão de ter de vir a ser presidente do Benfica. Não escondo todo o orgulho que tenho por ouvir o atual presidente do Benfica, que fez a história que fez neste clube, considerar que posso vir a ser o futuro. É um orgulho para mim enquanto benfiquista. Agora, até lá, a minha função continuará a ser aquela que era, em termos de futebol. Começo a conhecer o clube por dentro também numa outra área. Mas, até daqui a quatro anos, serei o primeiro a avaliar se tenho capacidade ou não para poder ser presidente do Benfica. Até porque sou demasiado benfiquista para aceitar um cargo no Benfica que não me sinta capaz de cumprir. Portanto, vou ter aqui quatro anos para perceber, acima de tudo, quais são as minha capacidades. Depois serão sempre os sócios a decidir o que vem a seguir. Se eu me considerar pronto e apto para um cargo desta responsabilidade e desta dimensão, assumirei as minhas responsabilidades no Benfica, como sempre fiz. Apesar de haver muita gente a considerar que eu ando escondido, porque não percebem bem qual é a dinâmica de uma equipa de futebol, nunca fugi às minhas responsabilidades. Se me considerar pronto e apto para o cargo, posso avançar. Caso contrário, serei o primeiro a dizer que não estou pronto», explica, em longa entrevista ao tribunaexpresso.pt.

Recentemente, porém, Rui Costa foi alvo de críticas por parte de figuras do clube.
 

«Para aqueles que dizem que sou usado, a minha história de vida se calhar não é diferente de muitos outros jogadores de futebol ou cidadãos, mas eu tenho orgulho nela. Não nasci rico, nasci numa cave na Damaia, lutei toda a minha vida para ser jogador de futebol no Benfica, cheguei a jogador do Benfica, fui para o estrangeiro, estive 12 anos no campeonato mais importante da altura, fui campeão europeu, fui 94 vezes internacional português, fui capitão em todas as minhas equipas, passei a diretor desportivo do Benfica, passei a administrador, fui convidado para ser o número dois da direção de Luís Filipe Vieira e isto não se faz a ser usado por ninguém. Isto não se conquista a ser banana para ninguém. Conquista-se com aquilo que sou, com a responsabilidade que sempre assumi na minha vida em tudo o que faço, quer no Benfica, quer na minha casa, quer nas minhas empresas, quer com a minha família, quer com os meus amigos. Portanto, não permito que me considerem um banana. Não se chega a fazer tudo aquilo que fiz na vida só porque sim», refuta, assumindo até algumas divergências com o próprio Luís Filipe Vieira.

Eis mais alguns excertos da entrevista:

As críticas de Bernardo Silva: «É claro que as pessoas que não estão contentes com esta direção esperam que as figuras públicas do Benfica tenham declarações contra ela. Mas para eu fazer isso seria necessário que eu também pensasse como eles, que estivesse contra. Da mesma forma que eu respeito quem está contra a direção, também têm de me respeitar a mim por estar a favor daquilo que é o Benfica dos últimos anos. Podemos fazer melhor? Podemos. Vamos trabalhar afincadamente para fazer cada vez melhor? Vamos com toda a certeza. Mas também não permito que se possa estar a julgar neste momento o Benfica como se não ganhássemos um título há 10 anos. O Benfica ganhou nesta década como já não ganhava há muitas. Criou um projeto, uma estrutura, que permite ao clube enfrentar o futuro com um otimismo tremendo, quer financeiramente, quer desportivamente. Portanto, respeito quem está contra, não sou das pessoas que cria polémica e acha que só há uma voz aqui dentro. Sou obrigado, por educação e por benfiquismo, a respeitar as opiniões contrárias, mas também posso ter a minha opinião. Agora, as pessoas não podem é querer que eu tenha a opinião delas. A minha, neste momento, é de continuidade. Volto a frisar uma coisa que é muito séria para mim: quando digo que é de continuidade, não digo que é a conversa de que eu seja o futuro presidente do Benfica. É de continuidade porque neste momento não considero que o Benfica deva interromper tudo aquilo que fez até aqui. Acredito plenamente na estratégia do presidente para o clube ser cada vez melhor e maior. Há 14 anos, quando voltei ao Benfica, era quase impossível aspirarmos a sermos campeões nacionais. Sou testemunha participante da evolução que este clube tem tido. Jamais poderia neste momento não acreditar que este é o caminho. Sendo que, a partir de quarta-feira, ganhe quem ganhar, temos todos de meter na cabeça que o Benfica é para estar junto e não dividido. Porque estou a ver tanto alarido à volta do clube que até parece que não ganhamos nada há 10 anos. Ou que não se cresceu em nada em 10 anos. E isto é completamente absurdo. Um caso flagrante: ninguém mais do que eu, igual a mim, sim, mas ninguém mais do que eu sofreu por não termos conquistado o penta. Não há ninguém que tenha sofrido mais do que eu. Podem ter sofrido igual a mim, porque eu também não sou mais do que ninguém, mas mais do que eu, não. Mas isso também não pode apagar o facto de nós termos sido tetracampeões, algo que o Benfica nunca tinha conseguido na história.»

