Luís Filipe Vieira abre o jogo em entrevista na RTP3

Candidato às eleições presidenciais do Benfica, Luís Filipe Vieira concedeu uma entrevista à RTP3. O atual líder das águias negou ter contratado Jorge Jesus como trunfo eleitoral.

«Não contratei Jorge Jesus para vencer as eleições, até porque se formos a ver ele é um treinador controverso no universo benfiquistas. Falámos em março ou abril e desde aí ficou definido que ia ser o próximo treinador do Benfica», atirou.

Luís Filipe Vieira reiterou ainda a aposta na formação das águias.

«O Seixal vai continuar a ser a nossa prioridade. Simplesmente sentimos necessidade de nos reforçar e decidimos colocar alguns jovens a rodar. O Florentino, o Jota e o Gedson quis rodar. O Tiago Dantas tem 15 anos de Benfica, não estava a ser titular na equipa B, e quando apareceu o Bayern não lhe ia dizer que não», atirou.

Em contagem decrescente para as eleições para a presidência do Benfica, Luís Filipe Vieira  apontou à conquista de um título europeu no próximo mandato.

«É uma aposta firme e minha ganhar um título europeu. Acho que vou chegar nestes quatro anos. É a única promessa que fiz ao meu pai e falta cumprir é esta. E hei-de conseguir», disse em entrevista na RTP3, sem referir que se essa meta foi traçada para esta época: «A prioridade é entrar em campo para ganhar todos os jogos, no final fazemos contas.»

Sobre o sonho de vencer uma competição europeia com a ‘prata da casa’, Vieira atirou: «Se os sócios esperaram quatro ou cinco anos, e não sair nenhum jogador, garanto que o Benfica terá equipa para disputar a Champions até à final.»

Vieira considerou ingrata a derrota com o PAOK que afastou o clube da Liga dos Campeões: «Fomos para a Champions sem um único jogo em competição, enquanto o PAOK já tinha quatro ou cinco. Na primeira parte podíamos ter facilmente resolvido o jogo, mas o futebol é assim.»

«Para qualquer equipa portuguesa na Champions, a partir dos oitavos de final é uma lotaria. Quando fomos eliminados pelo Bayern (2015/16), nos quartos de final, perdemos lá por 0-1 e cá empatámos 2-2. Podíamos ter eliminado o Bayern», recordou.

Edison Cavani foi um dos temas quentes do mercado de transferências do Benfica. Em conversa com a RTP3, Luís Filipe Vieira assumiu o interesse no avançado uruguaio.

«O Benfica fez uma proposta, sensata e a que podia fazer. Tudo levava a querer que íamos fechar, mas quando as coisas começam a demorar pedi a eles para mandarem uma proposta. E quando vou a ver era praticamente o dobro do que tínhamos dito. Disse que não estávamos interessados. Confirmo que tivemos interesse, mas posso garantir que se me tenho encontrado com ele, tínhamos assinado», atirou.

Recorde-se que Cavani acabou por rumar ao Manchester United, já depois de do fecho de mercado de transferências.

Emails, vouchers, Operação Lex, Mala Ciao… Luís Filipe Vieira falou sobre os casos que correm na justiça e envolvem o Benfica.

Lóbi: «Não tenho poder nenhum, as pessoas estão redondamente enganadas. A minha vida é Benfica, empresa e casa. Ninguém me vê em jantares ou a conviver com quer que seja. Perguntam-me se nestes anos todos não tinha montado um lóbi. Mas qual lóbi? Não conheço, nem falo com a maioria das pessoas que estão no poder. O meu poder é zero. Tenho uma boa relação com o presidente da Federação? Tenho. Com o primeiro-ministro? Qual é o problema, ele fez-me algum favor? É proibido dizer que sou amigo de António Costa? Ele é primeiro-ministro, eu sou presidente do Benfica. Qual foi o favor que eu ou o Benfica pediu ao primeiro-ministro? Pelo contrário, o Benfica é aquele que é mais esmagado. Não há lóbi contra ninguém. O que há é trabalho e credibilidade.»

Operação Lex e relação com Rui Rangel: «Não lhe ofereci nada (bilhetes). De certeza que a justiça funciona em Portugal. Não vou ser julgado pela televisão e pelos jornais – aliás, já me fizeram o julgamento. Posso garantir que, se não fosse presidente do Benfica, não estava metido nesse caso porque não pedi nada ao sr. Rui Rangel. Nem ele podia interferir neste meu processo, que é uma dívida que o Estado tem para comigo, e andei nove anos para ser ressarcido do meu dinheiro. O que deviam escrever e falar é de como o Estado português consegue fazer isto. Eu, por acaso, pude aguentar, mas um pequeno ou médio empresário… fechavam-lhe a porta. Que ajuda é que iria pedir ao juiz Rui Rangel? Em quê? Quando conhecerem o processo, tirem as ilações. O que eu fiz, todos faziam igual.»

Emails: «Isso foi há quanto tempo? Hoje até me disseram que os emails iam ser destruídos…. Não acham que, nos últimos anos, o Benfica era um dos clubes com o melhor plantel em Portugal? Mas estamos a brincar? Ganhámos quatro campeonatos seguidos, perdemos um nos últimos segundos… mas lembram-se dos planteis que o Benfica tinha? Era preciso andar a pedir favores a árbitros? Que árbitro é que vem dizer isso?

