Bruno Lage antevê jogo de resultado imprevisível com os leões

Bruno Lage lançou, em conferência de Imprensa, o Sporting-Benfica, dérbi da 17.ª jornada da Liga NOS. Um “jogo especial” e um dos “mais importantes ao nível nacional” que está marcado para as 21h15 desta sexta-feira, no Estádio José Alvalade. 

Para vencer, o treinador das águias Bruno Lage apontou à competência, referindo que há que saber pressionar sem bola e ter qualidadeintensidade e criar muitas oportunidades de golo quando o Benfica tiver o esférico na sua posse…

Numa semana de calendário bastante apertado como têm sido os trabalhos para este dérbi?

Temos treinado, temos feito as análises dos nossos jogos dos do nosso adversário e perspetivámos o que podemos fazer.

Ferro e Gabriel vão ser opções para o jogo?

Estão convocados para o desafio.

Preparou o jogo à espera de ver Bruno Fernandes no onze inicial do Sporting?

Preparámos o jogo em função do valor coletivo da equipa adversária e do que tem vindo a fazer nos últimos jogos. O Bruno [Fernandes] é um excelente jogador, já o elogiei várias vezes, dá um contributo individual muito grande. Independentemente de ele jogar ou não, não acredito que a dinâmica da equipa mude. É um assunto do Sporting, não é nosso. Acredito que com ele o Sporting tem – é inegável, o próprio treinador o reconhece – maior qualidade.

Bruno Lage Antevisão Benfica-Sporting

O treinador do Sporting disse na antevisão que esta equipa do Benfica representa talvez o maior investimento da história do Clube. Vê nesta declaração uma tentativa de atirar a pressão para o lado do Benfica?

É um facto. São declarações de alguém que esteve atento às nossas contratações, aos nossos gastos, mas eu não vejo as coisas por aí. Olho para o nosso valor enquanto equipa independentemente do valor monetário dos jogadores. Olho para o Vinícius e vejo-o com um trajeto parecido ao do Luiz Phellype. Esteve no Real SC, depois no Mónaco, Rio Ave, Nápoles e agora está no Benfica. O Luiz Phellype está no Sporting. Às vezes o valor monetário vale o que vale. O mercado é isso, valoriza ou não os jogadores. Vejo, sim, como é o contributo de cada jogador para com a equipa. Estamos a ir ao encontro daquilo que pretendíamos, que é ter um plantel curto, competitivo e equilibrado com várias soluções para cada posição. Isso é o mais importante e dá-me garantias para olhar para cada jogo com otimismo.

Teme que a questão física seja determinante no desfecho no dérbi desta sexta-feira, visto que o Benfica vem de um jogo dos quartos de final da Taça de Portugal disputado na noite de terça-feira?

Não. Veja a resposta que demos no jogo com o Rio Ave. A equipa tem dado sempre uma reposta muito forte. O mês de dezembro foi muito bom, o início de 2020 muito forte. A equipa apresenta uma dinâmica e uma intensidade de jogo nos 90 minutos que nos leva a crer que, sempre que jogamos a um nível muito alto, a facilidade de recuperar é maior.

Bruno Lage Antevisão Benfica-Sporting

Vai ter um cuidado especial com o controlo da profundidade, tendo em conta os últimos golos sofridos pelo Benfica?

Curiosamente nós e o Sporting, porque no primeiro golo do clássico com o FC Porto também foram visíveis esses problemas. Cada treinador tem de estar em constante avaliação e em função daquilo que vamos fazendo a cada momento em termos ofensivos e defensivos. Muitas das vezes o controlo da profundidade não é aquilo que os defesas podem fazer, mas sim aquilo que os avançados podem fazer e da maneira como o podem fazer. O Sporting é um adversário muito competente. Constrói muito bem. Possui um ponta de lança que procura levar a última linha defensiva para abrir espaços, e depois quando, carregam o jogo, têm espaços por dentro, espaços por fora e espaços entre linhas. Temos de fazer um jogo muito competente, quando não tivermos bola temos de saber pressionar para não deixar o Sporting jogar. Com bola temos de fazer o nosso jogo com qualidade, intensidade e criando muitas oportunidades de golo.

Jorge Silas, treinador do Sporting, disse que este jogo vale mais do que três pontos. Na sua perspetiva, o que vale este dérbi, ainda para mais na viragem para a segunda volta do Campeonato?

