Julian Weigl aos poucos conquista os adeptos e colegas

«Sei que posso ajudar mais a equipa, sei que tenho de melhorar e de controlar o jogo.» A 29 de março, em entrevista a um diário desportivo, única desde que chegou a Portugal, Julian Weigl reconhecia que não tinha correspondido, ainda, às expectativas. Portugal e o resto da Europa estavam em confinamento, o médio alemão fechado em casa com a namorada, Sarah Richmond, pensando no regresso à competição para se afirmar, verdadeiramente, na equipa de Bruno Lage. Tinha perdido, até, a titularidade na equipa para Samaris, no jogo contra o V. Setúbal, no Estádio do Bonfim. Com o regresso de futebol, surgiu o melhor Weigl que os benfiquistas puderam ver em Portugal.

O internacional alemão foi titular nos dois jogos após o recomeço do campeonato. No primeiro, contra o Tondela, na Luz, esteve em campo 58 minutos, foi substituído por Dyego Sousa quando Bruno Lage arriscou para chegar ao golo. Não saiu porque estivesse a jogar mal. Ao contrário. Somou nove recuperações de bola, cinco no meio-campo adversário, e acabou com a melhor percentagem de passes certos (96,4) da equipa, somando sete passes longos corretos em oito tentativas. Continuou, em Portimão, a justificar a titularidade, ganhando influência no jogo da equipa, atestada, por exemplo, no número de vezes que tocou na bola (67), apenas atrás de Rúben Dias (79). À exceção de Dyego Sousa, com um passe, ninguém entregou a bola com tanto cuidado – 52 passes e acerto de 94,2 por cento, superior a Taarabt, com quem jogou ao lado no meio-campo, que deixou o relvado com 86,2 por cento de passes certos.

Weigl revelou, em março, que Lage lhe pede para «controlar o jogo, decidir quando é preciso segurar a bola e baixar o ritmo ou intensificar a pressão, dar velocidade e partir para o ataque, marcar os ritmos do jogo, sobretudo do ponto de vista defensivo, ter uma palavra importante nas missões defensivas de modo a dar um bom equilíbrio à equipa». E é isso que vai fazendo, mesmo num contexto negativo do Benfica. Ainda no Algarve, assinale-se, esteve envolvido em 18 duelos e ganhou 11, recuperou 10 vezes a bola, oito no meio-campo adversário. Foi dos mais bem avaliados na imprensa entre qualquer jogador dos encarnados.

Contratado pelo Benfica ao Dortmund por €20 milhões, Weigl confessou não pensar nos valores da transferência. «Sei que o Benfica pagou muito dinheiro pelo meu passe, mas confio muito em mim e nas minhas capacidades. Estou a atravessar um processo e aqui agora tudo é novo para mim: novo clube, novo país, nova língua, novas pessoas, novos jogadores a quem tenho de adaptar-me para integrar-me na equipa. Tenho de saber onde os jogadores gostam de estar no campo e como pensam. É um processo evolutivo, confio muito neste processo e estou certo de que vou encaixar [na equipa]», assinalou o médio alemão.

Os treinos em muito bom nível, a resposta nos jogos e o profissionalismo de Weigl conquistaram Bruno Lage e companheiros de equipa. A circunstância atual – uma vitória em 10 jogos – não favorece a afirmação de Weigl. E, no entanto, ela acontece. No Benfica nunca duvidaram do valor dele e sempre acreditaram que seria uma questão de tempo para se começar a ver o médio que brilhou no Dortmund.

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