«Acho é que os emails deram azo a outras coisas muito mais graves. Por exemplo? Os que diziam que eram benfiquistas foram todos afastados da arbitragem. Foram todos corridos. Aqueles nomes que estavam lá deviam ser investigados em como é que ajudaram o Benfica.»

Manobras para prejudicar o Benfica: «É lógico que estes casos acabaram por prejudicar o Benfica. O Mala Ciao foi o quê? Mais: sofri na pele 12 anos com o caso Mantorras. Andei em lume brando. Falava do Apito Dourado, aparecia o caso Mantorras… passados 12 anos, arquivado. A única coisa que posso dizer é que tenho a consciência tranquila e os meus filhos e a minha mulher podem ter orgulho no pai e marido que têm. Isso para mim é que importa. E os que me conhecem sabem que sou incapaz de subornar quem quer que seja.»

Imagem pessoal manchada: «Tenho de lutar para limpar o meu nome. A justiça vai julgar-me. Acusaram-me, têm de me julgar. Já me viraram dez vezes e eu continuo de pé. (…) O Benfica nunca me protegeu em nada, pelo contrário. O Benfica prejudicou-me e continua prejudicar gravemente. A inveja neste País… ninguém vai perdoar. Como é que um indivíduo com a 4.ª classe fez aquela obra e revolucionou o Benfica por completo? E revolucionou uma boa parte do futebol português? Se sou vítima de preconceito? Sim, lógico. Se eu não aparecesse no Benfica, não havia estádio, não havia nada esqueçam.»

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, explicou que foi a transição na presidência da Liga Portugal entre Luís Duque e Pedro Proença, em 2015, que provocou o corte de relações com o homólogo do FC Porto, Pinto da Costa.

«Nessa altura houve um período de três semanas em que ninguém sabia quem iria ser o presidente da Liga. Encontrei-me com Pinto da Costa numa reunião e o que eu disse foi: ‘presidente, a resolução do futebol português e da Liga passa por nós dois. Com uma condição: FC Porto e Benfica não podem ter ninguém nos órgãos sociais da Liga. Escolha quem quiser, não pode é ser do Benfica, nem do FC Porto’. O primeiro nome que ele falou foi Jorge Neto. Eu disse ‘deve haver algum engano porque esse senhor é portista’. Ele respondeu ‘então escolhe tu’. Eu disse que tinha lido no jornal A BOLA o nome de Luís Duque. E ele diz: ‘então liga-lhe’. Foi assim que foi escolhido o presidente da Liga», explicou Vieira em entrevista à RTP3, lembrando a «paz» que se viveu entre Benfica e FC Porto nesse período.

«O que cortou esta relação? Um dia Pedro Proença entra no meu gabinete, diz-me que ia despedir-se da arbitragem, que ia candidatar-se à presidência da Liga e que tinha o apoio do FC Porto. A partir daí não houve mais conversas. (…) Ouvi-o (a Pinto da Costa) dizer numa entrevista que era impossível uma relação com o cidadão Luís Filipe Vieira. Eu tenho uma palavra e assumo-a sempre. Quando a palavra do outro lado não é cumprida, não vale a pena», referiu, frisando, porém, que manteve um diálogo normal com o líder dos dragões na recente reunião com o primeiro-ministro a propósito da crise no futebol devido à pandemia, na qual o presidente do Sporting também esteve presente. 

Vieira assegurou ainda que o corte de relações com Pinto da Costa em nada está relacionado com o caso dos emails: «Isso é outra história. Um dia há-se saber porque é que os emails saíram e quem pagou para fazerem aquilo.»

Sobre o corte de relações com Pedro Proença: «Disse-me que estava farto da Liga e que se ia embora. Não sei se vai, ou não, estou a aguardar. O Benfica saiu da Liga porque Pedro Proença mentiu. Não tenho nada contra ele, mas a carta que fez não a podia ter feito sem a autorização dos clubes, principalmente dos três grandes.»

Luís Filipe Vieira voltou a ser questionado sobre o porquê de não aceitar um debate televisivo com os restantes candidatos à presidência do Benfica tendo em vista as eleições marcadas para 30 de outubro.

«Apreciei muito os debates das eleições do Sporting, deu-me gozo ver aquilo. Não quero aquela palhaçada no meu clube. Se fez mal ao Sporting? Acho que sim, o que se viu (nos debates) foi o riso nacional», disse em entrevista à RTP3.

«Se virem o que desde há dois anos se tem vindo a falar sobre o Benfica, a forma como apareceram os candidatos… Se for um debate, não para discutir ideias, mas para criticar e ofender pessoas, não vou entrar nisso porque depois do dia 30 tem que haver um Benfica único. Não quero criar qualquer ruptura que depois seja irreversível.»

«Sou presidente há 17 anos, nunca fiz debates com ninguém, e tenho obra para mostrar. As ideias e projetos que (os outros candidatos) tiveram podem apresentá-las aos benfiquistas nos outros canais de televisão», acrescentou, explicando também porque não está o canal do clube a fazer cobertura da campanha: «A BTV tem 12 anos e nunca acompanhou uma campanha porque, no fim, iriam sempre dizer que seria eu o mais beneficiado. A BTV não tem que se envolver nas eleições do Benfica.»

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