Grande entrevista a Pizzi depois de chegar aos 50 golos pelo Benfica

Ao marcar em dose dupla no arranque da edição 2019/20 da Liga NOS, Pizzi chegou ao golo 50 pelo Sport Lisboa e Benfica. Numa extensa entrevista à BTV, o internacional português recordou o percurso até à marca que faz dele o oitavo médio com mais golos pelos encarnados – segundo dados da plataforma Playmaker Stats – e revelou metas futuras.

No momento em que marcou [na receção ao Paços de Ferreira] sabia que era o golo 50?

Não, sabia que estava perto, mas não costumo contabilizar os golos que tenho. Só depois, no final do jogo, é que me apercebi que era o meu golo 50. Fiquei, obviamente, muito contente. É uma marca importante para qualquer jogador e fazer 50 golos com esta camisola é um orgulho para mim.

É o 40.º jogador do Benfica a chegar à marca dos 50 golos em jogos oficiais. Vai de acordo com as suas expectativas iniciais?

Na minha carreira como futebolista, o mais importante é sempre ajudar a equipa e eu privilegio sempre mais fazer uma assistência do que um golo. Já faz parte do meu ADN, da minha forma de estar em campo. É verdade que um jogador gosta sempre de fazer golo e é a imagem mais forte no mundo do futebol, mas, sinceramente, nunca pus uma expectativa muito alta em relação ao golo. O mais importante e o que vai na minha cabeça é sempre ajudar a equipa – claro que se com um golo puder ajudar a equipa, ainda melhor – e fazer sobretudo aquilo que mais gosto que são assistências.

Pizzi

Dá-lhe tanto prazer fazer uma assistência como marcar um golo?

Para mim acaba por ser igual. Claro que as pessoas, no final do jogo, vão perguntar quem marcou e não quem fez a assistência para o golo. Como já disse, o golo é a imagem mais forte do futebol. Claro que todos os jogadores têm um prazer enorme em marcar e festejar golos, mas, para mim, fazer uma assistência acaba por ser um momento também muito importante.

Destes 50 golos qual foi o melhor ou o mais especial?

Todos os golos com esta camisola são importantes e especiais. Já marquei bastantes, não me recordo de todos, mas um dos que mais gostei foi na Supertaça contra o SC Braga. O guarda-redes saiu, a bola sobrou para mim e eu, de fora da área, consegui fazer um chapéu. Foi um golo bonito que nos deu mais um título. Foi especial para mim porque foi contra uma equipa onde já joguei e por quem tenho bastante carinho e depois também porque ajudou o Benfica a conquistar mais um título.

Tem alguma técnica para marcar os penáltis?

Não posso contar todos os pormenores senão os outros guarda-redes vão ficar atentos a esta entrevista e já vão tentar apanhar os meus penáltis [risos]. Antes de todos os jogos, temos a facilidade, através do staff do Benfica, de recebermos os vídeos dos guarda-redes e também temos oportunidade de os estudar em relação aos penáltis – para que lado se atiram mais, qual é o seu posicionamento, as manobras para nos distraírem – e temos de jogar com isso. Em relação à minha forma de bater o penálti, eu tento retardar até à última para ver se há algum movimento do guarda-redes para eu conseguir meter a bola para o lado contrário. Claro que nem sempre é fácil, porque há guarda-redes que também são especialistas nisso e tentam atrasar ao máximo a nossa marcação. O segredo é treinar todos os dias para poder melhorar e depois, no jogo, é ter calma, frieza e cabeça limpa para fazer as coisas bem.

Benfica-Paços de Ferreira

Dá-lhe um prazer especial marcar golos no Estádio da Luz?

Claro que tem um significado totalmente diferente. Estarmos a jogar em casa, no nosso Estádio, perante os nossos adeptos, perante sobretudo a família que está sempre a apoiar-me, é um motivo de alegria enorme. O golo é sempre um motivo de alegria para todos os jogadores, mas fazer golos no nosso Estádio, perante o nosso público que tanto nos apoia desde o primeiro momento, é sempre especial. Oxalá possamos repeti-lo durante muito tempo.

