Shéu Han: A grande entrevista

Em Portugal, toda a gente sabe quem é Shéu Han, cujo nome se confunde, há meio século, com o Benfica. Mas será que sabe mesmo? Pela primeira vez, o histórico jogador dos encarnados levantou um pouco o véu sobre a sua vida pessoal e profissional. Contou tudo o que entendeu dever partilhar e guardou consigo muito mais. A presidência de João Vale e Azevedo foi um dos temas abordados na entrevista conduzida por José Manuel Delgado

Temeu pelo Benfica durante a presidência de Vale e Azevedo?

Houve um momento em que tive medo pelo Benfica. Um dos grandes temores que tive aconteceu quando me apercebi que os adeptos já nem assobiavam. E não estou, de maneira alguma, a fazer a apologia do assobio. Estou a fazer a apologia do interesse. Nessa altura interroguei-me. Será que os jogadores e o clube já não merecem nada, nem assobios? Eu estava numa situação em que não tinha espaço para intervir, num período, de facto, muito difícil. Recordo jogos na Luz, de provas europeias, com dez ou quinze mil espectadores nas bancadas. E perceber que os jogadores não queriam ficar no clube, em contraste com  aqueles tempos em que até de graça se queria vestir a camisola do Benfica! Para mim e para outros, que abraçaram o compromisso com o Benfica, não foi fácil.

No Benfica, que tinha sido, historicamente, um clube de boas contas, até isso falhou…

Havia, de facto, muitas dificuldades. Muitas vezes tivemos que nos substituir, de forma muito pessoal…

Adiantou dinheiro para despesas correntes?

Era isso, era isso, aliás está tudo documentado.

Depois de Vale e Azevedo ter sido julgado e preso, depois de terem sido tornadas públicas muitas coisas que aconteceram, a pergunta, inevitável, a quem estava lá dentro é: não se aperceberam do que estava a acontecer?

Quem estava a trabalhar diretamente com o futebol nunca teve essa noção. O nosso foco era dotar a equipa das melhores condições possíveis. A nossa luta era defender a divisa do Benfica, tudo o resto passava-nos ao lado, havia uma grande separação de águas.

O que mudou com a chegada de Manuel Vilarinho?

O ambiente passou a ser outro, o compromisso com os sócios passou a ser outro, também, e abriu-se uma porta para que o futuro fosse diferente. Mas não foi fácil, até se chegar a um clima de paz onde fosse possível trabalhar de forma tranquila.

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