“Antigo pavilhão da Luz fazia lembrar o estádio do Boca Juniors a tremer”

Um dos mais categorizados jogadores da história do hóquei em patins, Panchito Velázquez vestiu a camisola do Benfica durante quatro temporadas, entre 1999 e 2003, tendo conquistado três Taças de Portugal e duas Supertaças. Em entrevista à página oficial das águias, o antigo hoquista, hoje com 45 anos, revelou guardar saborosas memórias do tempo que viveu em Lisboa.

«Ligou-me um responsável da direção, o António Mascarenhas. Fizemos um acordo de seis meses com o Barcelona. Fui a Portugal dois dias para verem como estava fisicamente, penso que em fins de novembro. Foram seis meses, o clube não estava bem. Pedi para trazer mais um jogador e deu-se a vinda do meu irmão [Mariano Velázquez]», começou por dizer o argentino.

«Jogámos o primeiro jogo com o Paço de Arcos e o pavilhão estava cheio. No sábado a mesma coisa. Fomos jogar a Paço de Arcos e a maioria dos adeptos era do Benfica. Lembro-me de um jogo que fizemos em Saint-Omer, em França. Quando lá chegámos quase todos os adeptos eram do Benfica. Joguei no Barcelona e nunca enchemos o pavilhão. Jogar em Saint-Omer, num dia escuro, com frio, era janeiro, o pavilhão repleto de camisolas encarnadas, aí comecei a sentir o que era o Benfica e o sentimento que envolvia as pessoas do clube. Quando fazes parte do clube e começas a ver estes pequenos pormenores… Por isso digo que o Benfica é uma religião.»

Panchito aproveitou para também recordar o antigo pavilhão da Luz. « Chamava-lhe o sótão. Era impressionante. Fazia lembrar o estádio do Boca Juniors a tremer. Aquele pavilhão tremia. Era o nosso sexto jogador. Era muito difícil jogar lá, havia muita pressão. Quando as pessoas começavam a vibrar mexia tudo.»

‘Atravessada na garganta’ ficou a seca de títulos no que diz respeito ao Campeonato Nacional.

«O Benfica não era o clube que é agora. Tínhamos uma equipa de 4/5 jogadores, eu não estava a 100% dos meus joelhos, fui operado muitas vezes. Nós começávamos as pré-épocas em agosto e chegávamos a março e abril completamente cansados, isso era um fator importante. Cheguei a nem jogar finais da Taça de Portugal porque estava no hospital a ser operado. Muitas vezes tinha de ir de manhã para o ginásio, à tarde para fazer a ligadura funcional, não foi fácil aquela época. Não havia fisioterapeutas, não havia nada. Chegávamos a março e abril e sentíamos muito o desgaste acumulado ao longo do ano.»

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