Jorge Jesus foi o motor de arranque do Tetra

Jorge Jesus participou, este domingo, na emissão da BTV, a partir do Rio de Janeiro, para falar sobre o tetra. E fez uma revelação: após a final da Liga Europa perdida para o Chelsea, em maio de 2013, recusou convite de Luís Filipe Vieira para renovar contrato com o Benfica por mais quatro anos.

«Para seres grande equipa e ganhares grandes títulos tens de chegar lá, as que não são grandes não chegam lá e, portanto, nunca perdem. Houve um ano em que estávamos com hipóteses de ganhar quase tudo, Campeonato, Liga Europa e Taça de Portugal. A equipa ficou arrasada depois da final com o Chelsea, não conseguimos equilibrar a equipa do ponto de vista emocional», começou por recordar.

«Eu acabava contrato, não tinha ganho, mas há uma diferença muito grande: os que não ganham e os que não ganham mas chegam lá para ganhar. E quem chega está muito próximo de ganhar. O presidente do Benfica, mais Domingos Soares de Oliveira e Rui Costa, numa reunião, convidaram-me para renovar por quatro anos, mas eu não quis, só aceitei dois, achei que era muito tempo», revelou Jorge Jesus, realçando: «Em duas épocas, em oito títulos possíveis, ganhámos sete.»

Seis anos ao leme do Benfica, três títulos nacionais, três vezes vice-campeão: é este o registo de Jorge Jesus no campeonato enquanto treinador encarnado. No entanto, o técnico sente que esteve próximo do título por… Cinco vezes, comentando ainda o campeonato perdido no Dragão com o golo de Kelvin.

«Claro que me lembro do Marquês, estive lá várias vezes, podia ter estado cinco dos seis anos em que estive no Benfica. Um perdemos, porque FC Porto nesse ano foi muito melhor. Grandes equipas são as que ganham mais do que perdem, mas também perdem.

Um dos campeonatos que perdemos célebrejogo do Dragão, aquela jogada que dá a vitória ao FC Porto, quase impossível acontecer, mas futebol é isto mesmo, não tem lógica, não é ciência exata», disse o treinador, na BTV.

Um dos símbolos do Benfica dos últimos anos (137 golos em 183 partidas), Jonas chegou à Luz pela mão de Jorge Jesus, na temporada 2014/15. Em conversa com a BTV, o antigo técnico das águias lembra as reservas que foram levantadas por Luís Filipe Vieira aquando do pedido.

«Jonas é um dos melhores jogadores que treinei, um pensador do jogo. Quando o pedi ao presidente, já estava na casa dos 30 e o Luís Filipe Vieira perguntou-me porque que queria um avançado com 30 anos. Disse-lhe: ‘Presidente, não vai dar retorno financeiro, mas desportivo vai», atirou o atual treinador do Flamengo.

Não é por isso de estranhar que Jonas esteja entre a dupla de avançados que Jorge Jesus mais gostou de ver.

«A dupla que se completava melhor era Jonas com Lima, mas a mais veloz era do Lima com o miúdo, o Rodrigo. Muito diferentes de Cardozo e Saviola, dois jogadores evoluídos tecnicamente, mas nenhum deles rápido e sem capacidade para puxar o contragolpe», concluiu.

A passagem de Jorge Jesus ficou marcada por algumas duplas de relevo no centro da defesa. Desafiado a escolher a melhor, o técnico português acabou por dar três nomes, com destaque para David Luiz.

«Luisão e David Luiz eram muito bons em termos individuais, mas Garay e Luisão entendiam-se melhor coletivamente, jogavam de olhos fechados. Não quer dizer que esta seria a melhor, porque ia estar a ser injusto para o David Luiz. Ele ainda era muito jovem, mas mostrava muito potencial e provou isso, uma vez que ainda está no top, no Arsenal. Lembro-me que quando cheguei ao Benfica, ele era lateral-esquerdo e fui eu que o meti a central», atirou Jorge Jesus à BTV.

O atual técnico do Flamengo deixou também um elogio a Jardel.

«Foi um grande profissional, que trabalhou muito na retaguarda e foi brilhante quando teve oportunidade», concluiu.

Jorge Jesus aproveitou o período de confinamento em Portugal para fazer o que nunca tinha feito: rever as finais da Liga Europa que disputou ao serviço do Benfica. E só agora tomou consciência da qualidade do futebol praticado pelas águias, em especial no jogo com o Chelsea, em maio de 2013.

«Depois de ter perdido finais nunca mais as vi e revejo sempre os mesmos jogos. Agora, quando estive em Portugal vi as finais, mas já não como treinador do Benfica, mas como apaixonado do futebol e fiquei encantado, não tinha noção que Benfica tivesse jogado tanto, não tinha noção que o Benfica jogava tanto», salientou na BTV o antigo treinador dos encarnados, a partir do Rio de Janeiro.

«Fiquei surpreendido com a qualidade no jogo com o Chelsea, o Benfica jogou muito, a equipa do Chelsea jogou de azul como o Belenenses. Disse aos meus amigos, depois de ter visto a final, que não estávamos a jogar com o Chelsea, estávamos a jogar com o Belenenses. Reduzimos o Chelsea a um clube muito pequenino», sublinhou Jesus.

A primeira temporada de Jorge Jesus no Benfica fica marcada com a conquista do título nacional. Na Europa, os encarnados caíram nos quartos de final da Liga Europa, frente ao Liverpool, com uma derrota por 1-4 em Anfield depois de vencer 2-1 na Luz, e o treinador assumiu que, nessa época, deu preferência à Liga.

«Todos os títulos são saborosos e ficam na nossa história, quando cheguei não tinha título algum e preocupação era ser campeão logo no primeiro ano. Estávamos nos quartos da Liga Europa, jogávamos com o Liverpool e tive de tomar opções porque vinha jogo importante para o campeonato, meti os jogos como o Liverpool [jogou com o Sporting depois do encontro em Anfield, venceu 2-0] um pouco de parte, estava desejoso de ser campeão em Portugal e ganhar o primeiro título, é aquele que tenho na memória», assumiu, na BTV.

Jorge Jesus esteve seis temporadas no Benfica, entre 2009 e 2015, ano em que deixou a Luz para assumir o comando técnico do Sporting.

A saída não foi pacífica e a relação de amizade que construiu com Luís Filipe Vieira saiu abalada. Nada que o tempo não tenha sarado.

«A minha relação com o presidente do Benfica é de amizade. No primeiro ano não foi, a minha saída do Benfica não foi de consenso, mas já passou. Hoje sou treinador do Flamengo e falo muitas vezes com o presidente do Benfica quando estou em Portugal. No Brasil é mais difícil mas falamos às vezes pelo telefone», indicou Jesus, na BTV.

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