Números de Julian Weigl ainda abaixo de Florentino

O ano de 2020 arrancou com uma contratação surpreendente. A 2 de janeiro, o Benfica oficializou a contratação de Julian Weigl, médio alemão, depois de pagar €20 milhões ao Dortmund. Um número grande para a realidade portuguesa, ainda assim a segunda transferência do género, depois do mesmo montante ter sido investido em Raul de Tomas. O espanhol não se adaptou, e foi vendido ao Espanhol por €21 milhões.

Mais surpreendente do que a verba foi o facto do Benfica ter convencido um jogador do Dortmund a deixar a vibrante Bundesliga pelo campeonato português. O vencimento de €2,5 milhões limpos por temporada ajudou, e o alemão chegou ao Benfica para ser reforço de peso e ajudar os mais novos a evoluírem, como o caso de Florentino. Weigl foi sempre titular no campeonato, mas o aparecimento do alemão de 24 anos, aliado à lesão de Gabriel, fica associado à altura em que o Benfica passou a sofrer mais golos na Liga, com uma almofada confortável de sete pontos na liderança a terminar ao ponto de, agora, estarem os encarnados em segundo lugar, atrás do FC Porto. Oito jogos no campeonato depois (10, incluindo Liga Europa e Taça de Portugal), o médio alemão começa a ser criticado por não estar a dar à equipa o que seria suposto por parte de quem vem da Bundesliga com um carimbo de €20 milhões. De Weigl diz-se que arrisca pouco ou nada; que a maioria dos passes são para trás e para o lado; que não tem a agressividade de Gabriel na transição defensiva.

A estatística de Weigl no Dortmund e no Benfica, em jogos do campeonato, não difere assim tanto. O que diz mais das características do jogador do que da forma como jogam as equipas de Lucien Favre e Bruno Lage. O percurso de Weigl no Dortmund terminou com 171 jogos, quatro golos marcados e uma assistência, segundo o site Transfermarkt. Em 13 jogos na Bundesliga, o médio fazia quase 64 passes de média por jogo. Na liga portuguesa, são 49 por partida. As percentagens de sucesso são elevadas. Quase 91 por cento no Dortmund, 89,5 por cento na Luz. O problema parece estar nos passes verticais. Segundo dados do Goal Point, site especializado em estatística, Weigl acertou apenas nove até ser substituído aos 61 minutos do jogo com o Moreirense. A atual percentagem de passes longos também não é famosa: apenas três por encontro.

Sem bola, ganhava um duelo aéreo por jogo na Bundesliga, no Benfica nem isso. Nem é eficaz nas interceções. Até ao jogo com o Moreirense, ainda de acordo com o Goal Point, Weigl tinha 5 recuperações por jogo. Florentino, por exemplo, tinha quase nove.

O maior problema de Weigl em Portugal parece estar nos dribles permitidos por encontro. Se no Dortmund isso era residual (0,5 por partida), no Benfica o germânico é driblado, em média, duas vezes por encontro. Aconteceu com o Moreirense, por exemplo.

Weigl oferece, em teoria, várias soluções em campo. Médio posicional, prefere a posição seis, também pode jogar a oito, e conhece a posição de central. Mas a falta de rotinas do médio alemão na Luz tem levado Bruno Lage a substitui-lo quase sempre com o Benfica a perder e a ter de ir atrás do resultado.

Weigl estreou-se na Liga com o Aves, mas foi rendido por Cervi com os avenses em vantagem; no Dragão, já com cartão amarelo, foi substituído por Samaris com o FC Porto a vencer; com o SC Braga a ganhar na Luz, deu lugar a Chiquinho; e com o Moreirense ainda a zeros, foi substituído por Dyego Sousa.

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