Álvaro Magalhães recorda como Trapattoni recuperou a glória do Benfica

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«22 de maio de 2005. Lembro-me bem, como se fosse hoje. Abracei-me ao Giovanni Trapattoni no fim do jogo. Ninguém acreditava, mas ganhámos. E aquele dia foi um ponto de viragem, 11 anos depois o Benfica voltava a ser campeão e a partir daí recuperou a glória, foi o relançamento de um clube campeão». A frase é longa. É o espelho do que Álvaro Magalhães sente sobre o título de 2004/2005, quando era adjunto do italiano.

Álvaro fala com emoção, elogia Trapattoni. Tenta ligar-lhe, partilhar o momento de glória. Não atendem do outro lado. Um silêncio e as memórias a saltarem para a conversa. Umas atrás das outras, jogando com o passado e o presente.

«Mesmo no ano anterior, com José Antonio Camacho, ganhámos a Taça de Portugal, mas andávamos com a casa às costas, a treinar em todo o lado. Agora não, passado uns anos as coisas modificaram-se com condições de excelência no futebol mundial e tudo começou ali, naquele 22 de maio de 2005. O FC Porto dominava o futebol português porque estava mais organizado, mas a partir de aí o Benfica iniciou a caminhada e agora tem todas as condições que permitem ganhar mais vezes do que perder», resume o treinador.

Plantel curto… e Simão

«Empurrados». A palavra é de Álvaro Magalhães: «O título de 2004/2005 deve-se muito à massa associativa, que acreditou, nunca baixou os braços, mesmo nos períodos mais complicados e sabendo que tínhamos um grupo de jogadores não muito vasto, mas tínhamos pelo menos 13 ou 14 com qualidade. Foi o 12.º jogador. Sócios e adeptos empurraram o Benfica para o título.»

A pergunta tinha de surgir. Faltava qualidade? O adjunto de Trapattoni não contorna a pergunta. «Era um plantel muito inferior a alguns que tivemos antes e nem ganhámos. Como se ganha? Às vezes é o grupo de trabalho, a equipa técnica, os jogadores, as pessoas mais próximas da equipa e essa força, essa coesão do grupo, a força de vontade e o querer consegue ganhar muitas vezes», explica.

E foi depois mais longe: «Trapattoni foi realista. Com a estrutura que tinha, conseguiu chegar ao fim e ganhar o campeonato. Os adeptos criticaram, mas era crítica positiva. Disse muitas vezes aos jogadores que o assobio do sócio do Benfica não é para falar mal do atleta quer dizer o seguinte: ‘corram mais, lutem por essa camisola’. Quando a bola entrar vão bater palmas. Era o que o Nené dizia, era o mais assobiado, depois marcava o golo e lá vinha a ovação. Há muito uma dinâmica no Benfica que muita gente desconhece.»

O assunto encerra-se com que o jogador que mais desequilibrou.

«Simão. Simão foi fantástico. Que época! Que rendimento! Foi estrondoso. Sem ele, seria complicado sermos campeões. Mas muito bem estiveram também Nuno Gomes, Petit, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes, Geovanni, o Miguel. E o Mantorras? A entrar no fim dos jogos… ajudou muito. Tínhamos 13 ou 14 jogadores de grande nível», conclui.

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