A ambição europeia: «O Benfica tem falhado nos últimos anos em termos daquilo que é a dimensão europeia. Volto a dizer: temos de ser ambiciosos ao máximo, por isso temos de acreditar que é possível chegar a um título europeu. Agora, também não me falem de um título europeu com essa leviandade toda, como se fosse a coisa mais banal deste mundo. Acabámos de falar do Bernardo Silva: eu continuo a desejar que ele seja campeão europeu, mas, quando falamos de investimentos, ele está numa equipa que investiu 14 vezes mais do que o Benfica e ainda não conseguiu chegar a um título europeu, nem a uma final.»

Os outros candidatos à presidência: «Ao dia de hoje, parece que se eu estiver numa campanha e os candidatos disserem que vão ser campeões europeus, eu tenho de dizer que vou ser bicampeão europeu. E se aparecer outro que diga que vai ser bicampeão europeu então eu vou ser tricampeão europeu. Pronto. O que espero, sinceramente, é que o Benfica se volte a unir a partir de quarta-feira, independentemente de quem ganhe.»

Os processos judiciais: «Quanto mais nos aproximámos das eleições, pior foi. Desde os pessoais aos coletivos. Se isso é agradável? Não é. Não é agradável para ninguém, nem para quem trabalha aqui dentro nem para o presidente. Agora, eu pergunto: fomos condenados em quê? Nada. Está tudo dito sobre isso.»
 

Porque os sócios do Benfica devem votar em Luís Filipe Vieira: «Antes de mais, apelo ao voto, acho que devem votar. Acho que é das eleições mais concorridas do Benfica, há muitos anos que não se tinha uma eleição com tanta gente. Infelizmente, pela questão da pandemia, teve de haver essa mudança na data e isso pode criar alguma dificuldade em votar. O clube tentou, pelo que percebo, dar a possibilidade a todos de votarem, por isso apelo ao voto, seja lá ele qual for. Depois da eleição, o Benfica tem de estar unido, ganhe quem ganhar. Relativamente ao voto em Vieira: acho que o trabalho é mais do que visível. Tem de haver esse reconhecimento e essa confiança, sabendo que a obra ainda não está finalizada, que ainda há muito por fazer. Luís Filipe Vieira, por tudo o que tem feito pelo clube, é merecedor de continuidade. O Benfica passou por muitos tempos de glória, há muitos anos, depois passou por uma crise em que quase fechou portas e hoje é um clube reconhecido em termos nacionais, europeus e mundiais. Sei muito bem o que o Benfica é lá fora e é algo de que me envaideço quando estou perante presidentes e diretores de colossos europeus, que me dão os parabéns por tudo aquilo que temos vindo a fazer no clube.»

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