Numa perspetiva de Campeonato vale apenas três pontos e é com essa intenção que vamos disputar o jogo. Queremos vencer! No entanto, há outra dimensão visível: é o dérbi da cidade, um dos jogos mais importantes a nível nacional. O Benfica quer ganhar ao Sporting, o Sporting quer ganhar ao Benfica, seja em que competição ou escalão for. Dos Sub-9 à equipa A, fiz muitos dérbis. É sempre um jogo especial. Os adeptos querem que a sua equipa vença, e nós, treinadores, queremos que a nossa equipa tenha um bom comportamento, os adeptos fiquem felizes pela nossa forma de jogar e, claro, pela vitória.

Bruno Lage Antevisão Benfica-Sporting

Há poucos dias lançou uma reflexão sobre a questão do calendário de jogos. Numa perspetiva do próprio futebol, das equipas e dos adeptos, o que pensa do facto de os dois jogos mais importantes da 17.ª jornada da Liga NOS serem a uma sexta-feira à noite?

Às vezes é importante refletir sobre determinadas coisas que acontecem no nosso futebol e no porquê de acontecerem. Às vezes entramos nas funções e continuamos a fazer as coisas só porque sim, só porque acontecem. Na minha opinião, e tendo em conta a minha experiência no estrangeiro, há duas ou três situações que foram importantes. Em Inglaterra, uma vez, estava preparar o aquecimento, jogávamos às 15h00 e perto das 14h45, a meio do aquecimento, o 4.º árbitro chegou ao pé de nós com delegados da federação a informar-nos que o início do desafio tinha de ser adiado em meia hora. Aquilo, para mim, foi estranho. Tentámos perceber os motivos, e a razão foi simplesmente esta: tinha havido um acidente na autoestrada, os adeptos não tinham chegado ao estádio, então tínhamos de aguardar por eles. O jogo vive da paixão dos adeptos, e é nesse respeito e nessa reflexão que temos de pensar. É o respeito de quem viaja e depois tem de efetuar a viagem de regresso. É fundamental olhar sempre para o lado do adepto.

Bruno Lage Antevisão Benfica-Sporting

(…) 

Em Portugal aconteceu algo muito curioso. Não quero estar a cometer nenhum erro, mas creio que somos o único país em que tem de se usar a braçadeira de treinador no banco. Na época passada, quando ainda estava de muletas por ter sido operado a um tendão de Aquiles, recebi uma multa de quinhentos euros por não ter a braçadeira no braço [num jogo do Benfica B]. Passado dez minutos com as muletas, atrapalhei-me com a braçadeira, tirei-a e coloquei-a no bolso. O 4.º árbitro reparou que eu não estava a usá-la e fui multado. Se questionarmos o público e os adeptos, eventualmente conhecem todos os treinadores da Primeira Liga e se calhar também conhecem os da Segunda Liga… Por que motivo tenho de estar identificado no banco? São dois ou três apontamentos em que às vezes é fundamental refletir porque é importante ter um estádio cheio com adeptos e ter um ambiente fantástico. Este jogo é mais uma oportunidade de os nossos adeptos e os do Sporting poderem desfrutar de um dérbi sem problemas e dar cada vez mais importância ao que se vive dentro do campo e ao apoio nas bancadas. O adepto que vem ao estádio também tem de ter condições para poder assistir aos jogos a uma hora decente. Este jogo e mesmo o FC Porto-Braga mereciam ser no fim de semana, e até eventualmente ficar a meio: não era à noite, era às 15h00 e vivia-se um sábado de futebol como antigamente.

Bruno Lage Antevisão Benfica-Sporting

Tendo em conta o contexto do Sporting, que tem as claques de costas voltadas para a Direção, espera encontrar um ambiente menos hostil? 

Olhe, em Inglaterra não há claques e o ambiente é fantástico. O mais importante para os adeptos, organizados ou não, é apoiarem a sua equipa, e cada massa associativa tem de resolver os seus assuntos. O que mais espero é que não haja problemas antes, durante e depois. O melhor exemplo que podemos ter é a relação do Bruno [Fernandes] e do Pizzi. São grandes amigos, têm uma boa relação, mas, dentro de campo, se tiverem de meter o pé para ganhar a bola, metem; se tiverem de, entre dentes, chamar nomes um ao outro, chamam; e no fim do jogo cumprimentam-se, cada um vai para a sua casa, e depois ainda trocam elogios no Instagram. É assim que os adeptos devem viver o futebol, de uma forma apaixonada durante os 90 minutos e, no fim, cada um ir à sua vida e começar a olhar para o jogo seguinte.

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