Varandas Fernandes falou do momento do Benfica sem “populismo”

Em 2018, Varandas Fernandes, vice-presidente do Benfica, viu o FC Porto acusá-lo na justiça de crime de ofensa a pessoa coletiva. O processo não passou na Instrução e não haverá julgamento. Eis o ponto de partida para revisão sobre a atualidade, com a AG de sexta-feira e o momento do futebol em análise. Acredita ainda no título e diz que o treinador é… Lage  

Confirma que foi encerrado o processo que o FC Porto lhe moveu em setembro de 2018 sem ir a julgamento?

– Confirmo. Na altura, na qualidade de vice-presidente do clube referi-me a um roubo de informação ao Benfica, e também me referi à divulgação dessa mesma informação pelo Porto Canal. Eu disse que acreditava na justiça, que conseguiria provar a forma e as contrapartidas como foram roubadas ao Benfica. Por causa dessa minha declaração, o FC Porto apresentou uma queixa contra mim por supostamente ter cometido um crime de ofensa a pessoa coletiva. Ora bem, passado este tempo o senhor juiz de instrução decidiu que das minhas declarações não resultou a prática de qualquer crime e que na conferência de Imprensa me referi a factos e a dar a opinião sedimentada sobre os factos e que isso não constitui a prática de um crime. E assim, está o processo encerrado. Um processo que naquela altura foi bastante noticiado e bastante divulgado está encerrado sem haver sequer acusação, sem ir a julgamento. Todo o alarido e divulgação que se fez na altura, que o vice-presidente do Benfica seria acusado por prestar declarações difamatórias, acabou com o processo encerrado.

– Relativamente à atualidade do clube, ficou surpreendido com a votação dos sócios em AG, onde foi chumbado o orçamento?

– Em primeiro lugar tenho de enaltecer a forma como foi organizada a assembleia Geral, foi organizada de uma forma competente e muito responsável. Foi uma AG que decorreu com correção e respeitabilidade à elevação do Benfica. O orçamento foi chumbado e agora vamos analisar e ponderar devidamente em reunião de Direção.

– Mas que leitura é feita e que implicações pode ter esse resultado?

– A Direção vai fazer aquilo que normalmente faz em relação a todos os assuntos da vida do clube. Estatutariamente há vários caminhos possíveis com três opções em cima da mesa, desde a correção do orçamento até à não apresentação de outro documento. Mas naturalmente que antes de qualquer decisão a Direção vai analisar e ponderar porque é isso que se exige.

– Será este chumbo entendido como um aviso para as eleições agendadas para outubro?

– Temos estado a viver, nestes últimos tempos, uma complicada ausência de bons resultados ao nível do futebol. Mas falar de crise grave como algumas pessoas andam a falar… Quem ganhou cinco dos seis últimos campeonatos; na última década tivemos resultados desportivos no futebol em que conquistámos 18 títulos contra 12 do FC Porto e cinco do Sporting. Nas modalidades de pavilhão conquistámos 73 títulos, o FC Porto 40 e o Sporting 28. Ou seja, sozinhos no futebol e nas modalidades ganhamos mais do que os nossos rivais juntos e partindo de uma situação caótica, como todos se lembram, e que se arrastava há grande número de anos. Nós fomos campeões há um ano e que eu saiba, e a realidade é esta, ainda estamos na luta na Liga e na Taça de Portugal. Acho que há que ter bom senso e a noção da realidade. Nos últimos 17 anos recuperamos o clube a nível das infraestruturas físicas, na credibilidade, na inovação e competitividade. Obviamente que não estamos hoje onde gostaríamos de estar, mas isso não nos pode levar a comprometer tudo o que foi conseguido até aqui. Para mim, uma coisa é a conjuntura, outra é a dimensão estrutural que o Benfica, com este presidente, consolidou ao longo dos últimos anos. E não podemos comprometer a solidez estrutural por uma conjuntura de resultados que são menos felizes e passageiros. Todos nós sabemos que os próximos tempos vão ser difíceis do ponto de vista financeiro, mas se há coisa que este presidente e esta Direção provaram é que sabem enfrentar situações muito difíceis, e esta é mais uma delas. Estamos preparados.

– É a constatação de que mau momento no futebol coloca em xeque tudo o resto à volta do clube…

– A demagogia alimenta-se de picos estruturais. Há alguns benfiquistas – temos de ser verdadeiros – a semear a divisão e o populismo. E não podemos esquecer que essa demagogia foi a manipulação que destruiu o Benfica em tempos passados. Não é tempo de estarmos divididos, de populismo estéril e promessas fáceis. E digo mais: quem só critica não sabe governar, ou quem só sabe criticar não está preparado para governar e há uma coisa que para mim é segura: temos de ser resilientes e estar gratos a quem nos trouxe até aqui, que foi o presidente Luís Filipe Vieira. É a realidade e a vida é assente em realidades. E por muito que queiram pintar um quadro negro, apesar de já não ser original esse tipo de ataques ao presidente e à Direção, por todo o percurso feito, o Benfica é o clube que está melhor preparado para a próxima década, que esperamos que seja uma década cada vez mais vitoriosa e mais ambiciosa. E creio que temos todas as condições para isso.

– A Direção está preparada para os próximos desafios?

– Com certeza. Preparados e Direção e o seu presidente são gente responsável e respeitadora e que não brinca com coisas que são muito sérias. Temos uma conduta própria e o nosso interesse é colocar e defender o Benfica acima de tudo, de todo e qualquer interesse. Este é um momento de acompanhar, de estar atento, de refletir, de analisar e de ponderação e não de ataques, de precipitações nem de críticas fáceis.

– Ainda acredita no título?

– Acredito. Até ao último jogo é sempre possível vir a ser campeão. Como lhe disse, não estamos onde gostaríamos de estar. Mas isso não pode levar a comprometer o nosso acreditar na equipa e não pode levar a comprometer tudo o que já foi conseguido até aqui. Achamos que isto é uma conjuntura com uma dimensão estrutural momentânea que foi consolidada ao longo dos últimos jogos em que houve infelicidade de exibições menos conseguidas e não temos saído vitoriosos, mas acredito que este ciclo se vai inverter.

– Com ou sem Bruno Lage?

– A questão do treinador é um dossier que está com o presidente. Para todos efeitos o Bruno Lage é treinador do Benfica… mas o presidente, e bem, é que tem esse dossier em mãos.

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