CMVM trava OPA do Benfica sobre a SAD

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) notificou o Benfica de que considera irregular o mecanismo de financiamento da oferta pública de aquisição (OPA) do clube sobre 28,06 por cento das ações da sociedade anónima e suspendeu a negociação de ações em bolsa «aguardando a divulgação de informação relevante ao mercado».

O Benfica tem, agora, 10 dias para contestar a decisão do regulador. A OPA está, neste momento, em risco.

O Benfica irá, agora, avaliar a decisão da CMVM e decidir o que vai fazer. Os encarnados não concordam que o regulador, ao fim de quatro meses do lançamento da OPA, tenha considerado irregular que seja a SAD a financiar a Benfica SGPS para compra de ações da SAD. Em cima da mesa está, também, a possibilidade de o Benfica fazer um pedido de revogação da OPA, invocando «alteração imprevisível e substancial das circunstâncias», de acordo com o artigo 128.º do Código da CMVM.

“O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários deliberou, nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários a suspensão da negociação das ações da Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD, aguardando a divulgação de informação relevante ao mercado”, informou a CMVM.

Tal como o JE noticiou no dia 20 de março, na sua edição impressa, o Benfica pondera agora retirar a OPA sobre a sua própria SAD por “alteração imprevisível das circunstâncias”. A operação tinha por objetivo tornar o clube da Luz detentor de 95% da sua SAD.

Devido à crise do Covid-19, a Sport Lisboa e Benfica, SGPS (designação empresarial do clube) pondera retirar a OPA sobre a Benfica SAD, lançada a 18 de novembro. A operação está a ser avaliada pelo regulador há quatro meses.

Para retirar a oferta, que visava controlar 95% do capital da SAD, o Benfica terá de fazer o pedido, de forma fundamentada, à CMVM, onde argumentará “a alteração imprevisível e substancial das circunstâncias” devido aos efeitos da propagação do novo vírus no país, nomeadamente no futebol que suspendeu o campeonato nacional. Mas a palavra final será sempre do regulador que, até à data, nunca aceitou esta possibilidade à luz das regras das OPA.

No momento em que a negociação das ações da Benfica SAD foram suspensas, os títulos dos encarnados tombavam 8,47%, para 2,70 euros. O valor é inferior aos 2,76 euros a que as ações da Luz cotavam antes do lançamento da OPA, em novembro de 2019, quando o clube anunciou querer ficar com a quase totalidade do capital da própria SAD (95%), oferecendo cinco euros por cada ação dispersa no mercado (28,06%).

O Benfica é dono de 40% da Benfica SAD e ainda detém mais 23%, através da Benfica SGPS. A oferta apresentada significa que o Benfica pagaria 32 milhões de euros aos investidores.

De acordo com a edição do Correio da Manhã de dia 21 de março, a decisão de avançar com a revogação do negócio está tomada e, por conseguinte, os 32 milhões que o clube gastaria na OPA poderão ser canalizados para enfrentar eventuais perdas de receita, face à crise suscitada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), e ganhar capacidade de contratar reforços na próxima janela de transferências.

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