Apesar de o pé direito ser o dominante, também tem marcado muitos golos e feito assistências de pé esquerdo. Ainda treina remates e passes de pé esquerdo?

No treino tento sempre aperfeiçoar isso. Obviamente que o meu pé direito é muito melhor do que o meu pé esquerdo. É para isso que serve o treino, para melhorar as coisas menos positivas. Tento sempre, no treino, rematar muitas vezes e fazer receções com o pé esquerdo, acima de tudo, melhorar o meu jogo com esse pé. É importante para o jogo, em momentos em que só temos milésimos de segundo para decidir… às vezes uma boa jogada com o pé esquerdo pode dar uma vitória ou um golo. É importante no dia a dia podermos melhorar aquilo em que somos menos bons para depois, nos jogos, conseguirmos pô-lo em prática.

Ainda não marcou nenhum golo de cabeça pelo Benfica. É o seu ponto fraco?

Não é fácil. É um dos meus pontos fracos, obviamente. Não sou muito forte no jogo aéreo, não é aquilo que mais domino. Eu apareço sempre numa zona da área onde há mais passes atrasados ou mais combinações curtas e não tanto o cruzamento largo e o aparecer a finalizar de cabeça. Nunca aconteceu, mas espero em breve conseguir fazer um golo de cabeça ao serviço do Benfica.

Pizzi

A questão do remate de meia ou longa distância também se treina?

Treina, sem dúvida. Isto acaba tudo por ser uma aprendizagem diária. Eu apareço muitas vezes dentro da área para finalizar porque os meus movimentos já são propícios a isso, mas em treino e no dia a dia, tento sempre melhorar também o meu remate de fora da área. Cada jogador tem as suas características e a sua maneira de estar e de jogar, mas o mais importante é o trabalho diário para quando chegarmos ao jogo e tivermos uma oportunidade para fazer golo de fora da área não facilitar.

De livre não marcou ainda…

Felizmente temos um grande batedor de livres que é o Grimaldo. Não é uma coisa que eu tenha vindo a treinar muito, confesso, porque também não é algo que goste muito de fazer. Mas acho que vou tentar melhorar também nesse aspeto. 

Tem algum objetivo definido em relação ao número de golos que quer fazer nesta temporada?

No início da época nunca defino uma meta. Acho que o mais importante para mim e para todos os jogadores é o trabalho diário e aquilo que podemos controlar: o dia a dia, os treinos, e depois, nos jogos, fazer as coisas bem. O mais importante é trabalhar bem e ajudar o Benfica a conquistar vitórias.  Claro que se puder juntar a isso golos e assistências melhor, mas o mais importante é pensarmos no coletivo. O meu pensamento é no final estarmos outra vez a festejar no Marquês.

Pizzi

Na época passada foi o jogador com mais assistências nas ligas europeias. 24 no total da época, quase 70 pelo Benfica…

Confesso que é um enorme motivo de orgulho ter sido, no ano passado, o jogador com mais assistências na Europa.  É para isso que eu trabalho diariamente. Neste momento, claro que o meu objetivo é sempre superar-me a mim a às minhas marcas todos os dias, mas mais para a frente veremos como as coisas estão a correr. Oxalá possa manter a minha marca de assistências.

Nas últimas três épocas, só falhou nove jogos do Benfica. Faz algum trabalho de prevenção, cuida-se muito? Como é que explica esta consistência e esta regularidade em campo?

Tento todos os dias trabalhar ao máximo e também temos connosco uma equipa técnica e o Benfica LAB que nos ajuda muito na parte de prevenção de lesões, na parte do ginásio… Isso é muito importante, não só para mim, que tenho 29 anos, mas também para todos os jovens. É importante que esse trabalho seja feito de uma maneira correta e no Benfica nós temos as pessoas certas. Espero continuar muito tempo sem lesões para continuar a ajudar o Benfica.

Pizzi

Pizzi no Benfica 

ÉpocaJogosGolos
2019/2020 * 24
2018/20195515
2017/2018456
2016/20175213
2015/2016478
2014/2015314

* época a decorrer 

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