Projecto futebolístico do Benfica repensado

A estrutura do futebol do Benfica vai repensar o seu projecto futebolistico, que apesar de dar frutos a nível nacional, não tem correspondido nas competições europeias.

Após a derrota em Lyon, Luís Filipe Vieira esteve uma vez mais no balneario a exigir mais vitalidade aos jogadores em campo, e uma reação forte nos jogos que se seguem. Mas isto já o tinha feito após outra derrota na Champions, desta feita em São Petersburgo perante o Zenit. Durou até nova deslocação uefeira.

Bem se sabe que existem diferenças orçamentais entre Benfica e restantes equipas do mesmo grupo na Liga milionária. Mas isso não desculpa a falta de actitude e carácter demonstrado em campo, quanto à Champions diz respeito.

A direcção encarnada deve ter tido em muito boa conta as explicações que Bruno Lage terá prestado no final do encontro, em justificação aos maus resultados europeus, e com destaque para o de Lyon. Recorde-se o que o mister disse na flash interview que procedeu ao jogo em França: “A dimensão europeia constrói-se dando a oportunidade à equipa para crescer. Se olharmos para os resultados eles não estão a acontecer. Temos de encontrar o ponto até onde a equipa pode crescer com aquilo que temos em casa e olhar para o mercado. Queremos aumentar a competência da nossa equipa para fazer competições ao nível do clube”.

Bruno Lage defende que a aposta nos jovens da formação é válida e para continuar. No entanto, o clube da Luz deve ter a capacidade de fazer contratações cirúrgicas no mercado, com jogadores de inegável valor internacional.

Já num passado recente, e em entrevista a um órgão de comunicação social, o CEO das águias, Domingos Soares de Oliveira, confessou que perante a solidez das finanças da SAD, era agora possível fazer uma ou duas contratações sonantes por época, e somar qualidade à que é produzida no Seixal. Esta é uma mistura que pode ser a solução para um Benfica europeu e realmente competitivo na Liga dos Campeões. Uma linha de raciocínio que é acompanhada por alguns adeptos afectos aos encarnados, e com visibilidade pública e muito discutida nos últimos tempos nas redes sociais entre adeptos e sócios. Esta é também a linha de raciocício que o TerceiroAnel.Blog acompanha como a ideal.

Quem também acompanha esta opinião é Nélson Oliveira, também ele jogador formado no Benfica:

“A aposta na formação é isso mesmo, assumir riscos. Mas é importante mesclar com experiência. E não se pode falar de falta de investimento no Benfica, porque só o De Tomas custou 20 milhões de euros… Os resultados europeus são dores de crescimento, que não podem ser vistos à luz da juventude da equipa. Não se pode associar a falta de resultados na Europa aos miúdos. Até parece que sem eles o Benfica ia a meias-finais da Champions, ou passava a fase de grupos…”

“A ida ao mercado faz falta mas a base deve ser a formação. Quando vês os jovens em finais da Youth League, a jogar com os melhores clubes da Europa e a vencer, quando vês as seleções dominadas por jogadores do Benfica a conseguirem belíssimos resultados, alguém pode dizer que não há qualidade?”

Esta nuance ao projecto do Benfica deverá ter os seus efeitos já em janeiro. Muito embora seja tarde para mudar o rumo dos acontecimentos na Liga dos Campeões, pode ainda vir a tempo de uma boa participação na Liga Europa. Isto caso as águias permaneçam na Europa, e aqui as águias poderiam ambicionar à conquista desta competição. Já em relação às competições internas, aumentaria o fosso para as demais equipas, onde algumas delas parecem “presas por arames” ou pelas arbitragens.

O emagrecimento deverá ser, nessa reabertura de mercado, uma realidade, onde não será de descurar a hipótese de empréstimos de alguns talentos formados internamente (Gedson e Jota na calha?).

Contratar em janeiro nunca é a melhor política, a não ser para boas oportunidades de negócio, ou aproveitar aqueles talentos de outras paragens não europeias, e que terminam as suas competições em dezembro. No entanto, estes teriam depois meia época para se ambientarem à equipa e nova realidade em Portugal, e serem devidamente enquadrados no plantel final da época seguinte. Quanto às posições que as águias mais terão necessidade de colmatar, essa discussão deixamos para o leitor.

Nuno Alexandre Costa

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