Assembleia Geral ganhou um novo interesse

Os sócios do Benfica votam, hoje, o orçamento ordinário de exploração, o orçamento de investimentos e o plano de atividades elaborados pela Direção, bem como o parecer do Conselho Fiscal, para o exercício de 2020/2021 do clube. Mas mais do que uma reunião magna, na qual, por força da pandemia de Covid-19, não haverá discussão nem intervenções para esclarecimento de dúvidas sobre outros assuntos, esta será, também, oportunidade para perceber qual o posicionamento dos sócios em relação à atualidade dos encarnados, marcada, naturalmente, pelos resultados negativos da equipa de futebol.

A Assembleia Geral de hoje, porém, será realizada em formato inédito. Os sócios tiveram oportunidade de avaliar a proposta de orçamento da Direção e enviar perguntas, através de email. Trinta foram respondidas, anteontem, também por meios eletrónicos. A Direção esclareceu diversos assuntos e informou, por exemplo, a intenção de fazer nova Oferta Pública de Aquisição sobre capital social da SAD pertencente a terceiros, depois de a primeira tentativa ter sido chumbada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), esclareceu que não haverá debates na BTV antes das eleições presidenciais de outubro, deu conta de que as equipas de basquetebol e voleibol poderão não participar nas competições europeias e garantiu não ter pactos com qualquer dos clubes adversários.

É certo que os assuntos da equipa profissional dizem respeito à SAD mas ninguém pode ignorar que o momento atual poderá determinar uma posição de muitos sócios na votação do orçamento do clube. Foi isso, por exemplo, que aconteceu a 27 de setembro de 2012, quando os sócios chumbaram Relatório de Gestão e Contas do exercício 2011/12, bem como o parecer do Conselho Fiscal (56,7 por cento contra, 40,2 por cento a favor e 3,1 por cento de abstenção). A equipa de futebol, então comandada por Jorge Jesus, tinha acabado de empatar dois jogos seguidos (Celtic, em casa, para a Champions, e Académica, fora, para a Liga) e ocupava o segundo lugar com menos dois pontos do que o FC Porto. Vieira, nessa altura, estava, ainda, em conflito com a claque No Name Boys. E aquela foi noite tensa. Durante mais de duas horas e meia de reunião, o líder dos encarnados foi alvo da contestação de cerca de dois terços dos 600 sócios presentes. E ouviu muitas críticas à gestão desportiva durante as intervenções dos sócios. Vieira, durante o discurso, defendeu-se e reclamou ter devolvido credibilidade ao clube, mas os insultos subiram de tom e um petardo rebentou quando acabou de falar. Mal foram conhecidos os resultados, o presidente do Benfica saiu do pavilhão e teve de ser acompanhado pela segurança do clube. Os contestatários, ao mesmo tempo, gritavam: «Demissão, demissão, demissão!»

O chumbo do Relatório e Contas não teve efeitos práticos. Um mês depois Vieira ganharia as eleições com 83,02 por cento dos votos, contra 13,83 por cento de Rui Rangel.

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