Simão Sabrosa recorda título de 2005 com Trapattoni e Mantorras

Em entrevista à BTV, Simão Sabrosa recordou Giovani Trapattoni, que na temporada 2004/2005 acabou por guiar os encarnados ao título nacional pela primeira vez desde 1994.

«Era um pai para nós, conhecia as manhas, brincava muito, corria connosco, misturava as línguas todos e nós brincávamos com ele. Era-nos muito querido, pela sua trajetória tínhamos de o ouvir com admiração e deixar levar por ele», recordou.

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Na altura, Simão era capitao de equipa e lembrou uma história com o italiano. «Numa fase vencedora, o grupo pediu-me, como capitão, para termos mais um dia de folga. Ele disse-me ‘vai tu dois ou três dias’… Ele insistia para ir sozinho. Eu dizia que ou eram todos ou ninguém e deu-nos mais um dia de folga.»

O título do Benfica em 2004/05 ficou selado no Bessa com um empate a uma bola frente ao Boavista. A vantagem chegou de grande penalidade, convertida por Simão Sabrosa, um especialista que explicou grande parte do sucesso.

«Não estava mais nervoso [nesse jogo]. Marcar um penálti é sempre muito difícil, os mais decisivos ainda mais, mas eu baseava-me muito na minha concentração. A minha respiração era fundamental. Tive a possibilidade de trabalhar com o Pedro Almeida, um psicólogo que estava no Benfica, tenho uma excelente relação com ele. Ele ajudou-me muito com bolas paradas. O facto de respirar antes era essencial. A partir do momento em que colocava a bola, respirava fundo e parecia que não havia mais ninguém no estádio. Só o guarda-redes. Quando partia para a bola já tinha um lado escolhido para o caso de o guarda-redes não se mexer. Quando fazia a típica paradinha, se o guarda-redes não se mexesse mandava para o lado que já tinha escolhido. Se se mexesse, chutava para o lado contrário», contou, na BTV.

Sobre a ‘mítica’ paradinha, contou como surgiu. «A paradinha surgiu nos treinos. Desde muito cedo que comecei a bater penáltis. Comecei a melhorar e não era permitido fazer a paradinha em cima da bola. Aquele metro e meio até à bola era suficiente. Eram muitos treinos e muita concentração. A técnica de remate também era importante. Se virmos a percentagem de penáltis que são batidos a meia altura, se o guarda-redes adivinhar defende quase sempre. Se fosse do lado direito do guarda-redes, a bola teria de sair com curva a fugir, se fosse para o lado contrário teria de ser pelo chão. Era assim que eu marcava», recordou.

Pedro Mantorras foi visto como jogador talismã do Benfica durante os vários anos que passou na Luz, algo que Simão Sabrosa, antigo colega do angolano, confirmou que também se sentia dentro do balneário.

«Ouvíamos o estádio todo quando ele ia para aquecer. As pessoas ficavam doidas, felizes, porque o Pedro era para os adeptos o que também era para nós no balneário. Sempre a contar anedotas. Foi muito importante nessa época [2004/05], pelos jogos que resolveu. Era totalmente diferente, mesmo com as limitações físicas, e era importante no balneário. Era um talismã, ele dizia ‘eu só quero ouvir Mantorras’ e empolgava a equipa» recordou o antigo internacional português», explicou, na BTV.

Já em final de carreira, Simão Sabrosa atuou ao lado de Pizzi no Espanhol, em 2013/14. O antigo capitão das águias mostra-se surpreendido com algumas críticas ao antigo colega e descreve-lhe grandes qualidades.O antigo capitão das águias mostra-se surpreendido com algumas críticas ao antigo colega e descreve-lhe grandes qualidades.

«Tive a possibilidade de o conhecer pessoalmente, joguei com ele no Espanyol. Fomos companheiros de quarto. Estávamos cinco dias da semana juntos e além dos treinos estávamos juntos à tarde. É uma pessoa muito humilde e bondosa, um autêntico craque.

Não percebo como é que há muitos benfiquistas que, quando algo corre mal, o criticam. Se olharmos para a época do Pizzi, as anteriores, golos ou assistências… Ele é um jogador muito importante para o Benfica e é muitas vezes criticado. Também aconteceu comigo, mas dele só tenho a falar bem. Enquanto profissional, ele lê cinco segundos antes o que vai fazer. Sabe que zona do campo deve pisar para marcar golos. Para mim é o maestro do Benfica», explicou, à BTV

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