Que futebol queremos para Portugal? O Benfica indicou o caminho

Que futebol queremos para Portugal? A pergunta, lançada no âmbito da I Conferência Bola Branca, organizada pela Rádio Renascença nesta segunda-feira, convidou à reflexão, partilha e ao debate de ideias.

Em nome do Sport Lisboa e Benfica, o vice-presidente Varandas Fernandes enunciou propostas e caminhos do Clube para melhorar a atividade.

“O futebol é uma grande indústria e, hoje em dia, falar de futebol é uma grande responsabilidade. É uma atividade com muita paixão, mas também, acima de tudo, competênciaorganizaçãoprofissionalismo e acreditar que é possível fazer. Sobre juntar os grandes clubes à mesa… Eu entendo que é possível juntar todos os clubes, os grandes incluídos”, indicou o dirigente na abertura da sua intervenção.

Elevar o nível de exigência para com dirigentes, agentes desportivos e Comunicação Social “é importante”, mas apenas uma parte do processo.

Temos de elevar o nível da informação dos próprios clubes, ter atenção às redes sociais, que se encarregam de fazer toda a análise e substituem-se aos treinadores e aos árbitros. Começa nos clubes a pedagogia para que servem essas redes sociais de transmissão. O futebol precisa de quietude, calma. Não é só criticar quando se perde”, assinalou Varandas Fernandes.

Quando se ganha tem de haver recato dos dirigentes e quando se perde tem de deixar de haver crítica nos próprios clubes, só porque se perde um jogo, ou culpabilizar, muitas vezes injustamente, a atitude ou a decisão de uma equipa de arbitragem. Acreditamos que o futebol vai ser cada vez mais uma grande empresa, um polo de união. Mas precisa de ser disciplinado“, alertou.

Evento Bola Branca

A “agressividade” existente no futebol é recriminável. “O Sport Lisboa e Benfica não se revê neste clima“, vincou Varandas Fernandes. “O barbarismo leva-me a crer que é um pouco para distrair e perturbar alguns clubes que possam querer mais e estar mais no top internacional. O bate-boca não é importante para o desenvolvimento do futebol. Esta atividade é pensada como uma grande empresa, uma grande indústria, que tem um caldeirão de emoções, mas os dirigentes têm de saber controlá-las e ser responsabilizados pelos atos que cometem. Devem ser punidos e penalizados pelas incorreções cometidas, e nesse aspeto a nossa disciplina deve ser mais transparente em relação aos prazos e à divulgação do que se pune, ao abrigo de que regra e por que se demora tanto tempo a punir”, destacou o vice-presidente.

Perdemo-nos no bate-boca. Os meus filhos estão no estrangeiro a trabalhar e dizem que já não veem os nossos programas, porque nos países onde estão discute-se a técnica, a competência, a capacidade e a organização, e em Portugal passa-se a vida a discutir e a insultar. Há uma mudança de mentalidade tem de ser feita, que está ao nosso alcance. Da parte do SL Benfica, o que vamos exigir internamente é mais profissionalismo, mais dedicação e correção sempre que se aborda um tema, estamos de portas abertas para colaborar, em tudo o que seja possível fazer, com a Federação Portuguesa de Futebol, com a Liga Portugal e todos os organismos desportivos que têm legitimidade para tal”, enquadrou.

Evento Bola Branca

Varandas Fernandes explicou como o Clube tem trabalhado no sentido de contribuir para o “desenvolvimento do futebol”. “Entendemos que, tendo uma estrutura profissional melhor, com melhores dirigentes, melhores meios e melhores parcerias internacionais, nós conseguimos ser melhores. Olhamos para dentro, não olhamos para a casa do vizinho. Estamos preocupados com a nossa casa, com o desenvolvimento do futebol do SL Benfica. Se isto é um contributo para o País e para os outros clubes, bom”, realçou o membro da Direção benfiquista.

“O Clube tem de dar o exemplo, não podemos estar à espera que sejam os outros a fazê-lo. Nesta matéria, no SL Benfica temos feito três grandes apostas nos últimos tempos: internacionalização, inovação na formação e pedagogia nas redes sociais e comunicação“, sinalizou Varandas Fernandes.

Os rankings internacionais onde o SL Benfica é citado mostram que, em devido tempo, o Clube soube-se profissionalizar internamente. Este é um grande mérito do Presidente, homenagem lhe seja feita. Tem uma visão estratégica, para o Clube e para o futebol, de desenvolvimento, investimento e profissionalização. Temos uma estratégia nacional e internacional, um caminho, um rumo desde a formação até aos mais experientes”, lembrou.

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“Criticar equipas de arbitragem e jogadores adversários não pode ser o nosso ADN”, acentuou Varandas Fernandes, já num espaço de perguntas e respostas da responsabilidade do promotor do evento. “O nosso ADN é interno. Temos de ser melhores do que os outros, e para isso temos de apostar internamente em tudo o que seja necessário fazer, o que passa pela profissionalização e pelo projeto que, na pessoa do seu Presidente, o SL Benfica quer ter para contribuir para o futebol português”, destacou.

“A atitude que tem havido de crítica permanente em relação à arbitragem é desviar o foco do que é importante, o resultado do jogo. Em Portugal, devemos habituar-nos a perder e a ganhar. Mas há que ver por que motivo o último ano e meio foi mais agressivo… O Benfica será sempre fiel à regra da verdade e do respeito para com os concorrentes. Não vale a pena estar aqui a repetir, mas sofremos vários ataques nos últimos tempos. Violaram-nos a correspondência… Se isto parece bem a algumas pessoas… Violarem-nos a correspondência e dá-la paulatinamente em canais de televisão conotados com determinadas marcas, às pinguinhas, para ir derretendo, não me parece uma conduta correta“, frisou o vice-presidente.

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O fanatismo não leva a lado nenhum“, constatou Varandas Fernandes, fundamentando um dos pontos de vista para a mudança de mentalidades no futebol português.

“Se algum dirigente ou agente de comunicação incitar o ódio, a onda em cadeia é possível de transmitir. Somos contaminados socialmente, mesmo que não queiramos. Não se pode admitir que determinada claque ou determinado grupo de sócios atinja, agrida ou ofenda. Temos de ser frontalmente contra isso, mas a correção começa dentro de casa. Por exemplo, não se pode admitir que uma tarja apareça num determinado estádio com caras ligadas à política, ao desporto e à cultura só por criticar. Isto é chacota pura, reprovável ao mais alto nível. Assim como não se pode admitir ditos infames das claques face a outras claques. Não faz parte do ADN que o futebol português deve ter”, insistiu.

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“Reprovamos insultos a João Félix”

Terminado o evento, Varandas Fernandes foi abordado pelos jornalistas no sentido de comentar os insultos dirigidos por adeptos a João Félix na noite de domingo, em Espinho, quando o avançado do Benfica chegou ao local de concentração da Seleção Nacional.

“Estive em Sevilha [nas cerimónias fúnebres do malogrado José Antonio Reyes] e foi pelos jornais que li o que se passou. Não me revejo nesse tipo de insultos, não me revejo nesse tipo de pressões. São condutas reprováveis. Não vi nenhum clube reprovar isso. Nós reprovamos, categoricamente! Seja a João Félix ou a outro atleta de qualquer clube. Reprovamos as pressões que se exercem sobre atletas, árbitros e alguns dirigentes”, afirmou o vice-presidente das águias.

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