Ricardo Pesqueira termina carreira no andebol para abraçar medicina

O andebol poderá ter perdido um dos seus internacionais para a sociedade ganhar um médico de família. A fórmula não era descabida na cabeça de Ricardo Pesqueira quando encetou a terceira temporada ao serviço do Benfica. No entanto, o Covid-19 acelerou o processo e o pivot que ainda ponderava dar oportunidade à modalidade que o conquistou ainda menino – experimentou o andebol numa das caminhadas com o avô para as aulas de natação nas piscinas de Águas Santas – vai trocar a resina das mãos pelas luvas de médico.

«A época terminou prematuramente. Depois de saber que o contrato com o Benfica não seria renovado, tinha uma decisão para tomar. Ou continuava a carreira competitiva ou privilegiava a medicina, fazendo em novembro o exame que decidirá o acesso à especialidade médica e vai decidir um pouco o meu futuro nesse campo», explicou o andebolista de 28 anos, que além de propostas do FC Gaia e do Águas Santas, onde se formou, foi contatado pelo Pontault Combault, da Proliga francesa, onde militaram Tiago Pereira (também optou por fazer pausa na carreira) e João Moniz, que vai guardar as redes do Belenenses, e por emblemas de Espanha e Rússia.

«O Pontault Combault até tentou modificar as condições iniciais. E o Kevynn Nyokas [lateral do Benfica] ainda me ligou a dizer que seria uma boa experiência. Tinham mesmo vontade que fosse jogar por eles. Mas agora as condições que os clubes oferecem não são as mesmas e, face ao meu contexto familiar, decidi não ir para fora», justificou o andebolista, cuja namorada é enfermeira no norte de Portugal. «Assim, decidi apostar no exame e interromper a carreira», assume.


Três vezes campeão nacional, duas pelo FC Porto e uma pelo ABC, pelo qual conquistou a Taça Challenge, com duas Supertaças e três Taças de Portugal no currículo, Pesqueira admite ter sido «decisão difícil» de tomar.

«É deixar uma vida e uma carreira de 20 anos e muitas memórias. Comecei a época sabendo que podia ser uma das possibilidades. Mas esperava fazer um último jogo, queria despedir-me em campo, quem sabe até fazendo algo bonito na época. Não esperava receber um SMS a meio da semana, dizendo que já não podia treinar mais, porque os treinos e o campeonato estavam suspensos. Estava preparado para tudo, menos acabar assim. Deixar de jogar em campo é algo que qualquer atleta quer, parece que é algo a que tinha direito e me foi negado», reforça o doutor andebolista, sem querer fechar já a porta à modalidade que abraçou. «Se não acontecer, será uma saída discreta, que é como sou enquanto pessoa», diz resignado e sem dramatizar.

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