Jorge Jesus era para ser o substituto de Rui Vitória

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, em entrevista a A BOLA, analisou vários aspetos da vida do clube e clarificou a situação em torno da escolha de Jorge Jesus.

– Afirmou que Jesus não voltaria ao Benfica. Porque mudou de opinião?

«É o contexto. Quando falei o contexto era um, hoje é outro. A vinda do Jesus foi muito, muito pormenorizada e bem pensada. Não foi pensado há dias. Ele sabe melhor do que eu que não foi há dias», afirmou Luís Filipe Vieira, em entrevista a A BOLA.

– Disse que tinha pensado em Jesus em março/abril.

«Não, não, disse: ‘Se houvesse uma alteração no Benfica tu serás o próximo treinador do Benfica, assim o queiras.»

– Ainda agora, na RTP3, disse que tomou a decisão de contratar Jesus em março/abril. E em junho disse que Bruno Lage seria o treinador do Benfica independentemente de ganhar ou não o título.

«Não, não, não. Se calhar, aí, há qualquer coisa que está mal. Sei a conversa que tive com Jesus. Disse ao Jorge: ‘Se nós fizermos alguma alteração, tu serás o nosso treinador’. Aliás, deixe-me dizer, quando chamo Bruno Lage, quando ele entra, se o Jorge tem dito que sim, na altura, não seria o Bruno Lage [o treinador substituto de Rui Vitória]. Agora, quando o Bruno Lage entra já não era capaz de tirá-lo de lá. Isso acabou. O Bruno era para fazer um jogo, depois o Jorge disse que não. Era o Jorge que estava pensado, vamos ser claros nisto.»

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, em entrevista a A BOLA, revelou que já poderá ter vendido o passe do jovem avançado Gonçalo Ramos.

Quando fala, no manifesto eleitoral, da capacidade de produzir talento a baixo custo e gerar receitas sugere que se espere pelo crescimento de um jogador para fazer boas vendas ou que se venda um jogador acabado de formar?

«Se fosse assim, já tinha vendido o Gonçalo Ramos», afirmou Vieira, em entrevista a A BOLA.

– Por quanto?

«Já tivemos uma oferta de €30 milhões e não vendemos.»

– Qual foi o clube que fez a oferta?

«Não interessa. O Gonçalo pode ser outra referência do Benfica. Já basta termos sido eliminados da Liga dos Campeões e… praticamente a situação do Rúben Dias. Porque se tivéssemos sido apurados de certeza que ele não teria saído assim…»

– Sem essa ‘martelada’ não saía?

«Está claro. Mas, pronto, se calhar o Rúben também tinha uma expectativa, um sonho, sei os clubes com que ele sonhava. Posso reafirmar o seguinte aos benfiquistas: o que está no Seixal, com o colégio, chega-nos, mas se tivermos mais seis campos, melhor estaremos. A prioridade será sempre o Seixal. A estratégia é o Benfica Campus. Não é pela chegada do Jorge Jesus que vamos alterar o que pensamos fazer. O Jorge olha para lá. Quando saiu o Vinícius foi opinião dele subir o Gonçalo Ramos. De ano para ano, haverá equipas com mais jogadores do Benfica Campus, outros com menos. Vai ser sempre assim.»

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, em entrevista a A BOLA, clarificou toda a situação em relação à mudança da data das eleições.

– As eleições foram antecipadas para dia 28, quarta-feira, por dia 30 estarem a vigorar medidas mais restritivas de combate à pandemia decretadas pelo Governo. A sua candidatura mostrou-se favorável à antecipação, as outras protestam, dizem que foram convocadas pela Mesa da AG para ouvir um comunicado, reclamam não terem sido ouvidas, acusam-no de ter sido o verdadeiro mentor desta decisão e Noronha Lopes até disse que Luís Filipe Vieira se sente o dono do clube. Concorda com a data? Decidiu que as eleições seriam dia 28? Sente-se o dono do Benfica?

«Vou começar pela última. Até é uma ofensa aos benfiquistas. Penso que fui eleito pelos benfiquistas pelo trabalho que desenvolvi em prol do Benfica e pela defesa dos direitos do Benfica. Em todos os mandatos fui eleito com mais de 83 por cento. Sempre. Ou Noronha Lopes estava distraído, e acho que anda muito distraído mesmo, até porque nunca mais acompanhou o Benfica… foi-se embora na altura e ninguém pode dizer nada porque foi à procura da vida dele. Lembro-me que disse uma frase curiosa a uma pessoa que, felizmente, está viva. Disse: ‘Ainda bem que me vou embora porque fazer o Estádio da Luz vai ser o fim do mundo com o Benfica.’ Não sei o que é que queria dizer com aquilo, mas há pessoas que podem transmitir isso. Nunca, alguma vez, tive a pretensão de ser o dono disto tudo, ou melhor, o dono do Benfica. Não podia ter essa veleidade porque os sócios do Benfica serão sempre os donos do Benfica. E não tomaria as iniciativas que tomei de tirar património da SAD para o clube. As árvores da floresta que pensei plantar estão todas plantadas. Não vale a pena inventar. Como não têm ideias… diz que quer comprar um comboio, quer um diretor desportivo, o outro diz que é a Gestifute, depois são as comissões. Projetos… não há nada. Ou então dizem: ‘Vou ser campeão europeu’. Então onde é que está o dinheiro. ‘Ah, não sei, depois vê-se’. Isso não é assim. O que é certo é que a obra que existe no Benfica está feita e está paga, doa a quem doer está paga. Ainda em relação às eleições, estava a viajar e quando aterramos a primeira coisa que fazemos é ir ao telemóvel. Fui ver. [Dia] 28? E liguei e perguntei porque é que as eleições são a 28. ‘Ah, não, o Estado decretou, o Primeiro-Ministro, temos de alterar e antecipar porque mais à frente nem sabemos se haveria a hipótese de se fazer as eleições. Aliás e cumprimos os estatutos’. Para mim, tanto faz ser dia 28… Para qualquer candidato tanto lhe faz 28 como 27, 26 ou 25. Até abandonei a campanha, como sabem, por respeito às instruções da Direção Geral de Saúde. Oiça, já apresentaram todas as propostas aos benfiquistas. Só se estavam à espera, mais para a frente, que o Benfica perdesse ou que houvesse um estado de confinamento e estávamos aqui todos ilegais e nunca mais havia eleições no Benfica. Não sei, às vezes, o que é que as pessoas pensam. Então não é muito mais estável votar? Há hipóteses de votar. O Benfica fez um investimento fantástico para ser uma democracia, a base mais alargada de sempre na história do Benfica para os sócios votarem, para participarem, para terem influência na eleição, ou seja, os sócios é que têm de dizer quem é que querem a comandar o Benfica. Depois desse investimento todo não há democracia? Eu é que fui impor? Não, o presidente da [Mesa da] Assembleia Geral é que tomou a decisão. Conheci-a quando aterrei. E depois esclareceram-me a situação. Mas também quero dizer que qualquer outro candidato, se pensar um bocadinho, vai ver que o presidente da AG esteve muitíssimo bem a tomar a decisão. Se era 28, 26 ou 27, não sei. 29 não podia ser porque jogamos, dia 30 também não [já em vigor as medidas do Governo]. Tomou uma decisão muito sensata a defender os interesses do Benfica.», afirmou Vieira, em entrevista a A BOLA.

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