Atletismo: Desertores são desertados pelo rival

Marco Fortes

A vida tem destas coisas. A vida de desportista, efémere como é, leva a que atletas tomem decisões para o imediato, sem pensar no amanhã.

Há cerca de 3 anos, a direção leonina de Bruno de Carvalho, num acto habitual e rasteira de gostar mais do produto do vizinho, veio buscar uma série de atletas ao Benfica, nomeadamente ao atletismo. Nélson Évora foi a cereja no topo do bolo.

Nélson Évora

Ora o bolo de Alvalade foi sendo fatiado pelos bancos e dirigentes da SAD leonina, ao ponto de nesta altura sobrar pouco mais que a cereja. O costa-marfinense de origem cabo-verdiana, que um dia usufruiu do direito que Portugal lhe concedeu, e naturalizou-se português, é agora um dos poucos desertores da Luz, que sobrevivem à razia que os verde-e-brancos vão fazendo nas modalidades.

Yasaldes Nascimento

Entre os vários atletas desviados para Alvalade, estavam, entre outros, Marco Fortes, Yasaldes Nascimento, Rasul Dabo e Tiago Aperta. Na verdade, estes não podem ser censurados. Os salários auferidos no atletismo não são equiparáveis aos do futebol, mas a carreira desportiva é igualmente curta. A oferta do outro lado da 2ª Circular foi, na maioria das vezes, o triplo da que a gestão encarnada, equilibrada e bem gerida oferecia, pelo que não se deve condenar. Apenas a forma como sairam, não havendo uma ponta de gratidão a quem lhes deu muito em termos desportivos e de formação em alguns casos.

Rasul Dabo
Tiago Aperta

A crise financeira do Sporting, que está umbilicalmente ligada ao dos “Lesados do BES”, levou a que a direção de Varandas Fernandes dicidisse começar a cortar nas despesas. Uma vez que foi necessário canalizar fundos para segurar Bruno Fernandes e pagar aumentos salariais dessa mesma direção, assim como devolver dívidas bancárias, o clube dos Viscondes decidiu dispensar alguns atletas como os que mencionámos atrás, e que agora ficam sem Sporting nem Benfica. Fizeram parte de um engodo, gulosos pelos valores apresentados, e viram-se agora eles também vítimas. Resta-lhes rumar a clubes menores e sem as mesmas condições, ou competir individualmente por lugares em mundiais, europeus ou olímpicos. Temos pena.

Nuno Alexandre Costa

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